Falar de vitimismo muitas vezes até parece aquela coisa de picuinha partidária, disputa entre lados e lados. Mas não é nada disso.
O vitimismo é esse estado contínuo de cobrança e mal-estar, quase nunca percebido por aquele que cultiva o hábito. Uma sensação de abandono social perene. Estado de carência emocional. Pior ainda, o vitimista se alimenta disso, e se torna vítima do seu próprio hábito. Embora ele mesmo não se reconheça como tal, típico no distúrbio emocional. Um ciclo difícil de ser interrompido.
Ser vítima de uma determinada situação real, é uma coisa, viver em um eterno estado de vitimismo, é outra.
O vitimista acredita que o mundo lhe deve algo, que as pessoas estão em débito com ele. Uma total falta de maturidade emocional que leva essas pessoas a acreditarem na eterna dívida do mundo para com elas. Um estado de terceirização da própria responsabilidade. Acreditam eles que os outros são responsáveis e culpados pelo infortúnio, quase sempre criado por eles mesmos. E assim, queixosos, seguem culpando tudo e todos.
Não podemos controlar o mar, mas podemos comandar nosso barco. (Sêneca). É essa a parte da história que o vitimista tem dificuldade para compreender. Se não é o mar, é o vento. Se não o vento, é a calmaria. Há sempre um culpado.
A única forma de sair desse estado deplorável, doentio e delirante, é o amadurecimento emocional. É quando o indivíduo reconhece que ele tem o leme e o comando está em suas mãos, cessa assim a autossabotagem. Sem terceirização da sua própria responsabilidade. Faz parte da cura o desejo de ser curarado. Desta forma, o hábito será abandonado e a vida florescerá.
Waldez Pantoja

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