Certo dia a cerca chamou o dono da propriedade para um diálogo.
— Sabe, Senhor proprietário, tenho uma observação a fazer. Estou envelhecendo, e sei que logo perderei a minha função.
— Mas não precisa se preocupar. Você será substituída por uma cerca nova em breve.
— Sim! Posso imaginar. No entanto, tenho percebido que essa sua preocupação comigo não faz muito sentido. Naturalmente cumpro minha função impedindo os outros de entrarem, mas o Senhor também não pode sair. Ainda não se deu conta disso? Por favor, Senhor, não faça nenhuma renovação. É para o seu próprio bem. Deixe-me ir.
A cerca que impede o outro de entrar é a mesma que nos impede de sair.
"Não te ponhas como escravo de ti mesmo. Livra-te das amarras que tu mesmo construíste acreditando defender uma liberdade que nunca exerceste".
Quantas cercas ainda continuaremos a construir até que venhamos a perceber, que na verdade, nós somos os únicos enclausurados?
Não são livres, nem o prisioneiro nem o carcereiro.
De repente somos tomados pelo medo de perder a liberdade que sempre tivemos, mas raramente dispostos a usá-la.
Sem os recursos para exercer a nossa liberdade, não somos verdadeiramente livres. E onde estão esses recursos? Dentro de nós mesmos, nunca no ambiente externo. Basta derrubar a cerca que nos impede de sermos livres. Retire a cerca ao invés de renová-la.
Waldez Pantoja

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