Reclama-se de quase tudo. Temos visto que poucas coisas merecem atenção não envolta em reclamação. Assim, vivemos em meio a uma multidão que cada vez mais se especializa em reclamar, sem que consiga pensar em uma ação que possa resolver aquilo sobre o que se reclama.
"É assim, meu caro Lucílio; existem alguns homens que a escravidão mantém presos, mas há muitos mais que se apegam à escravidão" (Sêneca).
São coisas tão pequenas, sem valor real, cheias de insignificância, as quais nos apegamos com tanta força, que sequer percebemos as pesadas correntes que nos prendem a elas. Futilidades que nos causam dor, nos adoece, nos transformam naquilo que sempre condenamos. A escravidão.
Não é o que forjou as correntes, mas aqueles que por elas são contidos. São esses que sentem o efeito e o peso das amarras.
Onde há apego e dependência, ali parece haver escravidão das futilidades. Ninharias pelas quais não vale a pena tamanho esforço; a opinião dos outros, o incômodo com coisas que não podemos mudar. Lamentações intermináveis, queixas que não trazem consigo uma solução nem propostas de melhorias. Futilidades.
"Tudo o que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo o que vemos é uma perspectiva, não a verdade” (Marco Aurélio).
A música que embala o outro, essa nos tira o sono. Não é a música, também é a nossa resposta ao estímulo.
Fútil não são as coisas em si, pois elas são indiferentes. Futil é o nosso apego e a nossa dependência daquilo que não nos agrega valor genuíno. Ou ainda, fútil é o nosso desprezo àquilo que pode nos direcionar rumo ao aperfeiçoamento, e ainda assim, desprezamos.
O que nos causa dor e sofrimento pode ser a alegria do outro. É o nosso juízo, a nossa opinião nos tirando a paz que tanto buscamos no mundo lá fora, enquanto ela repousa tranquilamente e calma, ali, dentro de cada um de nós, apenas esperando uma oportunidade para se revelar.
"Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude".
Waldez Pantoja

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