segunda-feira, 28 de novembro de 2022

UM CAMINHO INDESEJÁVEL

 



Política e Religião — Pode até se considerar que são duas vertentes bem distintas, mas ambas estão intimamente ligadas de alguma forma pela crença. A partir daí, os conflitos podem se estabelecer com muita facilidade. A religião em si, já tem seus fundamentos na crença. 


Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna- se um conhecimento. [...] Uma crença é um ato de fé de origem inconsciente, que nos força a admitir em bloco uma ideia, uma opinião, uma explicação, uma doutrina. A razão é alheia à sua formação. Quando se tenta justificar a crença, esta já se acha formada. (Gustave Le Bon).


Ninguém acorda um dia e diz: sabe, a partir de hoje vou crer nisso ou naquilo. Não! A crença apenas surge de regiões inconscientes, ela brota, explode com tanta força, que nos sentimos impelidos a encontrar fundamentos que possam justificar aquilo que já cremos, mesmo sem um viés racional. Outras vezes o processo é lento e moroso. 


As razões da crença, os motivos surgem depois de crermos. Uma construção munida de diversos parâmetros e vieses.


Ninguém escapa. A própria opinião já pode trazer em si algum fundamento com base em uma crença. Há sempre algo em que se crer sem que isso exija de nós algum fundamento racional. Talvez apenas a lógica emocional, afetiva, que surge de regiões ocultas advindas da própria mente.


Agora sim, de posse da crença, os conflitos já podem ser iniciados. Pois essa é sagrada, separada, intocável. Desafiar a crença do outro é pisar em um terreno com brasas vivas.


Uma vez comprometidos com uma crença, apresentamos e sustentamos diversos argumentos em defesa dela. Sentimentos e emoções intensas se manifestam durante o embate. Ocasionalmente os limites podem ser o da ignorância, a força bruta, desrespeito e baixa tolerância.


Crer é fácil; descrer é uma missão mais trabalhosa.


*Waldez Pantoja*

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