quarta-feira, 26 de outubro de 2022

É justo ou injusto?

Para mim foi uma tragédia o que aconteceu. Assim classifiquei o ocorrido no mesmo instante. 

O hábito que tenho é de acordar cedo, bem cedo. Tomo um copo com água e começo a ler algum livro em andamento com uma música classica ao fundo. Um ritual. Mas hoje um canto me chamou a atenção. Como moro no terceiro andar de um prédio, e são apenas três andares mesmo, fico na parte mais alta. Fui até a janela e era possível observar um pequeno pássaro que cantava alegremente na torre a frente. De repente, um outro pássaro bem maior, simplesmente raptou o pequeno que cantava e o levou embora. Atônito me pus a imaginar o que teria acontecido. Fiquei bem chateado porque o canto era muito bonito.

Conversando com um amigo que entende melhor, ele me disse tratar-se de um gavião Uma ave de rapina. E possivelmente comeu o passarinho, calando assim seu canto.

O que fez o passarinho para ter sofrido tamanha tragédia? Por que uma coisa tão ruim aconteceu ao passarinho? Por que coisas ruins acontecem com quem nada fez para merecer o mal? Não tenho resposta. Classifiquei como algo ruim, mas certamente a ave de rapina com fome, tem uma outra visão discordante da minha. 

Na verdade foi apenas uma ocorrência, conclui depois. Nem boa nem ruim. Nem certo nem errado. Mas o meu julgamento fez com que o ocorrido fosse tratado como uma tragédia. Quem sabe o pequeno passarinho tenha servido de alimento para os filhotes do gavião. Enquanto a zebra lamenta, o leão agradece e se delicia. 

A natureza tem seus encantos e desencantos. E, essa visão não depende dela, mas de nosso julgamento sobre os eventos totalmente naturais.


Waldez Pantoja

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