segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A ORDEM DAS COISAS

 


Sem subverter a ordem das coisas: "do passado, as lembranças; no presente, viver; para o futuro, os planos".


O que deveria ser apenas um obstáculo, pode facilmente se tornar um limite estabelecido quando subvertemos a ordem das coisas. O objetivo da memória é fazer com que o presente tenha um sentido, nos ajuda a evitarmos que erros cometidos sejam repetidos. 


Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. [...] Não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. [...] A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente. (Sêneca).


Insensato é querer viver no presente coisas que pertencem às distantes terras do passado ou mesmo do futuro.


Esse contínuo estado vivendo segundo expectativas futuras, roubam de nós um tempo precioso do nosso ínfimo presente. Em um instante passa, e já não mais nos pertence.


É do passado que assimilamos todas as lições aprendidas e que devem ser aplicadas no presente. O que não se pode é querer viver um tempo que não mais nos pertence ou ainda nem chegou. O fruto desse ato resulta em ansiedade, e muitas vezes frustração.


O livro de Mateus traz uma advertência: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal". 


A ideia é aprender com a dor que é inevitável; fugir da aflição hoje por coisas que sequer aconteceram. Evitar sofrer duas vezes com antecipações desnecessárias.


Waldez Pantoja

CORPO E ALMA?


Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna- se um conhecimento. (Gustave Le Bon).


Assim estão fixadas as crenças no dualismo, corpo e alma, às vezes com até 3 componentes: corpo, alma e espírito. Como substâncias unidas e ao mesmo tempo separadas entre si. 


Com o passar do tempo alguns conceitos, algumas palavras vão se adequando às crenças, de maneira tal a podermos usar como justificativa à nossa própria crença já estabelecida.


O termo Espírito no grego antigo era apenas um vento (pneuma), um fenômeno bem conhecido e explicado racionalmente. O viés religioso se apodera do termo e apresenta uma nova roupagem, que logo se torna uma crença.


Platão surge com uma explicação e começa então uma divisão que se propaga; Descartes, Tomás de Aquino, Santo Agostinho e outros fundamentam a base da crença propagadora do dualismo. No decorrer do tempo surgem variedades e diversas explicações que apenas tornam a crença ainda mais forte.


O monista crer em apenas um corpo que produz pensamentos, ideias, sentimentos e emoções. O dualista adiciona alma e espírito ao corpo como substâncias extracorpóreas. 


O homem tem aversão à dúvida e à incerteza. Tudo precisa de uma explicação racional. Espaços vazios precisam ser preenchidos nem que sejam com uma crença, superstição, um conceito. Muitos na verdade são levados a crer, não pela razão, por alguma demonstração, prova, apenas pelo agrado daquilo que satisfaz e preenche uma incômoda lacuna. 


E você, crer na corrente dualista ou monista?


*Waldez Pantoja*

UM CAMINHO INDESEJÁVEL

 



Política e Religião — Pode até se considerar que são duas vertentes bem distintas, mas ambas estão intimamente ligadas de alguma forma pela crença. A partir daí, os conflitos podem se estabelecer com muita facilidade. A religião em si, já tem seus fundamentos na crença. 


Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna- se um conhecimento. [...] Uma crença é um ato de fé de origem inconsciente, que nos força a admitir em bloco uma ideia, uma opinião, uma explicação, uma doutrina. A razão é alheia à sua formação. Quando se tenta justificar a crença, esta já se acha formada. (Gustave Le Bon).


Ninguém acorda um dia e diz: sabe, a partir de hoje vou crer nisso ou naquilo. Não! A crença apenas surge de regiões inconscientes, ela brota, explode com tanta força, que nos sentimos impelidos a encontrar fundamentos que possam justificar aquilo que já cremos, mesmo sem um viés racional. Outras vezes o processo é lento e moroso. 


As razões da crença, os motivos surgem depois de crermos. Uma construção munida de diversos parâmetros e vieses.


Ninguém escapa. A própria opinião já pode trazer em si algum fundamento com base em uma crença. Há sempre algo em que se crer sem que isso exija de nós algum fundamento racional. Talvez apenas a lógica emocional, afetiva, que surge de regiões ocultas advindas da própria mente.


Agora sim, de posse da crença, os conflitos já podem ser iniciados. Pois essa é sagrada, separada, intocável. Desafiar a crença do outro é pisar em um terreno com brasas vivas.


Uma vez comprometidos com uma crença, apresentamos e sustentamos diversos argumentos em defesa dela. Sentimentos e emoções intensas se manifestam durante o embate. Ocasionalmente os limites podem ser o da ignorância, a força bruta, desrespeito e baixa tolerância.


Crer é fácil; descrer é uma missão mais trabalhosa.


*Waldez Pantoja*

domingo, 27 de novembro de 2022

O DISTANCIAMENTO DAS BOAS PRÁTICAS

 



Às vezes o problema não está nas coisas que não entendemos, mas sim naquilo que compreendemos e insistimos em não colocar em prática. Coisas que deixamos esquecidas, mesmo sabendo da necessidade e importância do seu uso. Ficando tudo apenas no mundo das boas ideias, nos adiamentos frequentes. 

Todo e qualquer aprendizado, conhecimento sem uso, não passa de acúmulo de informação inútil. Tal qual uma enciclopédia fechada, encerrada em si mesma. Temos muito a aprender, mas também a ensinar. Sempre haverá alguém que desconhece algo que sabemos e podemos compartilhar. 

"Estou feliz em aprender para que eu possa ensinar. Nada me agradará, não importa o quão excelente ou benéfico, se eu dever manter tal conhecimento exclusivo para mim. [...] Nenhuma coisa boa é agradável de possuir, sem amigos para compartilhá-la." (Sêneca).

Não irei combater nenhum mal. Apenas me esforçarei para produzir um alto volume de boas práticas pautadas no bem. Gosto dessa ideia. Sem distanciamento da ação, mas sim aproximação da prática que faz diferença.

Nos relacionamentos a crise pode se instalar diante da degradação dos fundamentos, da base, quase sempre pela falta de uso, prática dos bons hábitos, da ação que os mantêm firmes e 
Inabaláveis.

Nascemos com um roteiro disponível para uso: amar, aprender, ser grato, compreender que o outro também é parte de nós. Agindo assim, evitaremos o distanciamento das boas práticas e construiremos um mundo melhor.

Waldez Pantoja

sábado, 26 de novembro de 2022

APAIXONADO DE NOVO

 


De repente você acorda e se dá conta de que voltou a se apaixonar. Sim! É isso mesmo.

A paixão é um forte sentimento de atração. Sentimo-nos perdidamente atraídos pelo outro ou por algo. O que há de muito interessante na paixão é que todo e qualquer sentimento negativo termina sendo anulado por esse estado; e aí, somente os pontos positivos passam a fazer parte da nossa visão seletiva. Por isso, nos sentimos em estado de graça. 

"Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas" (Sêneca)

Nosso estado emocional afeta nossa visão do mundo; afeta como vemos o outro; afeta inclusive como nos vemos.

O apaixonado vê tudo através de belas lentes coloridas. Ah, mas que maravilha deve ser quando nos apaixonamos pela vida. A vida como um todo, não apenas partes dela. Diante da paixão não há partes isoladas, apenas a totalidade a nos maravilhar.

O amante não se apaixona pelas pernas da amante, nem pelas mãos; nada é deixado para trás, nada escapa a esse sentimento de entorpecimento. Inebriado, brilham as luzes por todos os lados.

Muito do que foi feito pode ser desfeito. E o que foi desfeito poderá ser refeito. Por que não nos apaixonamos de novo pela vida? Sim! Apaixonado de novo pela vida. 


Waldez Pantoja

A FORÇA DO CONTÁGIO

 


Talvez o termo contágio seja mais percebido na área médica. Está relacionado a propagação de doenças, vírus, bactérias, e outros. Mas não é apenas na medicina que o fenômeno ocorre.

Disseminação, propagação, transmissão, são algumas expressões usadas para definir o termo. Essa amplitude permite que o conceito seja aplicado em outras áreas e não somente na medicina.

A moda, a cultura, as crenças, a política, os esportes, os boatos; são algumas áreas altamente dependentes do contágio para que possam se propagar. Quase nada escapa. E o fenômeno é sempre interessante. Se algo alcança uma única pessoa, é fácil alcançar muitos, uma multidão. E é aí que a coisa pode ficar séria.

Nenhum de nós está imune ao contágio. Sem nos darmos conta, de repente, começamos a defender ideias estranhas; começamos a cantar algumas músicas que grudam; começamos a imitar certos hábitos e comportamentos, propagar o que ouvimos falar, — tudo incorporado através do contágio. Conceitos e preconceitos não escapam ao fenômeno. Quase sempre inconscientes.

O influenciador —  De repente, alguém grita no meio da multidão: "Barrabás! Soltem Barrabás". Sem nenhuma reflexão, sem provas, sem fazer uso da razão, o grupo, a multidão é tomada por uma forte emoção social e passa a ecoar o grito inicial. Assim começam os grandes tumultos violentos. O cérebro social em ação. 

As emoções são altamente contagiantes. Ansiedade e medo não escapam. Como acontece em grupos sociais, há um pequeno número de indivíduos que orientam e influenciam os demais.

Somente não fazendo contato com o outro é possível escapar do contágio, ou evitar a situação. Missão quase impossível nos dias atuais. No entanto, é possível filtrar, fazer uma escolha e decidir o que fica e o que deixa de fazer parte da nossa vida. O remédio quase sempre está na autoconsciência, na auto-observação, no autoconhecimento,  dentro de nós mesmos.


Waldez Pantoja

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

UM CAMINHO, UMA PROPOSTA

 


Aquele que não está bem consigo mesmo em tudo vê conflito. Busca soluções difíceis em terras distantes fora de si, — enquanto ele mesmo é parte da resolução, mas não se atém a isso.

A vida segue nos entregando uma enorme quantidade de propostas. Algumas devemos aceitar, mas muitas precisamos rejeitar e apenas aprender com elas. Onde há aprendizado, ali há ganho.

Eduque-se! — Antes de qualquer ciência vem a educação, o respeito mútuo, o respeito à propriedade alheia. E propriedade nesse contexto, não trata apenas do bem material, há muito mais envolvido. — a opinião; o juízo do outro pertence ao outro. Nenhuma lei posterior a esses pilares será capaz de moldar um povo, um grupo moralmente corrompido. 

Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por nenhum dos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio. (As Escrituras de Nitiren Daishonin). 

Não se deixar dominar por coisas, eventos que nos tiram do caminho da excelência. A excelência é apresentar, entregar o melhor de si. Nada de querer se mostrar melhor do que os outros. A medida é a própria pessoa.

Nenhum rio corre em direção à nascente. Isso nunca se viu. Ética, moral, valores estão na nascente desse rio chamado sociedade. Se a nascente for contaminada, todo rio será também contaminado.

Onde nasce o mal, lá também reside a cura. Dentro de nós mesmos, na nascente.


Waldez Pantoja


terça-feira, 22 de novembro de 2022

QUE EMBATE É ESSE?

 


Antes de se envolver em um embate, pense e decida se você quer ter paz ou razão. Se quer ter paz, não entre jamais. Se quiser ter razão, mantenha-se longe, caso contrário, ela será perdida em meio às falas, aos ataques e as provocações. O domínio próprio sem a razão se tornará manco, inócuo, sujeito aos sentimentos e as emoções afloradas. E aí, nem paz nem razão. Se não se importar nem com a sua paz nem com a razão, eis uma escolha. 

Não haverá embate entre emoção e razão. Porque a razão irá se retirar, se recolher até que os anônimo se recomponha. As emoções podem ser impetuosas e flagrantes. A razão necessita de tempo, reflexão, domínio, equilíbrio e aptidão.

A emoção é resposta, ebulição, um vulcão. A razão equilíbrio, domínio, compreensão. A emoção impulsiona, a razão equilibra, é conscientização da situação.

A exposição de ideias é saudável enquanto exposição; todos ganham,  todos aprendem, mas danosa quando se transforma em imposição. Aí a sujeição é toda da emoção. 

O debate saudável pode iluminar o caminho. O embate, a discussão e a imposição; turvam, embaçam, nublam e fogem à razão.

Aquele que não está bem consigo mesmo em tudo vê conflito. Busca soluções difíceis em terras distantes,  enquanto ele mesmo é parte da resolução, mas não se atém a isso.

Antes de qualquer ciência vem a educação, o respeito mútuo, o respeito à propriedade alheia. E propriedade nesse contexto, não trata apenas do bem material, há muito mais envolvido. Nenhuma lei posterior a esses pilares será capaz de moldar um povo, um grupo moralmente corrompido. 

Nenhum rio corre em direção à nascente. Isso nunca se viu. Ética, moral, valores estão na nascente desse rio chamado sociedade. Se a nascente for contaminada, todo rio será também contaminado.

A razão quase nunca é contagiante, ela é imparcial, representa equilíbrio. Cabe a emoção cumprir essa missão.

Onde nasce o mal, lá também reside a cura. Dentro de nós mesmos. 


Waldez Pantoja

domingo, 20 de novembro de 2022

UM CONTRATO COM A VIDA


Todos nós nascemos com um contrato assinado com a vida. Se formos mais incisivos, iremos reconhecer que esse contrato é estabelecido mesmo antes de nascermos. 


Há várias cláusulas nesse contrato. — A autopreservação nos é bem conhecida. Mesmo antes de termos uma consciência plenamente desenvolvida, é possível perceber essa cláusula em vigor. Até mesmo fetos respondem quando agredidos, efeito reflexo, ainda assim é uma resposta, mesmo que seja inconsciente. Ele tenta, busca proteger a própria vida. 


A criança responde usando diversos meios possíveis. Chora quando sente fome. Informa a mãe que sente uma dor usando diferentes formas de gritos e gemidos. Esquiva-se diante de um estímulo que represente algum desconforto ou ameaça. Esforçamos-nos para que a nossa própria vida seja preservada. A cláusula da autopreservação. — Ela é vitalícia.


Há casos excepcionais em que a cláusula da autopreservação é ignorada em favor da vida do outro. Mães que lutam bravamente com animais ferozes, ou mesmo com outros que ameacem a sobrevivência, a vida do filho. Há ainda homens que terminam perdendo a própria vida para salvar outras milhares delas. Tudo pela vida! 


Há uma outra cláusula que tem a ver com a autoaprendizagem. Chegamos ao mundo sabendo algumas coisas básicas. São conhecimentos que irão facilitar o início da vida. Já nascemos prontos, preparados para o aprendizado contínuo. É durante a infância que essa segunda cláusula é potencializada. Fará parte de nós por toda a vida. Aprender sempre.


Na vida nos arrependemos de muitas coisas; menos de termos aprendido algo que irá nos ajudar no nosso aperfeiçoamento por essa estrada. É nela que devemos caminhar durante toda a nossa jornada por aqui. Se há uma escolha sensata a se fazer na vida, essa escolha é a aprendizagem contínua. 


"Associe-se àqueles que farão de você alguém melhor. Acolha aqueles que você pode melhorar. O processo é mútuo; pois as pessoas aprendem enquanto ensinam" (Sêneca).


É o aprendizado que nos prepara para as contingências da vida. Se a lição for bem assimilada, viveremos em paz não apenas com os outros, mas com nós mesmos, resguardando assim o nosso bem-estar.


"Porque o espetáculo da vida é viver plenamente".


Waldez Pantoja

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

A EMBALAGEM OCULTA O CONTEÚDO




Responda rápido: O que vale mais, a embalagem ou o conteúdo?


Qualquer ser humano com as suas funções mentais preservadas, diria sem pestanejar, — "Claro! O conteúdo vale mais do que a embalagem". 


A ida ao supermercado pode ser uma viagem fantástica. Perdidos entre ofertas irresistíveis; cores, cheiros, sabores, a forma da embalagem, compramos. E assim, podemos gastar além do previsto. As influências são muitas. Os fatores que envolvem as compras parecem ser infinitos. Mas, será que tirando a embalagem, você saberia identificar o seu produto favorito? Pesquisas confirmam que não.


Ilusões! As ilusões são o engano dos sentidos. E, os especialistas sabem e exploram isso muito bem na hora de apresentar um produto que nos leva a escolher este e não aquele.


"Autoridades" no assunto muitas vezes se deixam enganar. Escolhem o que dizem ser o melhor vinho com base em fundamentos nada racionais. Há sempre um inconsciente trabalhando e arbitrariamente direcionando nossas escolhas. Duas garrafas com o mesmo conteúdo nos levam a crer que um determinado vinho é melhor do que o outro. Bastando apenas alterar a embalagem. Ilusão, o engano dos sentidos.


Vermelho ou azul? Mais pesado ou mais leve? Depende! A gema do ovo deve ser amarelinha. — Embora a cor possa ser manipulada. Artigos mais pesados passam a sensação de mais duráveis. — Adiciona-se peso. E assim, vamos nos enganando e passamos a defender uma determinada marca muito mais pela aparência do que pelo conteúdo. Uma vez encantados e ludibriados pela embalagem, atribuímos valor ao produto.


Tudo isso para chamar a atenção para as nossas relações interpessoais. Também nisso, a embalagem diz muito a respeito das nossas escolhas. 5 segundos bastam para tomarmos uma decisão com base única e exclusivamente na aparência. — embalagem.  "Meu santo não bateu com o dele". Pronto! Lá se foi uma grande oportunidade. Ou ainda — "Gostei de cara". E aí, tempos depois a decepção, a frustração. Compramos com base na ilusão da embalagem e o produto se tornou apenas um detalhe.


Ladrões e escroques também usam lindas embalagens. Tarde demais, a escolha trouxe prejuízo.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências 

 

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

OPINIÕES, O BICHO-PAPÃO.

 

No mundo dos humanos, toda construção nasce primeiro na mente, no mundo das ideias. Depois é que se torna visível a superficialidade dos olhos da humanidade. Entre a ideia e a ação, pode haver certos empecilhos, e ocasionalmente isso tem a ver com opiniões débeis e vagas daqueles muito próximos.

Certas opiniões funcionam como bicho-papão. Servem apenas para nos amedrontar, nos tirar do caminho, mudar nosso foco, causar dúvidas. Assim pensava Sócrates. Embora ideias sejam um precursor, nada se constrói com ideias. Apenas a ação tem esse poder.

Quando perdemos o foco do momento presente e nos empenhamos nas ocorrências negativas futuras, o medo surge, não no futuro, mas aqui, no agora, é onde os efeitos se manifestam, se tornam presentes e reais.

"Temos muito mais respeito pelo que nossos vizinhos pensarão de nós do que pelo que pensaremos de nós mesmos. [...] Muitas vezes me perguntei como é que todo homem ama mais a si do que a todos os outros, mas dá menos valor à sua opinião sobre si mesmo do que às dos outros" (Epiteto).

Não importa de onde vem a opinião, chegando ela à nossa mente, deverá estar totalmente sob nosso controle. Nós é que devemos filtrar essa enxurrada de julgamentos que se apresentam como se fossem leis que traçam nosso destino.

Vivendo a vida ansiosamente, nos esquecemos que o momento presente é o único que realmente vale a pena. Teimosamente nos dividimos entre lembrança daquilo que passou e ansiedade pelo que ainda nem chegou. Opiniões, o bicho-papão. É quando ocorre a omissão e até ausência da vida em andamento hoje. 

As realizações e as mudanças só podem acontecer no agora, nunca em outro momento. Esquecemos disso dedicando muito tempo às opiniões, ao bicho-papão que sempre nos espreita.

Tudo o que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo o que vemos é uma perspectiva, não a verdade. (Marco Aurélio).

"Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude".


Waldez Pantoja

QUE CULPA TEM O MARTELO?

 


Diante da posse de um martelo e um objeto a ser martelado, errei o alvo, e o dedo sofreu as consequências. Pobre dedo! Que mal fez para merecer tamanha injustiça?

Assim comecei o dia. O propósito era apenas fazer um pequeno conserto. Por pura falta de habilidade restou-me a terrível dor aguda. 

Enquanto isso, Alexa sem se importar com a minha dor, tocava Vivaldi. Foi a mais bela martelada no dedo até o momento, isso ao belo som de uma música clássica.

O primeiro impulso, a primeira reação é buscar um culpado, e neste caso especifico, o martelo seria o candidato. Ele merecia ser xingado, arremessado contra uma parede. Mas que culpa tem o martelo?

Ferramentas exigem habilidade. Elas são poderosas, embora não tenham vida própria. Somos nós mesmos que direcionamos, que fazemos bom ou mau uso delas.

Nossos pensamentos, nossas opiniões, nossas certezas, nossos julgamentos impiedosos, nossos conceitos, nossos valores, tudo pode funcionar como ferramentas. Sem habilidade no uso diário, pode não haver conserto algum, apenas o dano e a dor excruciante. Se a nossa falta de habilidade atingir o outro, a coisa pode ficar mais séria ainda.

Resta-nos assumir a responsabilidade e aprender. Após o dano, a ferida ainda dói, mas cessará se tratada.

Que vida cheia de eventos notórios. Às vezes agimos como martelo. Outras, nos tornamos prego, quem sabe madeira inerte. Felizmente temos escolha, e podemos nos transformar em habilidosos carpinteiros. 

Dito isso, jamais iremos culpar o martelo, apenas assumir a nossa falta de atenção e aptidão para bem manusear as ferramentas, que na verdade são indiferentes ao uso que delas fazemos.

Tudo acabou em risos, mas a dor continua como lembrança. Já não incomoda tanto, vai passar.

"Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude."


Waldez Pantoja

domingo, 13 de novembro de 2022

AS PROVOCAÇÕES E O PROVOCADO


Se não nos empenhamos em revermos algumas posições sobre determinados assunto diários, viveremos uma vida desgovernada e conturbada. 


O que pensamos ser o erro do mundo, na verdade são as nossas dores, todas manifestas em nós mesmos. Usando eventos externos como pretexto por não suportamos certas ocorrências, aquelas que provocam danos terríveis em nós, escolhendo nos expor aos eventos sobre os quais não temos controle algum. Em seguida, buscamos culpados.


"Quando você estiver realizando alguma ação, lembre-se da natureza da ação. Se pretende ir a um balneário, pense nas coisas que costumam acontecer nesse local: algumas pessoas jogam água, algumas se empurram e formam-se grupos, outras se xingam e outras roubam" (Epicteto).


Não está sob meu domínio. Não consigo controlar o que não me pertence. Por que então tanta energia gasta em coisas extrínsecas, já que não iremos mudá-las? "A chuva repentina me impediu de chegar à tempo". "O engano do outro causou isso ou aquilo". "Os hábitos dele me incomodam". Toda e qualquer solução, está dentro de nós, e não naquilo que insistimos em não compreender.


Efêmero é, tanto aquele que lembra quanto o que é lembrado. Se não fomentarmos, morre. Morre o que é bom, mas também o que é ruim.


A provocação pode vir do outro, mas o efeito, a resposta, somos nós que controlamos. Se aceitarmos, o efeito é certo. Se ignorarmos, passa. – Ah, não! Não posso aceitar isso, preciso revidar. Então o efeito do veneno agirá e não se pode culpar o veneno, porque a essência do veneno é envenenar.


Pueril é o argumento que tenta demonstrar controle sob todas as coisas externas dizendo: — não, eu não me deixo influenciar. As influências sofridas nem sempre são conscientes, principalmente as negativas. Tomemos cuidado com a exposição.


"Porque o espetáculo da vida é viver plenamente".


*Waldez Pantoja*

SOCIABILIDADE E DEPENDÊNCIA

 


A sociabilidade e a dependência uns dos outros são marcas da espécie humana. Embora não únicas. 

Seres humanos levam muito tempo até se tornarem "independentes". Chegamos até aqui, incluindo todos os avanços conquistados, graças à sociabilidade. O compartilhar da informação é sempre útil, e isso ocorre através do convívio social.

Pessoas solitárias, não sociáveis, têm mais problemas de saúde, consequentemente vivem menos. Compartilhar experiências favorece a todos. 

Embora na fase adulta tenhamos o hábito de falar em independência, de certa forma, somos todos dependentes uns dos outros. Tanto a saúde física quanto a mental, passa também pelas relações sociais saudáveis.

A sociabilidade também se aprende, se treina, é possível exercitar. 

Para quem está disposto a aprender, até as formigas têm algo para ensinar. Em tudo há aprendizado. Às vezes a tolerância é um ótimo exercício. Aí é que o sábio se diferencia do dito inteligente. Aliás, inteligência em uma área, e completamente desprovido dela em outra.

Seres humanos, por uma questão evolutiva e de sabedoria natural, vivem melhor quando entendem que a ajuda mútua é benéfica para todos. Quem se isola tem mais a perder do que a ganhar.

Deve-se estar atento para não tornar a dependência benéfica, onde um ajuda o outro, em dependência patológica. A idade de um adulto, mas a vida emocional é de uma criança birrenta cheia de necessidades não atendidas. Ou sempre dependente da opinião dos outros.

"Porque o espetáculo da vida é viver plenamente".


Waldez Pantoja

sábado, 12 de novembro de 2022

ALIMENTE UMA QUE A OUTRA ADORMECE

 



As emoções nos mantêm vivos, alertas, presentes, em estado de prontidão. Mas há limites a serem observados.

A manifestação do ódio é veloz e voraz. O ódio atropela, pisoteia, machuca, enlouquece, cega; não representa ganho algum, principalmente quando contumaz, porque a capacidade de discernimento está emperrada, as funções executivas isoladas, desligadas, o juízo se torna ineficaz. 

Muitas vezes a intensidade do ódio supera a do amor. O ódio representa perda; o amor, ganhos. Ainda assim, eventualmente escolhemos perder.

Lenta é a manifestação do amor. Embora represente ganhos sempre, surge de modo tímido, até se oculta acanhadamente. Muitos sequer tomam conhecimento da sua presença. Mas pode estar ali, presente.

Sêneca dizia que a razão julga de acordo com o certo. A raiva, o ódio vai fazer com que tudo pareça certo, o que quer que se faça. 

Dominados pelo ódio, toda a nossa capacidade de domínio se dissipa, nossa inteligência se reduz a pó, a estupidez comanda e dirige o raivoso.

Não! Não é uma luta entre dois oponentes, amor e ódio. Trata-se apenas de nutrição mesmo. A qualidade do alimento sempre irá fortalecer uma enfraquecer a outra. Ambas necessitam de nutrição diária. Escolhendo nutrir uma, a outra irá adormecer. Embora permaneça viva.

Amor e ódio são emoções adaptativas, têm uma função, mas precisam de estímulos e alimento para que possam se manifestar.

Qual irá adormecer hoje?


Waldez Pantoja

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

AS DORES DAS FUTILIDADES

 


Reclama-se de quase tudo. Temos visto que poucas coisas merecem atenção não envolta em reclamação. Assim, vivemos em meio a uma multidão que cada vez mais se especializa em reclamar, sem que consiga pensar em uma ação que possa resolver aquilo sobre o que se reclama.

"É assim, meu caro Lucílio; existem alguns homens que a escravidão mantém presos, mas há muitos mais que se apegam à escravidão" (Sêneca).

São coisas tão pequenas, sem valor real, cheias de insignificância, as quais nos apegamos com tanta força, que sequer percebemos as pesadas correntes que nos prendem a elas. Futilidades que nos causam dor, nos adoece, nos transformam naquilo que sempre condenamos. A escravidão.

Não é o que forjou as correntes, mas aqueles que por elas são contidos. São esses que sentem o efeito e o peso das amarras.

Onde há apego e dependência, ali parece haver escravidão das futilidades. Ninharias pelas quais não vale a pena tamanho esforço; a opinião dos outros, o incômodo com coisas que não podemos mudar. Lamentações intermináveis, queixas que não trazem consigo uma solução nem propostas de melhorias. Futilidades. 

"Tudo o que ouvimos é uma opinião, não um fato. Tudo o que vemos é uma perspectiva, não a verdade” (Marco Aurélio).

A música que embala o outro, essa nos tira o sono. Não é a música, também é a nossa resposta ao estímulo.

Fútil não são as coisas em si, pois elas são indiferentes. Futil é o nosso apego e a nossa dependência daquilo que não nos agrega valor genuíno. Ou ainda, fútil é o nosso desprezo àquilo que pode nos direcionar rumo ao aperfeiçoamento, e ainda assim, desprezamos.

O que nos causa dor e sofrimento pode ser a alegria do outro. É o nosso juízo, a nossa opinião nos tirando a paz que tanto buscamos no mundo lá fora, enquanto ela repousa tranquilamente e calma, ali, dentro de cada um de nós, apenas esperando uma oportunidade para se revelar.

"Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude".


Waldez Pantoja

UMA GUERRA QUE NÃO É NOSSA

 


Temos sido moldados e lavados a pensar a vida como uma guerra, uma luta constante, uma batalha incessante. Não há nada de prazeroso em uma guerra. Não há pódio, não há vencedores. 

Encarar a vida como um grande aprendizado e oportunidades de desenvolvimento, torna as coisas muito mais fáceis e mais leves. Temos incontáveis motivos para extrairmos o melhor que a vida tem a nos oferecer, e não são poucas essas coisas. Grandes maravilhas estão à nossa disposição, e quase sempre o investimento é apenas um propósito bem fundamentado. 

Tornamo-nos ávidos por coisas que na verdade nos tiram o sono, quando deveríamos priorizar aquilo que nos tranquiliza e nos harmoniza com a nossa própria essência. Seres em estado de aperfeiçoamento. 

Algumas vezes precisamos suportar. Outras, apenas nos abstermos, nos protegermos, manter distância. O sol aquece, mas também queima. Discernimento, equilíbrio e respeito; essas coisas nos trazem benefícios maiores do que guerras e lutas travadas dentro de nós mesmos. É onde elas são iniciadas. 

Gratidão por estarmos aqui cheios de vitalidade, cheios de força para continuarmos fazendo uso das grandes maravilhas inatas, prontas para uso e desenvolvimento. A fé, a vontade, nobres desejos, a possibilidade de fazermos escolhas, a inspiração, essa garra que nos faz acordar todos os dias e nos torna conscientes de que há uma vida a ser vivida em sua plenitude. Nada fica para trás, a não ser aquilo que não contribui para o nosso aperfeiçoamento.

Todos nós podemos ser invencíveis, imbatíveis, se esquecermos essa guerra que não nos pertence e focarmos no aprendizado que a vida nos oportuna todos os dias.

"Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude".


Waldez Pantoja

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

AS SANGUESSUGAS EMOCIONAIS ESTÃO ENTRE NÓS

 


Há certos ambientes que podem não apenas agravar a nossa própria doença, mas também gerar enfermidades em pessoas sadias.

Cuidar e proteger as nossas emoções é uma escolha para a vida toda. Não podemos relaxar acreditando que não somos afetados pelos nossos relacionamentos. Essa é uma via de mão dupla. Afetamos e por isso somos afetados.

Basta um único encontro com uma sanguessuga emocional, e, se não estivermos preparados, protegidos, nosso dia será arrasado. Literalmente a sanguessuga emocional suga toda nossa força. A pessoa fala sobre a desgraça dela, das doenças da família, fala da peste, fala mal dos outros, traz sempre as piores notícias da semana. Um intensivo relatório ambulante de mau presságio agindo sobre nós. Um hábito crônico que mata lentamente. Quando ela se vai, deixa uma enorme porção de veneno. Se tomarmos, morremos. 

"Eu ouvi dizer". "Eu ouvi falar". "Me contaram". "Já está sabendo?" "Sabe da última?" — Assim pode começar um dia de angústia e ansiedade, quando nosso tempo é dedicado a esses seres que sugam até a última gota de esperança que tínhamos para enfrentar o dia.

As boas amizades são diferentes das sanguessugas emocionais. Quando necessita, a pessoa corre até nós, pede socorro, pois ela sabe que encontra em nós uma fortaleza na qual encontra abrigo e força para continuar. Ocorre assim uma troca positiva, ajuda mútua, — pois quando ajudamos, também somos beneficiados.

Dois grandes pensadores, Aristóteles e Sêneca, acreditavam que nenhuma vida humana pode ser totalmente satisfatória no isolamento, sem o vínculo de amizades verdadeiras. No entanto, precisamos reavaliar aquela amizade da sanguessuga emocional.

O que fazer? Se tem forças para ajudar, ajude. Mas trate de proteger suas emoções. Às vezes, a única saída é nos livrarmos da relação tóxica, seja através da mudança de comportamento, mudando nosso juízo sobre o que nos afeta, ou mesmo através do distanciamento daquilo que ameaça o nosso bem-estar.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

terça-feira, 8 de novembro de 2022

QUANTO VALE A AUTOAVALIAÇÃO?

 


Um propósito bem elaborado vale a pena seguí-lo. 

O início do dia pode ser um bom momento para alguma reflexão de como iremos nos portar diante dos desafios propostos. E nunca são poucos, a não ser que realmente não haja nada que valha a pena o nosso esforço. Apenas o vazio.

Um bom dia poderia começar sempre com boas lembranças, boas ideias, um norte a ser seguido. O banho pode ser diferente, cheio de reflexão. O café da manhã saboreado como nunca o fizemos. Cada item sendo valorizado ao máximo no exato momento em que acontece. Até porque, não temos nenhuma certeza da manhã seguinte.

As evidências para análise sempre são abundantes. Há muitas oportunidades para podermos tornar a vida mais leve e mais harmoniosa. São Infinitas possibilidades. Deixando de lado a superficialidade, podemos nos aprofundar no valor atribuído a coisas que pouco ou nenhum valor real tem, e assim, direcionar o foco para as mais consistentes. 

Na verdade, não seria possível atribuir um valor real, exato, bastaria apenas entender que sempre vale a pena reconhecer cada dia vivido, e por si só tem valor inestimável, imensurável. Uma oportunidade que nos foi dada, e de bom grado devemos nos encher de gratidão por podermos contar com todos os sentidos para extrair o melhor que a vida tem a oferecer. Isso é privilégio sem medida.

Ao fim do dia, antes de dormir, a conclusão da análise deveria ser de que aproveitamos os momentos, cada minuto, cada segundo, sem nos tornarmos tão ansiosos com o incerto amanhã. Reconhecer que o nosso melhor foi dedicado não somente a nós mesmos, mas também a uma geração futura que irá contar com as nossas escolhas feitas hoje.

A autoavaliação deveria nos ajudar a reconhecermos que nos tornamos mais livres hoje do que éramos ontem. Agora podemos deixar ir o que não é de nossa propriedade. Reconhecer o que realmente é nosso. Se podemos perder, isso não nos pertence, apenas está sob nossa tutela, e, em algum momento será exigido a devolução, que de bom grado atenderemos. Livres, finalmente livres.

Em última instância, a autoavaliação deveria nos direcionar, buscando não nos sujeitarmos as falsas opiniões, falsas crenças e imposições que sequer nos pertencem. Não são nossas, apenas estão de passagem.

Qual a sua autoavaliação do dia hoje?

Waldez Pantoja

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

FERIDAS QUE NÃO SARAM

 

O nosso corpo tem um mecanismo fantástico, o poder da autocura. Quando adoecemos ou lesionamos uma parte do corpo, pode ocorrer de mesmo sem nenhum medicamento, nenhum fármaco exógeno ao corpo, nos curarmos. O remédio é providenciado pelo próprio corpo. Ele mesmo produz as substâncias capazes de nos curar.

Considera-se remédio tudo aquilo que sara, que cura. O medicamento tem a mesma função, mas é manipulado em uma farmácia em ambiente controlado.

Um abraço, um sorriso, um ombro amigo, um palavra de apoio, uma boa noite de sono, descanso, uma prece, tudo pode funcionar como remédio e nos ajuda a equilibrar o corpo promovendo assim a cura. Por outro lado, a permanência em ambientes tóxicos, envolvimento com pessoas tóxicas, terminam expondo a ulceração, e isso dificultará e até impossibilita a cura.

Para a chaga sarar é preciso cuidado com ela. Se todas as vezes próximo a cura ela for lesionada, o processo será reiniciado. Ela sangra, inflama, incomoda, e retardando a cura. Essa exposição contínua ao dano, pode se tornar um processo crônico e o machucado jamais será aliviado.

A alma ferida responde com algumas evidências no próprio corpo. As respostas surgem em forma de anomalias que se tornam visíveis para que possamos tomar uma decisão e escolher o melhor tratamento, que irá aliviar, sanar a dor, e fechar por completo a ferida aberta.

"A dor ou é um mal para o corpo, caso em que deve ser mostrado, ou o é para a alma. Quanto à alma, porém, a ela é facultado preservar sua própria serenidade e calma e não conceber esse mal que é a dor" (Epicteto).

Uma máxima do estoicismo diz que, "Dor é inevitável, sofrimento é escolha." Sempre que voltamos a nos expor a ambientes que reabrem a mesma ferida de sempre, relacionamentos abusivos, aí já não é mais a dor por si, mas sim o sofrimento crônico advindos de nossos atos volitivos.


Waldez Pantoja

sábado, 5 de novembro de 2022

PARECE PERSISTÊNCIA, MAS NÃO É

 

O que é persistência?

Diante de um projeto qualquer, muitos acreditam que a persistência é o que os levará ao sucesso, a alcançar seu grande objetivo. Certamente não estão enganadas se realmente souberem o real significado e a aplicação do termo na vida prática.

Ser persistente não é apenas continuar tentando e tentando. Existe uma linha muito tênue entre persistência e teimosia. Às vezes pensamos que estamos sendo persistentes, quando na verdade não passa de teimosia pura. 

O persistente avança, progride, conquista novos terrenos. O teimoso empaca acreditando na determinação pura. Mesmo percebendo que não há nenhum ganho de terreno, continua fazendo tudo igual.

O persistente entende que pensar, refletir, ponderar, analisar, executar abre novas portas, novos caminhos são criados rumo ao alvo. As experiências alheias também servem como aprendizado.

Aqueles que trilharam o mesmo caminho antes de nós, deixaram ensinamentos, até pavimentaram a nossa estrada. Não há conclusão, finalização, o caminho não se esgota, nem as infinitas possibilidades do conhecimento humano.

Persistência é evolução. Teimosia é regressão. Isso porque se perde tempo e energia sem avançar.

“Depois de um naufrágio, os marinheiros retornam ao mar... Se fôssemos obrigados a desistir de tudo que causa problemas, a própria vida deixaria de seguir em frente" (Sêneca).

Para o teimoso, limitação. Para o persistente, inovação e progressão, avanço diante da determinação.

Waldez Pantoja

Ei! Quem está aí, é você mesmo?

 


Grupos sociais são importantes, mas para fazer parte do grupo, geralmente há que se comportar como grupo. Uno. Aí mora o perigo, porque muitas vezes ocorre o que Michael Gazzaniga chama de desindividualização. Quando o sujeito perde a individualidade.

Adquirimos hábitos daqueles que nos rodeiam, e, assim como algumas doenças se propagam pelo contato físico, a mente também transmite seus males aos que estão próximos. [...] Não deixe seus pensamentos ou sua autonomia mental serem influenciados pelo poder hipnótico da mentalidade de grupo. (Sêneca).

O grupo influencia o comportamento. Pensamentos, emoções, a própria ação é fortemente influenciada pelo grupo. Aquilo que a pessoa não faria estando sozinha, com a força do grupo fica muito mais fácil.

A autoconsciência muitas vezes é abalada quando na presença do grupo. O cérebro individual se torna social. Nesse sentido, as restrições desaparecem e o senso crítico é abalado. 

Gazzaniga (2018) afirma que a maioria das pessoas é facilmente influenciada pelas outras. O desejo de se enquadrar no grupo e evitar ser excluído, faz com que elas se envolvam com determinados comportamentos, que condenariam em circunstâncias fora do grupo.

Vale favorecer os membros do grupo em detrimento dos que estão de fora, que não pensam igual. Mesmo havendo alguma dissonância moral. O apedrejamento se torna muito mais fácil.

Seres humanos são facilmente moldáveis. De acordo com o grupo uma persona (máscara). Uma para o trabalho; outra na Igreja; uma outra na faculdade; outra diante de uma autoridade; e uma diante de si mesmo, onde nada pode ser ocultado, mas pode ser negado.

Há grupos tóxicos. Esses, devem ser evitados a todo custo. E, uma vez fechado com um grupo, aí já não sou eu, mas as ideias do grupo que agora habitam em mim. Por isso, a máxima na parede do templo de Apolo continua atual: "conhece a ti mesmo".


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

O QUE TEMES TU?

Lá pelas bandas do oriente em alguma montanha fria, inicia-se um diálogo. 

— O que mais temes tu?

— O despreparo.

— O que não temes jamais?

— A morte.

— E por que temes o despreparo e a morte não?

— Porque a morte está fora do meu controle. Ela é certa e nada posso fazer a seu respeito. Depende apenas da vontade dela levar-me ou não. Ela é perfeita e eficaz no seu propósito, eu imperfeito. Já o despreparo, esse está sob meu controle. É minha responsabilidade buscar preparação para enfrentar os desafios da vida. 

"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas" (Sun Tzu). O despreparo pode nos levar a lugares indesejados.

Talvez estejamos muito mais preparados para a morte e despreparados para a vida. Reclamamos, lastimamos, nos tornamos ingratos, sentimos inveja, cuimes, odiamos pessoas, muitas vezes nos comportamos com arrogância, nos transformamos em hipócritas e presunçosos. 

Essas são demonstrações do nosso despreparo diante da vida. Mas tudo isso deve ser alvo de uma busca constante, evitando assim, vivermos despreparadamente indo para onde o vento soprar.

Diante do despreparo, o sofrimento comum. Alguns sofrem por querer mais. Outros, por medo de perder o que pensam possuir. E ainda sofrem os que acreditam nada ter, enquanto têm uma vida inteira para viver.

O aperfeiçoamento é esse estado contínuo da preparação. É busca. É o caminho e não o destino.

Waldez Pantoja

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

QUANDO ACORDEI…




Dádivas —, isso recebemos da vida. Todos os dias quando acordamos há inúmeras delas a nossa disposição. Algumas gostamos muito. Outras, nem tanto. Há sempre uma intencionalidade, um ensinamento, aprendizado, aprimoramento em curso. 

A vida se assemelha muito a uma estrada. Não é uma linha reta. Há curvas, altos e baixos, também precipícios que devemos evitá-los. Alguns peregrinos se retiram, mas a estrada permanece para que outros possam trilhar. A vida nem sempre nos dá tudo o que queremos, mas o suficiente sim.

"Debaixo do nosso poder estão o pensamento, o impulso, a vontade de adquirir e a vontade de evitar e, numa palavra, tudo que resulta das nossas ações" (Epicteto).

A natureza é forte, bela, exuberante. Tem o tempo a seu favor, e contra o tempo não há resistência. Com o tempo tudo pode ser conquistado, vencido, aprimorado, pena que ele não está muito a nosso favor. Nós é que precisamos tirar o melhor proveito em tempo hábil, antes que as cortinas se fechem. Para muitos o fim do show. Para outros muitos, é apenas o início. Há também a continuidade. Que espetáculo! 

De repente dormimos, e quando acordamos percebemos que parte do espetáculo foi perdido. Sequer temos lembrança alguma porque não vivenciamos aquilo que se foi. Sem lamentos, basta aproveitar o agora. Somos platéia, mas também elenco. Somos construtores de castelos, mas também moradores deles.

Repentinamente ouço um som. Não! Isso é música, aquele tipo que embala a alma e vale a pena escutar. Acordo às pressas, a tempo de poder desfrutar da última peça que o artista ainda executava. Aplausos, choros, risos, surpresas, de tudo há um pouco.

A todo instante podemos acordar para uma nova vida diante de nós. Todos os dias, a todo momento há um espetáculo em andamento. Enquanto o artista se apresenta, o que ele reproduz é nosso também.

"Porque o espetáculo da vida é viver".

Waldez Pantoja

POR QUE A GRAMA DO VIZINHO É MAIS VERDE?


O ditado popular sobre a grama do vizinho, que aliás é bastante conhecido, diz muito mais a nosso respeito do que sobre a grama do outro.


A grama mais verde do vizinho pode ser na verdade uma distorção da percepção, uma distorção da realidade, uma ilusão. Muitas vezes vemos coisas que não existem. Outras, não vemos as coisas que existem e que estão bem a nossa frente. Proximidade em demasia também pode embaçar a visão.


A ilusão é o engano dos sentidos, que troca a aparência real por uma falsa. Ou seja, é um fenômeno que se dá na nossa mente. (Cláudia Feitosa-Santana).


A nossa percepção necessita de todos os sentidos trabalhando em conjunto para uma acurácia da realidade. A visão trabalhando em conjunto com a audição, por exemplo.


A nossa grama está perto de nós, bem à nossa frente. Desta forma, perceber certos defeitos, as falhas da própria grama, fica muito mais fácil. A distância da grama do meu vizinho esconde imperfeições que não percebemos, algumas falhas se tornam bem camufladas, e assim, vemos perfeição onde ela não existe.


"Graças à atividade incansável do cérebro humano, nós não nos limitamos a aprimorar o que é imperfeito — também alteramos coisas que parecem perfeitas" (David Eagleman).


Enquanto percebemos a grama do outro, ele também percebe a nossa, e ambos acreditam na perfeição vista de longe. Sendo a grama a mesma, só pode ser um erro na detecção tanto da perfeição quanto das imperfeições.


Às vezes precisamos nos distanciar para podermos observar e melhor ver as coisas na sua totalidade. A fachada da própria casa não pode ser vista a partir do lado de dentro dela.


Waldez Pantoja