segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A REBELIÃO DA CERCA


Certo dia a cerca chamou o dono da propriedade para um diálogo.


— Sabe, Senhor proprietário, tenho uma observação a fazer. Estou envelhecendo, e sei que logo perderei a minha função.

— Mas não precisa se preocupar. Você será substituída por uma cerca nova em breve.

— Sim! Posso imaginar. No entanto, tenho percebido que essa sua preocupação comigo não faz muito sentido. Naturalmente cumpro minha função impedindo os outros de entrarem, mas o Senhor também não pode sair. Ainda não se deu conta disso? Por favor,  Senhor, não faça nenhuma renovação. É para o seu próprio bem. Deixe-me ir.


A cerca que impede o outro de entrar é a mesma que nos impede de sair. 


"Não te ponhas como escravo de ti mesmo. Livra-te das amarras que tu mesmo construíste acreditando defender uma liberdade que nunca exerceste".


Quantas cercas ainda continuaremos a construir até que venhamos a perceber, que na verdade,  nós somos os únicos enclausurados?


Não são livres, nem o prisioneiro nem o carcereiro.


De repente somos tomados pelo medo de perder a liberdade que sempre tivemos, mas raramente dispostos a usá-la.


Sem os recursos para exercer a nossa liberdade, não somos verdadeiramente livres. E onde estão esses recursos? Dentro de nós mesmos, nunca no ambiente externo. Basta derrubar a cerca que nos impede de sermos livres. Retire a cerca ao invés de renová-la.


Waldez Pantoja

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