quarta-feira, 9 de novembro de 2022

AS SANGUESSUGAS EMOCIONAIS ESTÃO ENTRE NÓS

 


Há certos ambientes que podem não apenas agravar a nossa própria doença, mas também gerar enfermidades em pessoas sadias.

Cuidar e proteger as nossas emoções é uma escolha para a vida toda. Não podemos relaxar acreditando que não somos afetados pelos nossos relacionamentos. Essa é uma via de mão dupla. Afetamos e por isso somos afetados.

Basta um único encontro com uma sanguessuga emocional, e, se não estivermos preparados, protegidos, nosso dia será arrasado. Literalmente a sanguessuga emocional suga toda nossa força. A pessoa fala sobre a desgraça dela, das doenças da família, fala da peste, fala mal dos outros, traz sempre as piores notícias da semana. Um intensivo relatório ambulante de mau presságio agindo sobre nós. Um hábito crônico que mata lentamente. Quando ela se vai, deixa uma enorme porção de veneno. Se tomarmos, morremos. 

"Eu ouvi dizer". "Eu ouvi falar". "Me contaram". "Já está sabendo?" "Sabe da última?" — Assim pode começar um dia de angústia e ansiedade, quando nosso tempo é dedicado a esses seres que sugam até a última gota de esperança que tínhamos para enfrentar o dia.

As boas amizades são diferentes das sanguessugas emocionais. Quando necessita, a pessoa corre até nós, pede socorro, pois ela sabe que encontra em nós uma fortaleza na qual encontra abrigo e força para continuar. Ocorre assim uma troca positiva, ajuda mútua, — pois quando ajudamos, também somos beneficiados.

Dois grandes pensadores, Aristóteles e Sêneca, acreditavam que nenhuma vida humana pode ser totalmente satisfatória no isolamento, sem o vínculo de amizades verdadeiras. No entanto, precisamos reavaliar aquela amizade da sanguessuga emocional.

O que fazer? Se tem forças para ajudar, ajude. Mas trate de proteger suas emoções. Às vezes, a única saída é nos livrarmos da relação tóxica, seja através da mudança de comportamento, mudando nosso juízo sobre o que nos afeta, ou mesmo através do distanciamento daquilo que ameaça o nosso bem-estar.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

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