sábado, 5 de novembro de 2022

Ei! Quem está aí, é você mesmo?

 


Grupos sociais são importantes, mas para fazer parte do grupo, geralmente há que se comportar como grupo. Uno. Aí mora o perigo, porque muitas vezes ocorre o que Michael Gazzaniga chama de desindividualização. Quando o sujeito perde a individualidade.

Adquirimos hábitos daqueles que nos rodeiam, e, assim como algumas doenças se propagam pelo contato físico, a mente também transmite seus males aos que estão próximos. [...] Não deixe seus pensamentos ou sua autonomia mental serem influenciados pelo poder hipnótico da mentalidade de grupo. (Sêneca).

O grupo influencia o comportamento. Pensamentos, emoções, a própria ação é fortemente influenciada pelo grupo. Aquilo que a pessoa não faria estando sozinha, com a força do grupo fica muito mais fácil.

A autoconsciência muitas vezes é abalada quando na presença do grupo. O cérebro individual se torna social. Nesse sentido, as restrições desaparecem e o senso crítico é abalado. 

Gazzaniga (2018) afirma que a maioria das pessoas é facilmente influenciada pelas outras. O desejo de se enquadrar no grupo e evitar ser excluído, faz com que elas se envolvam com determinados comportamentos, que condenariam em circunstâncias fora do grupo.

Vale favorecer os membros do grupo em detrimento dos que estão de fora, que não pensam igual. Mesmo havendo alguma dissonância moral. O apedrejamento se torna muito mais fácil.

Seres humanos são facilmente moldáveis. De acordo com o grupo uma persona (máscara). Uma para o trabalho; outra na Igreja; uma outra na faculdade; outra diante de uma autoridade; e uma diante de si mesmo, onde nada pode ser ocultado, mas pode ser negado.

Há grupos tóxicos. Esses, devem ser evitados a todo custo. E, uma vez fechado com um grupo, aí já não sou eu, mas as ideias do grupo que agora habitam em mim. Por isso, a máxima na parede do templo de Apolo continua atual: "conhece a ti mesmo".


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

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