quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

A PROFUNDEZA QUE NÃO VEMOS


Não tenhamos a pueril ilusão, a imaturidade do tolo em desejar e acreditar, que as coisas sairão como queremos. Nada que está fora de nós está sob nosso controle.


Controlamos nossas ideias, pensamentos, crenças, nosso caráter, nosso juízo sobre as coisas, mas não os eventos aleatórios que dependem de fatores externos e não de nós mesmos. — pensamento estoico.


Nosso caráter depende de nós, a nossa reputação depende daquilo que pensam sobre nós, dos julgamentos. E quase sempre, a reputação é enganosa, porque ela é uma visão da capa e não do ela esconde.


Perder a esperança, jamais. Contanto que saibamos, que o triunfo depende de não depositar toda a esperança em eventualidades efêmeras, em pessoas que mudam de acordo com o vento que sopra. Pessoas que se vendem como mercadoria barata ao término da feira. 


Não conhecendo a profundeza, nos habituamos a julgar a partir da superfície, a ínfima parte que esconde a verdadeira essência das coisas. É de lá que brotam as mais impactantes mudanças de uma pessoa e a sociedade em que ela habita. A partir daquilo que não se vê.


Waldez Pantoja

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

O BAÚ DAS EMOÇÕES II

O termo emoção traz a seguinte ideia: mover, colocar em movimento, um conceito muito próximo da palavra motor, aquilo que faz com que algo se mova. Uma força geradora de uma ação em resposta a um determinado estímulo.


As emoções são necessárias, não são nem positivas nem negativas, apenas adaptativas. Nós é que tratamos de categorizá-las. Ou seja, tanto a raiva quanto a alegria, têm uma função. Quase sempre funcionam como um alerta.


Quando fora de controle, uma emoção pode se tornar uma verdadeira fonte de transtornos. Não devido a emoção em si, mas por causa da resposta acionada. Algumas respostas são rápidas e automáticas.


Nós temos a chave de dois velhos baús; os baús das emoções. Há sempre uma opção, e podemos decidir qual deles queremos abrir. Um irá  liberar boas recordações, o outro, algumas não tão agradáveis. Se não abrirmos com frequência, a fechadura fica emperrada.


De repente, uma lembrança, quem sabe alguma experiência desagradável, isso aciona a mesma emoção sentida em um tempo que não mais nos pertence, o passado.


Precisamos parar de vez em quando e fazer um balanço. Sentar e determinar em nosso íntimo o que tem realmente valor e o que não tem. (Sharon Lebell).


"É estupidez pedir aos deuses aquilo que se pode conseguir sozinho." (Epicteto). Agora é uma decisão: qual baú queremos abrir? 


Waldez Pantoja





domingo, 25 de dezembro de 2022

QUAIS SÃO AS PROMESSAS PARA O PRÓXIMO ANO?

 


Muitas das promessas diárias são apenas conversas sem nenhum comprometimento com a sua realização. Para o que servem, não se sabe bem ao certo, mas nos distraem.

Para muitos, haverá uma troca; a satisfação momentânea cederá lugar, e a promessa não se realizará mais uma vez. Não pela falta de oportunidade, mas pela ausência do comprometimento com a promessa.

O que é necessário para mudar uma pessoa é mudar sua consciência de si mesma. (Abraham Maslow). Essa mudança de consciência pode ser usada como uma ferramenta poderosa nas realizações.

Quer emagrecer, mas não consegue encarar uma guloseima sem que ela seja devorada imediatamente; quer passar em um concurso, mas não consegue dizer não aos diversos convites para a diversão com os amigos; quer aprender um novo idioma, mas racionaliza e logo diz que não nasceu para isso, ou está velho demais; promete ler 20 livros no ano, mas diz não ter tempo. A famosa  auto sabotagem em ação. Sequer nos damos conta da nossa falta de disciplina e comprometimento com a causa.

Promessas são ideias de esperança, mas é a ação munida da disciplina o que realmente nos move.

A satisfação momentânea e efêmera pode ser trocada por uma muito mais duradoura e com efeitos positivos em nossas vidas. O que acontece, é que não queremos esperar, temos medo de errar, não queremos nos preparar, não queremos "perder tempo", como se fôssemos senhores dele.

Forças que nos movem: foco, disciplina e ação podem nos levar longe, se não formos longe demais. "Que força é esta, eu não sei; tudo o que sei é que existe, e está disponível apenas quando alguém está num estado em que sabe exatamente o que quer e está totalmente determinado a não desistir até conseguir". (Alexander Graham Bell).

Qual a sua grande promessa para 2023?


Waldez Pantoja

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

PROTEGENDO AS PRÓPRIAS EMOÇÕES

 


As nossas emoções estão sempre de prontidão. Havendo um estímulo, elas se manifestam. Algumas nos trazem imensa satisfação, outras minam as nossas forças e nos colocam em situação crítica. Em vista disso, precisamos aprender a proteger nossas emoções. 

Segundo Robert Leahy, as  emoções evoluíram para nos alertar, nos proteger e nos conectar uns aos outros,  independente de como venhamos a classificá-las, positivas ou negativas. Na verdade, são apenas adaptativas. 

De repente, somos emocionalmente sequestrados. As coisas saem do controle e já não mais apresentamos nenhum raciocínio lógico, nos tornamos máquinas de respostas automáticas e desenfreadas. Agredidos, falamos o que não devíamos, tentamos nos proteger a qualquer custo. Alto custo mesmo, porque certas emoções em certa intensidade, podem inclusive afetar nossa saúde física e mental.

Se alguma coisa externa lhe causa angústia, não é a coisa em si que o perturba, mas seu julgamento a respeito. E isso você tem o poder de eliminar agora. (Marco Aurélio, Meditações).

O que fazer? O que quer que alguém diga a seu respeito, não dê ouvidos; não é da sua conta. (Epiteto). A resposta é trabalhar a autoconsciência, ajustar nosso padrão diante dos estímulos propostos que são diários  e contínuos. 


Waldez Pantoja

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

SEM COMPARAÇÕES, SOMOS ÚNICOS.

 

Comparações podem nos atrasar, nos levar a falhas terríveis, trazer aflições. A velocidade do coelho não incomoda a tartaruga, porque cada um vive segundo a sua própria natureza. No entanto, ambos avançam. 

Avançar sempre! Esse é um lema de alto valor para a vida. Não a velocidade, mas a continuidade.

Muitas vezes perdemos um tempo precioso quando nos concentramos nas comparações com os outros. Enquanto isso, deixamos de avançar e a vida passa, e nós, nos tornamos meros aflitos espectadores, atormentados pelo avanço dos mais velozes. 

A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm, ainda a possuem. (Tales de Mileto). 

Sem as comparações nada é grande nem pequeno; não há sábios nem estúpidos; não há perdedores. Nós nos tornamos sempre o número um quando olhamos para nós mesmos e reconhecemos nossos avanços diários.

Quem se apaixona por si mesmo não tem rivais. (Abraham Lincoln).

Aquele que conhece a si mesmo, se torna uma pessoa magnífica, que avança mesmo nos dias mais difíceis. Comprometidos conosco mesmos, somos um grande sucesso sempre.

Não nascemos grandes, e sim prontos para crescermos. Mas chega um momento em que começamos a acreditar nos limites, e então, perdemos a oportunidade de nos tornarmos grandes e valorosos.

Se há alguma comparação que realmente vale a pena, é quando percebemos que hoje somos melhores do que ontem. E amanhã seremos ainda melhores do que hoje.


Waldez Pantoja

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

QUEM OU O QUE NOS GOVERNA?

 


Mesmo antes de ler o texto a pergunta já deve ter sido respondida:  – "Ninguém me governa". Talvez não mesmo, embora, às vezes, nos coloquemos  sob certos governos alheios à nossa consciência.

Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento. (Abraham Lincoln). 

É preciso consentir, abrir mão da própria liberdade de agir e pensar por conta própria para deixar que o outro assuma o controle da nossa própria vida. E, inúmeras são essas influências nos dias atuais.

O escritor Alexandre Herculano, certa vez disse: "O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a refletir e a raciocinar". Essa é uma maneira fácil de ser governado pelo outro; quando assumimos como verdade aquilo que ouvimos falar sem o mínimo de reflexão sobre o assunto proposto. Porque a ideia assumida como verdade, pode se mostrar um grande equívoco.

Busca a verdade por ti mesmo para que não te tornes vítima da tagarelice alheia, nem presa fácil do manipulador. Sem nunca esquecer, que quem não considera ideias contrárias, termina escravo das próprias opiniões e de crenças fúteis e inúteis.

É de bom alvitre o equilíbrio, o ceticismo, a busca antes de se comprometer com qualquer ideia propagada como verdade.


Waldez Pantoja

FORA DE NÓS MESMOS. FORA DO NOSSO TEMPO

 


Nós, seres humanos, temos a incrível capacidade de vivermos fora do nosso tempo. Ou estamos visitando o passado ou passeando pelo futuro. Esquecemo-nos do momento presente, deixamos tudo funcionando em modo automático. Enquanto isso, a vida que acontece no agora, passa. 

O passado e o futuro parecem-nos sempre melhores; o presente, sempre pior. (William Shakespeare). Talvez seja por isso que insistimos tanto em passear por essas terras distantes. 

Enquanto tomamos o café da manhã em modo automático, sequer saboreamos o alimento, não desfrutamos, estamos ali fisicamente, mas a consciência, o pensamento voa para bem longe.

Santo Agostinho dizia que as pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, mas passam por si mesmas sem se admirarem.

Viver somente no modo automático, torna a vida entediante. Manter o foco naquilo que se faz, tem o sentido oposto. A valorização do momento presente nos torna mais conscientes, mais hábeis em nossas observações.

É preciso exercitar a consciência para assim poder gerar mais energia que irá nos capacitar para as novas tarefas. É assim que podemos escutar os sons e a música, a sinfonia, e não apenas ouvir os ruídos perturbadores do ambiente.


Waldez Pantoja

OS ESPECIALISTAS ESTÃO ENTRE NÓS

 

A dificuldade em calar-se diante de assuntos que não se domina é enorme. Como se fosse uma obrigação emitir uma opinião sobre tudo. Não poucas opiniões estão recheadas de grandes certezas.

Sempre desconfie da certeza que alguém diz ter. Porque provavelmente a busca pela verdade pode ter cessado, ou apenas se joga conversa fora mesmo.

"A dúvida não é uma condição agradável, mas a certeza é absurda". (Voltaire).

A certeza pode ser absurda por não contemplar todos os tempos, todas as experiências, toda perspectiva. Não se respeita a individualidade, ignora a realidade como construção, conclui-se juízos e opiniões com base apenas na superficialidade das coisas.

Se você está certo, certamente está errado, porque nada merece certeza. [...] Aquilo que os homens de fato querem não é o conhecimento, mas a certeza. (Bertrand Russell).

Os homens ridicularizam os homens buscando esconder suas próprias fraquezas. E a incerteza pode ser uma entre tantas fraquezas insuportáveis. Maior ainda é a incapacidade em dizer: sobre isso, nada sei.

A racionalidade requer que distingamos o que é verdadeiro do que queremos que seja verdadeiro. (Steven Pinker).

Assim, falham as previsões e muitas certezas se mostram incertas. Falham também os pseudo-especialistas.


Waldez Pantoja

Melhor a verdade ou a mentira?

 


Por mais desinformadas que sejam as pessoas, ainda assim, seriam rápidas em escolher a verdade.


Santo Agostinho dizia: "As pessoas costumam amar a verdade quando esta as conforta, porém, tendem a odiá-la quando as confronta".


A mentira é um vício apenas quando faz mal; quando faz bem é uma grande virtude. (Voltaire). E assim, muitos levam a vida acreditando na mentira como um bem, uma virtude, quando na na verdade pode ser apenas uma ilusão.


Muitas vezes, a mentira conforta porque a necessidade de crer é maior do que a vontade de buscar a verdade. Dito isso, muitos optam por crer e aceitar a mentira que agrada, descartando assim qualquer possibilidade de confronto com a verdade, que dói e pode machucar. 


Waldez Pantoja

QUEM NOS ENGANOU?

 

Ser enganado não é uma das melhores sensações. Com certeza quem passa por essa situação termina bastante abalado. Mas, será mesmo que as pessoas nos enganam?

Reconhecer nossos erros é doloroso, mas viver enganados é a causa do nosso sofrimento. [...] Faz parte da cura o desejo de ser curado. (Sêneca).

Insuportáveis são os males que causamos a nós mesmos. Por isso, os ocultamos, mas facilmente revelamos os males e os erros dos outros.

Afinal, estamos tentando nos proteger de quê ou de quem mesmo? Nós podemos ser a nossa maior ameaça. Nossos pensamentos, nossas crenças, nossas certezas, nossas ações, nossos juízos sobre as coisas nos conduzem ao erro. Erramos na avaliação e acabamos pagando uma alto preço emocional pelo erro cometido. E esse, nos custa caro se não se tornar parte do aperfeiçoamento pessoal.

A nossa ignorância nos conduz a caminhos desconhecidos, perigosos, que não deveríamos trilhar. 

Parte do sofrimento que entra em nossa vida, foi com a nossa permissão. Entregamos facilmente a chave da nossa intimidade, e quando nos damos conta, o outro já nos tem em suas mãos.

Afinal, quem nos enganou?


Waldez Pantoja

sábado, 17 de dezembro de 2022

VÍTIMAS DO PRÓPRIO VITIMISMO

 



Falar de vitimismo muitas vezes até parece aquela coisa de picuinha partidária, disputa entre lados e lados. Mas não é nada disso. 

O vitimismo é esse estado contínuo de cobrança e mal-estar, quase nunca percebido por aquele que cultiva o hábito. Uma sensação de abandono social perene. Estado de carência emocional. Pior ainda, o vitimista se alimenta disso, e se torna vítima do seu próprio hábito. Embora ele mesmo não se reconheça como tal, típico no distúrbio emocional. Um ciclo difícil de ser interrompido.

Ser vítima de uma determinada situação real, é uma coisa, viver em um eterno estado de vitimismo, é outra. 

O vitimista acredita que o mundo lhe deve algo, que as pessoas estão em débito com ele. Uma total falta de maturidade emocional que leva essas pessoas a acreditarem na eterna dívida do mundo para com elas. Um estado de terceirização da própria responsabilidade. Acreditam eles que os outros são responsáveis e culpados pelo infortúnio, quase sempre criado por eles mesmos. E assim, queixosos, seguem culpando tudo e todos.

Não podemos controlar o mar, mas podemos comandar nosso barco. (Sêneca). É essa a parte da história que o vitimista tem dificuldade para compreender. Se não é o mar, é o vento. Se não o vento, é a calmaria. Há sempre um culpado.

A única forma de sair desse estado deplorável, doentio e delirante,  é o amadurecimento emocional. É quando o indivíduo reconhece que ele tem o leme e o comando está em suas mãos, cessa assim a autossabotagem. Sem terceirização da sua própria responsabilidade. Faz parte da cura o desejo de ser curarado. Desta forma, o hábito será abandonado e a vida florescerá.


Waldez Pantoja

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Então, você sabe fazer cálculos?



Uma cerveja e um copo custam R$1,10 no total. A cerveja custa R$1,00 a mais que o copo. Quanto custa o copo?

Antes de responder pense, faça o cálculo. Mas se você é muito bom e já respondeu, talvez tenha dito que o copo custa 10 centavos. E nesse caso, você errou. 

O erro do cálculo não foi por falta de inteligência, pelo contrário, foi pelo uso dela. O erro foi motivado pela pressa, movido unicamente pela emoção em apresentar um resultado rápido.

A resposta correta é: o copo custa 5 centavos. 

O problema proposto nos ajuda a entender outras inferências — conclusões  — diante de um problema qualquer na vida. Conclusões muito apressadas.

A questão matemática traz ainda outra revelação. Uma vez tendo errado a resposta e se competido com o erro, a pessoa continua a levantar hipóteses e tentar provar que ela está certa quando diz que o copo custa 10 centavos e não 5.

O problema matemático apresentado é proposto no livro de Daniel Kahneman:

Rápido e devagar: Duas formas de pensar. A versão do livro usa um taco e uma bola originalmente.


Waldez Pantoja

FUJA ENQUANTO HÁ TEMPO

 


Nós seres humanos, somos cheios de limitações. Algumas são limitações naturais causadas por diversos fatores; a idade, a falta de experiência, falta de conhecimento, ignorância, e tantas outras. Mas algumas são limitações que impomos a nós mesmos.

"O que quer que alguém diga a seu respeito, não dê ouvidos; não é da sua conta". (Epicteto).

Entre escolhas e escolhas, muitas vezes alguns deslizes são cometidos. E assim, terminamos rodeados por pessoas que querem uma parte de nós, e se não tomarmos o devido cuidado, elas levam aquilo que temos de melhor e jogam na primeira lixeira que encontram.

Talvez uma limitação catastrófica para o nosso bem-estar, seja a nossa incapacidade em discernir nossos próprios juízos do juízo e opiniões dos outros sobre nós. Acreditamos que as opiniões deles são nossas também. Mas não são. Quando aprendemos isso, o veneno deixa de fazer efeito.

Outras vezes, nos deixamos contaminar pela doença do negativismo do outro. Se a pessoa só traz coisas negativas, fuja enquanto há tempo. Caso contrário, o hábito pode ser instalado tal qual um vírus para o qual a vacina é cara e rara.

A distância tem um poder fantástico; é a capacidade de diminuir o objeto observado, seja ele real ou mesmo imaginário.


Waldez Pantoja

A RECEITA É A MESMA, O BOLO NÃO.


Em busca de soluções rápidas, soluções mágicas, muitas vezes a pessoa pode embarcar em uma viagem recheada de contratempos. Querer levar a vida seguindo uma receita como se bolo fosse, isso não parece ser uma ideia sensata. Uma mesma receita seguida à risca, ainda assim, irá produzir bolos diferentes. 

Os fatores de influência em nossas vidas são diversos. O medicamento que cura um pode facilmente debilitar o outro. A deusa grega chamada Panaceia, não irá ajudar na cura de todos os males.

Não há uma receita geral para tudo e todos. Querer que os resultados sejam iguais para todos, é se deixar enganar acreditando que uma fórmula qualquer surtirá o mesmo efeito indiscriminadamente. A experiência de cada um é única.

Segundo Bessel Kolk, ninguém é criado em circunstâncias ideais – se é que sabemos que circunstâncias são essas.

O ambiente pode oferecer os mesmos estímulos,  mas serão codificados e assimilados de forma distinta a depender de quem as vivencia. 

"O nosso ponto de partida é a ignorância a respeito de tudo". (Steven Pinker). Nosso curso de vida, a cultura, os amigos, parentes,  nossas crenças, nosso humor momentâneo, tudo pode influenciar na maneira como assimilamos o mundo que nos cerca. 

Nem sempre o que funciona para um renderá os mesmos frutos para o outro. A receita de bolo é para bolo, ainda assim, nenhuma garantia há de igualdade nos resultados.


Waldez Pantoja

CUIDADO! HÁ CONTRAINDICAÇÃO?

 


Há três palavras que costumam confundir o leigo quando o assunto são os remédios. São elas: remédio, medicamento e fármaco. Você sabe a diferença?

Grosso modo, pode-se dizer que todo medicamento é um remédio. Mas nem todo remédio é um medicamento, ou contém um fármaco na sua fórmula.

Medicamento: aquela substância que se compra na farmácia, geralmente com uso de uma receita médica. Esses medicamentos contém os fármacos, ou seja, substâncias químicas na sua formulação.

Uma massagem pode servir como remédio, embora não seja classificada como medicamento. O remédio alivia a dor e também cura, embora nem sempre seja um medicamento.

Tanto os medicamentos quanto os remédios, podem apresentar contraindicações, reações adversas, e até efeitos colaterais. Isso pode assustar muitos.

Há remédios altamente eficazes — devem ser usados com moderação e sempre certificar-se das contra indicações, risco de causar dependência.

Uma conversa com um amigo; um conselho; o perdão; a psicoterapia; a autorreflexão; a respiração, os exercícios físicos, a nutrição, interações sociais, a verdade; todos eles podem servir como remédio. Mas cuidado, precaução com os efeitos colaterais. Existe uma palavra conceito para o remédio; o equilíbrio, sempre respeitando a dosagem que cura e alivia tanto o corpo quanto a alma.


Waldez Pantoja

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

O AUTO ABANDONO — ESQUECI DE MIM


Quando depositamos toda a nossa esperança nos outros, nas circunstâncias externas, há uma enorme chance de acabarmos órfãos de nós mesmos. O auto abandono. Isso porque, nada do que esperamos acontecer fora de nós está sob o nosso controle. Na verdade, aquilo que não depende de nós, não nos pertence. São resultados com infinitas possibilidades aleatórias. 


A mente humana anseia por explicações causais. Sempre que algo dá errado, procuramos uma causa — e com frequência a encontramos. (Daniel Kahneman). Naturalmente, as causas quase sempre são externas.


Assim surgem as grandes frustrações, desilusões, desapontamentos e desencantos; quando colocamos toda a nossa esperança no mundo que não nos reconhece como responsáveis pelas ocorrências. E não somos mesmo. Não são as coisas externas que nos desapontam, é a nossa expectativa não atendida que gera esse sentimento de abandono. Esperança demais naquilo que foge ao nosso controle.


Mudam as pessoas; mudam as condições externas; mudam os planos; muda o clima; tudo muda. Nenhuma garantia há da permanência de nada. E, aqueles que agem segundo tais expectativas de coisas que não podem controlar, podem terminar órfãos de si mesmos.


"Nossas limitações nos impedem de perceber nossas limitações". (Sêneca).


Ainda assim, se os fatos forem encarados, entendidos como lição, como aprendizado, existe uma enorme oportunidade de crescimento. Isso será melhor do que o lamento que nada nos ensina, apenas agrava o estado mental negativo.


Waldez Pantoja

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O QUE VEM APÓS A FRUSTRAÇÃO?


A frustração é um sentimento que pode ter um alto impacto na vida do indivíduo por ela acometido. Uma sensação de impotência abrupta diante de uma necessidade, uma vontade não atendida. A frustração também pode ser compreendida como um sentimento de perda pela posse mentalmente antecipada, mas não concretizada na realidade.

De repente cessa toda a motivação para a realização de algum projeto, dado esse impacto causado pela frustração, o abalo é certo. O objetivo que se esperava que fosse alcançado não se transformou em vitória,  e agora nos expõe  a uma realidade diferente. A sensação é horrível. 

A frustração pode ainda desencadear diversas emoções e outros sentimentos: tristeza, raiva, dor, sofrimento, ressentimento, revolta, perda da confiança, tristeza, sentimento de vingança, paralisação,  e tantos outros. O desânimo se instala diante da frustração, causando esse estado de pura impotência. 

A frustração é natural e alcança a todos, mas isso não significa se deixar dominar por ela; não significa canalizar o sentimento que é nosso para atingir outros, que na verdade nada têm a ver com aquilo que agora nos domina.

Se alguma coisa externa lhe causa angústia, não é a coisa em si que o perturba, mas seu julgamento a respeito. E isso você tem o poder de eliminar agora. (Marco Aurélio, Meditações).

Depois de reconhecer o estado de frustração, o que pode vir é uma grande lição, um ensinamento. No entanto, isso só acontecerá para quem conseguir reconhecer o processo e buscar a causa do choque. A partir daí, devemos começar a esvaziar a emoção negativa e transformá-la em algo positivo, o aprendizado.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

RAZÃO E EMOÇÃO

A emoção é um sistema de respostas automáticas aos estímulos recebidos através dos sentidos. 


O termo razão pode ser aplicado em diversas áreas com conceitos bem próximos. Razão na filosofia, na matemática, e outros…


Grosso modo, a razão é essa capacidade que nos habilita chegar a uma conclusão usando cálculos, argumentos, reflexão, crítica; uma habilidade que nos permite avaliar uma situação em busca dos melhores resultados.


É a emoção que nos impulsiona, mas a razão é o que nos dá o devido equilíbrio. Sem emoção, sequer saímos do lugar. Sem razão, tropeçamos nos próprios pés.


A vida real também apresenta chamarizes como pistas falsas e cantos de sereia que nos atraem fazendo com que nos desviemos de boas decisões; e resistir a eles faz parte de ser racional. (Steven Pinker).


Ao contrário do que muitos pensam, não existe uma guerra entre emoção e razão. Na verdade, são lados de uma única moeda que se completam. Não há ninguém 100% razão, muito menos 100% emoção. Naturalmente que a emoção leva certa vantagem por ser muito mais veloz. 


A emoção é rápida e flagrante. A razão exige tempo, busca, esforço, raciocínio, crítica,  pensamento, ponderação, para assim, evitarmos responder a todo vento que sopra. Em termos evolutivos, a emoção por ser mais antiga, se apresenta com maior agilidade.


As emoções são iguais as luzes que acendem no painel. A razão é a capacidade de leitura e compreensão do significado de cada sinal luminoso, para assim, podermos decidir o que fazer diante do alerta.


É a razão que usamos para justificar nossas escolhas emocionais. Isso nos faz crer que escolhemos racionalmente, quando na verdade, muitas vezes estivemos sequestrados pela emoção sem nos dar conta disso.


Equilíbrio é o que a vida pede diante da balança que pesa as emoções. E de onde vem esse equilíbrio? Vem da razão.


A melhor escolha pode ser a racional, mas a emocional nos atrai com maior facilidade, nos cativa, nos leva a uma ação muitas vezes irracional.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

ESPANADORES DE EMOÇÕES

 


Outro dia entrei em uma farmácia e lá estava a senhora da limpeza espanando a sujeira com um lindo espanador de pena. Foi então  que pensei nas pessoas que tratam as emoções da mesma forma.

Espanadores não limpam a sujeira, ela apenas é retirada de um lugar e depositada em outro local, não muito longe. Logo retornam sem nenhum controle. E assim, a poeira apenas se acumula. Muitos agem assim quando o assunto são as emoções e os sentimentos. 

Entender as emoções não sempre é tarefa fácil, até porque, muitas delas nem se tornam conscientes. Sequer percebemos que estamos sob o efeito de uma emoção (uma resposta a um determinado estímulo). Apenas agimos. 

Uma boa ideia é sempre buscar a fonte, o porquê da nossa reação diante da emoção. Às vezes, quando nos damos conta, algo indesejável já foi feito. Já tomamos uma decisão impensada. Fizemos uma escolha e agora temos que lidar com ela e administrar os resultados.

Você já parou para pensar que muitas das nossas emoções são geradas devido a enorme importância que damos a opinião dos outros, enquanto ignoramos a nossa? Espanadores de emoções agindo. 

É sempre importante avaliar os porquês das nossas respostas a um juízo que pode valer muito menos do que o nosso sobre nós mesmos.

Waldez Pantoja

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A REBELIÃO DA CERCA


Certo dia a cerca chamou o dono da propriedade para um diálogo.


— Sabe, Senhor proprietário, tenho uma observação a fazer. Estou envelhecendo, e sei que logo perderei a minha função.

— Mas não precisa se preocupar. Você será substituída por uma cerca nova em breve.

— Sim! Posso imaginar. No entanto, tenho percebido que essa sua preocupação comigo não faz muito sentido. Naturalmente cumpro minha função impedindo os outros de entrarem, mas o Senhor também não pode sair. Ainda não se deu conta disso? Por favor,  Senhor, não faça nenhuma renovação. É para o seu próprio bem. Deixe-me ir.


A cerca que impede o outro de entrar é a mesma que nos impede de sair. 


"Não te ponhas como escravo de ti mesmo. Livra-te das amarras que tu mesmo construíste acreditando defender uma liberdade que nunca exerceste".


Quantas cercas ainda continuaremos a construir até que venhamos a perceber, que na verdade,  nós somos os únicos enclausurados?


Não são livres, nem o prisioneiro nem o carcereiro.


De repente somos tomados pelo medo de perder a liberdade que sempre tivemos, mas raramente dispostos a usá-la.


Sem os recursos para exercer a nossa liberdade, não somos verdadeiramente livres. E onde estão esses recursos? Dentro de nós mesmos, nunca no ambiente externo. Basta derrubar a cerca que nos impede de sermos livres. Retire a cerca ao invés de renová-la.


Waldez Pantoja

domingo, 4 de dezembro de 2022

ESPECIALISTAS EM NÓS MESMOS

Nós deveríamos ser os maiores especialistas em nós mesmos. Por nos esquecemos disso, terceirizamos essa competência e passamos a viver de acordo com a superficialidade de julgamento, juízo e opinião deles sobre nós.

Ninguém permite que sua propriedade seja invadida, e, havendo discórdia quanto aos limites, por menor que seja, os homens pegam em pedras e armas. No entanto, permitem que outros invadam suas vidas de tal modo que eles próprios conduzem seus invasores a isso. (Sêneca).

Ninguém sai impune quando convive com alguém. Tanto nós influenciamos quanto sofremos influência de diversas formas. Apenas não devemos ser permissivos e deixar que a nossa vida seja controlada e manipulada por aqueles com os quais convivemos.

Vale sempre uma observação comportamental em nosso convívio diário. Quando nos concentramos única e exclusivamente no comportamento, e não nas causas da conduta, acabamos sendo conduzidos para a superficialidade. Tornamo-nos limitados sem nenhuma compreensão aprofundada da situação e de nós mesmos.

Ocasionalmente condenamos algo quando nos deparamos com aquilo que não toleramos dentro de nós. Isso porque a dor é insuportável. Ela está ali, latente, oculta e pronta para uso. Uma forma de desviar o foco apontando a mira para o outro. O processo pode até ser automático e inconsciente.

É possível modificarmos o nosso ambiente antecipando as respostas escolhendo qual queremos aplicar. Mudar o foco. Analisar e buscar alternativas para podermos obter respostas melhores aos estímulos. São algumas estratégias que nos colocam de volta no comando e nos ajudam como especialistas de nós mesmos.

Nada disso é fácil sem um longo período de autoanálise, autoconsciência do nosso estado emocional usando a razão que nos provê o equilíbrio necessário.

Waldez Pantoja


sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Vendedores de sonhos. Compradores de Ilusões.

 

Ideias socialistas seduzem, e não são difíceis de serem vendidas. O que se vende é o sonho, mas a realidade, como sempre, se mostra bem distante. No sonho tudo é possível; pessoas ficam ricas em um instante, voam, adquirem poderes extraordinários. 


Caiam as sociedades futuras sob e o jugo do socialismo, do sindicalismo, ou dos déspotas, suscitados pelas anarquias precedentes dessas doutrinas, elas serão, de qualquer modo, mentalmente escravizadas. [...] Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer se transformam facilmente em socialistas. [...] E assim que, nos nossos dias, _as doutrinas socialistas começam a conquistar aqueles que, no entanto, seriam as suas primeiras vítimas._ (Gustave Le Bon).


As verdades socialistas somente aparecem após a sua implantação. É quando os sonhadores acordam e descobrem que tudo não passava de um sonho. A realidade se encarrega de mostrar a nação de que o golpe socialista, comunista, foi implantado apenas para seduzir, conduzir e manipular a massa não pensante e manipulada. A fuga é em massa para os que têm alguma força. Os debilitados se entregam e aceitam o dominador, que lhes retira a última dose de esperança.


*Waldez Pantoja*

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A ORDEM DAS COISAS

 


Sem subverter a ordem das coisas: "do passado, as lembranças; no presente, viver; para o futuro, os planos".


O que deveria ser apenas um obstáculo, pode facilmente se tornar um limite estabelecido quando subvertemos a ordem das coisas. O objetivo da memória é fazer com que o presente tenha um sentido, nos ajuda a evitarmos que erros cometidos sejam repetidos. 


Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. [...] Não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. [...] A expectativa é o maior impedimento para viver: leva-nos para o amanhã e faz com que se perca o presente. (Sêneca).


Insensato é querer viver no presente coisas que pertencem às distantes terras do passado ou mesmo do futuro.


Esse contínuo estado vivendo segundo expectativas futuras, roubam de nós um tempo precioso do nosso ínfimo presente. Em um instante passa, e já não mais nos pertence.


É do passado que assimilamos todas as lições aprendidas e que devem ser aplicadas no presente. O que não se pode é querer viver um tempo que não mais nos pertence ou ainda nem chegou. O fruto desse ato resulta em ansiedade, e muitas vezes frustração.


O livro de Mateus traz uma advertência: "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal". 


A ideia é aprender com a dor que é inevitável; fugir da aflição hoje por coisas que sequer aconteceram. Evitar sofrer duas vezes com antecipações desnecessárias.


Waldez Pantoja

CORPO E ALMA?


Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna- se um conhecimento. (Gustave Le Bon).


Assim estão fixadas as crenças no dualismo, corpo e alma, às vezes com até 3 componentes: corpo, alma e espírito. Como substâncias unidas e ao mesmo tempo separadas entre si. 


Com o passar do tempo alguns conceitos, algumas palavras vão se adequando às crenças, de maneira tal a podermos usar como justificativa à nossa própria crença já estabelecida.


O termo Espírito no grego antigo era apenas um vento (pneuma), um fenômeno bem conhecido e explicado racionalmente. O viés religioso se apodera do termo e apresenta uma nova roupagem, que logo se torna uma crença.


Platão surge com uma explicação e começa então uma divisão que se propaga; Descartes, Tomás de Aquino, Santo Agostinho e outros fundamentam a base da crença propagadora do dualismo. No decorrer do tempo surgem variedades e diversas explicações que apenas tornam a crença ainda mais forte.


O monista crer em apenas um corpo que produz pensamentos, ideias, sentimentos e emoções. O dualista adiciona alma e espírito ao corpo como substâncias extracorpóreas. 


O homem tem aversão à dúvida e à incerteza. Tudo precisa de uma explicação racional. Espaços vazios precisam ser preenchidos nem que sejam com uma crença, superstição, um conceito. Muitos na verdade são levados a crer, não pela razão, por alguma demonstração, prova, apenas pelo agrado daquilo que satisfaz e preenche uma incômoda lacuna. 


E você, crer na corrente dualista ou monista?


*Waldez Pantoja*

UM CAMINHO INDESEJÁVEL

 



Política e Religião — Pode até se considerar que são duas vertentes bem distintas, mas ambas estão intimamente ligadas de alguma forma pela crença. A partir daí, os conflitos podem se estabelecer com muita facilidade. A religião em si, já tem seus fundamentos na crença. 


Tudo quanto é aceito por um simples ato de fé deve ser qualificado de crença. Se a exatidão da crença é verificada mais tarde pela observação e a experiência, cessa de ser uma crença e torna- se um conhecimento. [...] Uma crença é um ato de fé de origem inconsciente, que nos força a admitir em bloco uma ideia, uma opinião, uma explicação, uma doutrina. A razão é alheia à sua formação. Quando se tenta justificar a crença, esta já se acha formada. (Gustave Le Bon).


Ninguém acorda um dia e diz: sabe, a partir de hoje vou crer nisso ou naquilo. Não! A crença apenas surge de regiões inconscientes, ela brota, explode com tanta força, que nos sentimos impelidos a encontrar fundamentos que possam justificar aquilo que já cremos, mesmo sem um viés racional. Outras vezes o processo é lento e moroso. 


As razões da crença, os motivos surgem depois de crermos. Uma construção munida de diversos parâmetros e vieses.


Ninguém escapa. A própria opinião já pode trazer em si algum fundamento com base em uma crença. Há sempre algo em que se crer sem que isso exija de nós algum fundamento racional. Talvez apenas a lógica emocional, afetiva, que surge de regiões ocultas advindas da própria mente.


Agora sim, de posse da crença, os conflitos já podem ser iniciados. Pois essa é sagrada, separada, intocável. Desafiar a crença do outro é pisar em um terreno com brasas vivas.


Uma vez comprometidos com uma crença, apresentamos e sustentamos diversos argumentos em defesa dela. Sentimentos e emoções intensas se manifestam durante o embate. Ocasionalmente os limites podem ser o da ignorância, a força bruta, desrespeito e baixa tolerância.


Crer é fácil; descrer é uma missão mais trabalhosa.


*Waldez Pantoja*

domingo, 27 de novembro de 2022

O DISTANCIAMENTO DAS BOAS PRÁTICAS

 



Às vezes o problema não está nas coisas que não entendemos, mas sim naquilo que compreendemos e insistimos em não colocar em prática. Coisas que deixamos esquecidas, mesmo sabendo da necessidade e importância do seu uso. Ficando tudo apenas no mundo das boas ideias, nos adiamentos frequentes. 

Todo e qualquer aprendizado, conhecimento sem uso, não passa de acúmulo de informação inútil. Tal qual uma enciclopédia fechada, encerrada em si mesma. Temos muito a aprender, mas também a ensinar. Sempre haverá alguém que desconhece algo que sabemos e podemos compartilhar. 

"Estou feliz em aprender para que eu possa ensinar. Nada me agradará, não importa o quão excelente ou benéfico, se eu dever manter tal conhecimento exclusivo para mim. [...] Nenhuma coisa boa é agradável de possuir, sem amigos para compartilhá-la." (Sêneca).

Não irei combater nenhum mal. Apenas me esforçarei para produzir um alto volume de boas práticas pautadas no bem. Gosto dessa ideia. Sem distanciamento da ação, mas sim aproximação da prática que faz diferença.

Nos relacionamentos a crise pode se instalar diante da degradação dos fundamentos, da base, quase sempre pela falta de uso, prática dos bons hábitos, da ação que os mantêm firmes e 
Inabaláveis.

Nascemos com um roteiro disponível para uso: amar, aprender, ser grato, compreender que o outro também é parte de nós. Agindo assim, evitaremos o distanciamento das boas práticas e construiremos um mundo melhor.

Waldez Pantoja

sábado, 26 de novembro de 2022

APAIXONADO DE NOVO

 


De repente você acorda e se dá conta de que voltou a se apaixonar. Sim! É isso mesmo.

A paixão é um forte sentimento de atração. Sentimo-nos perdidamente atraídos pelo outro ou por algo. O que há de muito interessante na paixão é que todo e qualquer sentimento negativo termina sendo anulado por esse estado; e aí, somente os pontos positivos passam a fazer parte da nossa visão seletiva. Por isso, nos sentimos em estado de graça. 

"Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas" (Sêneca)

Nosso estado emocional afeta nossa visão do mundo; afeta como vemos o outro; afeta inclusive como nos vemos.

O apaixonado vê tudo através de belas lentes coloridas. Ah, mas que maravilha deve ser quando nos apaixonamos pela vida. A vida como um todo, não apenas partes dela. Diante da paixão não há partes isoladas, apenas a totalidade a nos maravilhar.

O amante não se apaixona pelas pernas da amante, nem pelas mãos; nada é deixado para trás, nada escapa a esse sentimento de entorpecimento. Inebriado, brilham as luzes por todos os lados.

Muito do que foi feito pode ser desfeito. E o que foi desfeito poderá ser refeito. Por que não nos apaixonamos de novo pela vida? Sim! Apaixonado de novo pela vida. 


Waldez Pantoja

A FORÇA DO CONTÁGIO

 


Talvez o termo contágio seja mais percebido na área médica. Está relacionado a propagação de doenças, vírus, bactérias, e outros. Mas não é apenas na medicina que o fenômeno ocorre.

Disseminação, propagação, transmissão, são algumas expressões usadas para definir o termo. Essa amplitude permite que o conceito seja aplicado em outras áreas e não somente na medicina.

A moda, a cultura, as crenças, a política, os esportes, os boatos; são algumas áreas altamente dependentes do contágio para que possam se propagar. Quase nada escapa. E o fenômeno é sempre interessante. Se algo alcança uma única pessoa, é fácil alcançar muitos, uma multidão. E é aí que a coisa pode ficar séria.

Nenhum de nós está imune ao contágio. Sem nos darmos conta, de repente, começamos a defender ideias estranhas; começamos a cantar algumas músicas que grudam; começamos a imitar certos hábitos e comportamentos, propagar o que ouvimos falar, — tudo incorporado através do contágio. Conceitos e preconceitos não escapam ao fenômeno. Quase sempre inconscientes.

O influenciador —  De repente, alguém grita no meio da multidão: "Barrabás! Soltem Barrabás". Sem nenhuma reflexão, sem provas, sem fazer uso da razão, o grupo, a multidão é tomada por uma forte emoção social e passa a ecoar o grito inicial. Assim começam os grandes tumultos violentos. O cérebro social em ação. 

As emoções são altamente contagiantes. Ansiedade e medo não escapam. Como acontece em grupos sociais, há um pequeno número de indivíduos que orientam e influenciam os demais.

Somente não fazendo contato com o outro é possível escapar do contágio, ou evitar a situação. Missão quase impossível nos dias atuais. No entanto, é possível filtrar, fazer uma escolha e decidir o que fica e o que deixa de fazer parte da nossa vida. O remédio quase sempre está na autoconsciência, na auto-observação, no autoconhecimento,  dentro de nós mesmos.


Waldez Pantoja

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

UM CAMINHO, UMA PROPOSTA

 


Aquele que não está bem consigo mesmo em tudo vê conflito. Busca soluções difíceis em terras distantes fora de si, — enquanto ele mesmo é parte da resolução, mas não se atém a isso.

A vida segue nos entregando uma enorme quantidade de propostas. Algumas devemos aceitar, mas muitas precisamos rejeitar e apenas aprender com elas. Onde há aprendizado, ali há ganho.

Eduque-se! — Antes de qualquer ciência vem a educação, o respeito mútuo, o respeito à propriedade alheia. E propriedade nesse contexto, não trata apenas do bem material, há muito mais envolvido. — a opinião; o juízo do outro pertence ao outro. Nenhuma lei posterior a esses pilares será capaz de moldar um povo, um grupo moralmente corrompido. 

Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por nenhum dos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio. (As Escrituras de Nitiren Daishonin). 

Não se deixar dominar por coisas, eventos que nos tiram do caminho da excelência. A excelência é apresentar, entregar o melhor de si. Nada de querer se mostrar melhor do que os outros. A medida é a própria pessoa.

Nenhum rio corre em direção à nascente. Isso nunca se viu. Ética, moral, valores estão na nascente desse rio chamado sociedade. Se a nascente for contaminada, todo rio será também contaminado.

Onde nasce o mal, lá também reside a cura. Dentro de nós mesmos, na nascente.


Waldez Pantoja


terça-feira, 22 de novembro de 2022

QUE EMBATE É ESSE?

 


Antes de se envolver em um embate, pense e decida se você quer ter paz ou razão. Se quer ter paz, não entre jamais. Se quiser ter razão, mantenha-se longe, caso contrário, ela será perdida em meio às falas, aos ataques e as provocações. O domínio próprio sem a razão se tornará manco, inócuo, sujeito aos sentimentos e as emoções afloradas. E aí, nem paz nem razão. Se não se importar nem com a sua paz nem com a razão, eis uma escolha. 

Não haverá embate entre emoção e razão. Porque a razão irá se retirar, se recolher até que os anônimo se recomponha. As emoções podem ser impetuosas e flagrantes. A razão necessita de tempo, reflexão, domínio, equilíbrio e aptidão.

A emoção é resposta, ebulição, um vulcão. A razão equilíbrio, domínio, compreensão. A emoção impulsiona, a razão equilibra, é conscientização da situação.

A exposição de ideias é saudável enquanto exposição; todos ganham,  todos aprendem, mas danosa quando se transforma em imposição. Aí a sujeição é toda da emoção. 

O debate saudável pode iluminar o caminho. O embate, a discussão e a imposição; turvam, embaçam, nublam e fogem à razão.

Aquele que não está bem consigo mesmo em tudo vê conflito. Busca soluções difíceis em terras distantes,  enquanto ele mesmo é parte da resolução, mas não se atém a isso.

Antes de qualquer ciência vem a educação, o respeito mútuo, o respeito à propriedade alheia. E propriedade nesse contexto, não trata apenas do bem material, há muito mais envolvido. Nenhuma lei posterior a esses pilares será capaz de moldar um povo, um grupo moralmente corrompido. 

Nenhum rio corre em direção à nascente. Isso nunca se viu. Ética, moral, valores estão na nascente desse rio chamado sociedade. Se a nascente for contaminada, todo rio será também contaminado.

A razão quase nunca é contagiante, ela é imparcial, representa equilíbrio. Cabe a emoção cumprir essa missão.

Onde nasce o mal, lá também reside a cura. Dentro de nós mesmos. 


Waldez Pantoja