quinta-feira, 17 de novembro de 2022

QUE CULPA TEM O MARTELO?

 


Diante da posse de um martelo e um objeto a ser martelado, errei o alvo, e o dedo sofreu as consequências. Pobre dedo! Que mal fez para merecer tamanha injustiça?

Assim comecei o dia. O propósito era apenas fazer um pequeno conserto. Por pura falta de habilidade restou-me a terrível dor aguda. 

Enquanto isso, Alexa sem se importar com a minha dor, tocava Vivaldi. Foi a mais bela martelada no dedo até o momento, isso ao belo som de uma música clássica.

O primeiro impulso, a primeira reação é buscar um culpado, e neste caso especifico, o martelo seria o candidato. Ele merecia ser xingado, arremessado contra uma parede. Mas que culpa tem o martelo?

Ferramentas exigem habilidade. Elas são poderosas, embora não tenham vida própria. Somos nós mesmos que direcionamos, que fazemos bom ou mau uso delas.

Nossos pensamentos, nossas opiniões, nossas certezas, nossos julgamentos impiedosos, nossos conceitos, nossos valores, tudo pode funcionar como ferramentas. Sem habilidade no uso diário, pode não haver conserto algum, apenas o dano e a dor excruciante. Se a nossa falta de habilidade atingir o outro, a coisa pode ficar mais séria ainda.

Resta-nos assumir a responsabilidade e aprender. Após o dano, a ferida ainda dói, mas cessará se tratada.

Que vida cheia de eventos notórios. Às vezes agimos como martelo. Outras, nos tornamos prego, quem sabe madeira inerte. Felizmente temos escolha, e podemos nos transformar em habilidosos carpinteiros. 

Dito isso, jamais iremos culpar o martelo, apenas assumir a nossa falta de atenção e aptidão para bem manusear as ferramentas, que na verdade são indiferentes ao uso que delas fazemos.

Tudo acabou em risos, mas a dor continua como lembrança. Já não incomoda tanto, vai passar.

"Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude."


Waldez Pantoja

Nenhum comentário:

Postar um comentário