sábado, 26 de novembro de 2022

A FORÇA DO CONTÁGIO

 


Talvez o termo contágio seja mais percebido na área médica. Está relacionado a propagação de doenças, vírus, bactérias, e outros. Mas não é apenas na medicina que o fenômeno ocorre.

Disseminação, propagação, transmissão, são algumas expressões usadas para definir o termo. Essa amplitude permite que o conceito seja aplicado em outras áreas e não somente na medicina.

A moda, a cultura, as crenças, a política, os esportes, os boatos; são algumas áreas altamente dependentes do contágio para que possam se propagar. Quase nada escapa. E o fenômeno é sempre interessante. Se algo alcança uma única pessoa, é fácil alcançar muitos, uma multidão. E é aí que a coisa pode ficar séria.

Nenhum de nós está imune ao contágio. Sem nos darmos conta, de repente, começamos a defender ideias estranhas; começamos a cantar algumas músicas que grudam; começamos a imitar certos hábitos e comportamentos, propagar o que ouvimos falar, — tudo incorporado através do contágio. Conceitos e preconceitos não escapam ao fenômeno. Quase sempre inconscientes.

O influenciador —  De repente, alguém grita no meio da multidão: "Barrabás! Soltem Barrabás". Sem nenhuma reflexão, sem provas, sem fazer uso da razão, o grupo, a multidão é tomada por uma forte emoção social e passa a ecoar o grito inicial. Assim começam os grandes tumultos violentos. O cérebro social em ação. 

As emoções são altamente contagiantes. Ansiedade e medo não escapam. Como acontece em grupos sociais, há um pequeno número de indivíduos que orientam e influenciam os demais.

Somente não fazendo contato com o outro é possível escapar do contágio, ou evitar a situação. Missão quase impossível nos dias atuais. No entanto, é possível filtrar, fazer uma escolha e decidir o que fica e o que deixa de fazer parte da nossa vida. O remédio quase sempre está na autoconsciência, na auto-observação, no autoconhecimento,  dentro de nós mesmos.


Waldez Pantoja

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