segunda-feira, 7 de novembro de 2022

FERIDAS QUE NÃO SARAM

 

O nosso corpo tem um mecanismo fantástico, o poder da autocura. Quando adoecemos ou lesionamos uma parte do corpo, pode ocorrer de mesmo sem nenhum medicamento, nenhum fármaco exógeno ao corpo, nos curarmos. O remédio é providenciado pelo próprio corpo. Ele mesmo produz as substâncias capazes de nos curar.

Considera-se remédio tudo aquilo que sara, que cura. O medicamento tem a mesma função, mas é manipulado em uma farmácia em ambiente controlado.

Um abraço, um sorriso, um ombro amigo, um palavra de apoio, uma boa noite de sono, descanso, uma prece, tudo pode funcionar como remédio e nos ajuda a equilibrar o corpo promovendo assim a cura. Por outro lado, a permanência em ambientes tóxicos, envolvimento com pessoas tóxicas, terminam expondo a ulceração, e isso dificultará e até impossibilita a cura.

Para a chaga sarar é preciso cuidado com ela. Se todas as vezes próximo a cura ela for lesionada, o processo será reiniciado. Ela sangra, inflama, incomoda, e retardando a cura. Essa exposição contínua ao dano, pode se tornar um processo crônico e o machucado jamais será aliviado.

A alma ferida responde com algumas evidências no próprio corpo. As respostas surgem em forma de anomalias que se tornam visíveis para que possamos tomar uma decisão e escolher o melhor tratamento, que irá aliviar, sanar a dor, e fechar por completo a ferida aberta.

"A dor ou é um mal para o corpo, caso em que deve ser mostrado, ou o é para a alma. Quanto à alma, porém, a ela é facultado preservar sua própria serenidade e calma e não conceber esse mal que é a dor" (Epicteto).

Uma máxima do estoicismo diz que, "Dor é inevitável, sofrimento é escolha." Sempre que voltamos a nos expor a ambientes que reabrem a mesma ferida de sempre, relacionamentos abusivos, aí já não é mais a dor por si, mas sim o sofrimento crônico advindos de nossos atos volitivos.


Waldez Pantoja

Nenhum comentário:

Postar um comentário