terça-feira, 4 de outubro de 2022

Quem contra quem?



Toda notícia "espetacular", atende a algum anseio. Esta deve ser ponderada, analisada imediatamente. Assumir um comportamento cético-crítico, é muito importante nesses casos.


Quem ouve, ler, ver, pode ser vítima de uma coisa chamada, viés de confirmação, ou viés confirmatório. Isso ocorre quando percebemos aquela informação que confirma uma crença anterior, deixando de lado qualquer outra que a contradiga. 


Mesmo depois de negada a informação que assumimos como verdade, esta continua a produzir seus efeitos no cérebro. De alguma forma, como "vítimas", buscamos informações de maneira a confirmar a crença anteriormente estabelecida.


A ilusão cognitiva em relação aos juízos sociais nos coloca em uma difícil situação de ignorar qualquer informação que venha a desmentir uma crença. Descrer é muito mais difícil. Crer é fácil porque ativa nosso sistema dopaminérgico, a recompensa.


Nicholas Epley confirma que na maioria dos casos, não temos consciência das influências na construção de nossas crenças nem dos processos mentais que nos levam a elas. Apenas cremos.


As redes sociais se tornaram a versão eletrônica das antigas fofocas de portão. Só que atingem maior número de pessoas quase que instantaneamente, e causam maior estrago.


Pessoas fofocam por diversas razões. Talvez um enorme desejo de pertencimento ao grupo. Por tentar se sentirem superiores. Quem sabe até por insegurança mesmo, quando tentamos construir laços com nossos semelhantes.


Toda e qualquer notícia ou informação que desagrade partidários de algum lado, tende a ser combatida imediatamente. Um processo bem conhecido por nossos ancestrais, a auto preservação.


Mídia social nem sempre é jornalismo. Mas tende a ser aceita como tal, e com certa credibilidade.


A informação social com base em distorção proposital, pode causar danos, e, é de difícil reparação.


Nossa desconfiança com forasteiros, todos aqueles que não pertencem ao nosso grupo, não pensam, não agem como nós, pode ser intensificada quando buscamos apoio no grupo ao qual já pertencemos. Conflito a vista.


Formar grupos de coalizão, facilita nossa sobrevivência. Essa era uma maneira funcional de pensar de nossos ancestrais, mas que permanece até os dias atuais, mesmo que o outro não represente uma ameaça real. Dessa forma, partimos para o combate e o enfrentamento. "Eles são uma ameaça".


Nos tornamos seres das generalizações. Basta um comportamento discordante de um único membro de determinado grupo, para inferimos que todo aquele grupo tem o mesmo comportamento. 


Dessa forma, persistem as crenças. Reavaliar um comportamento depois de criarmos um estereótipo é sempre um grande desafio. 


Existe sempre uma base neurológica no comportamento, tanto com os de dentro quanto com os de fora. 


Qual será o nosso grupo? Por questões de sobrevivência, dividimos as pessoas em categorias, quando na verdade, pertencemos a um único grupo, seres humanos. 


É importante sempre duvidar de notícias que agradam demais, já que elas podem ter sido construídas apenas para agradar o leitor.


Adelante com mais tolerância e ponderação.


Prof. Waldez Pantoja

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