terça-feira, 18 de outubro de 2022

QUANTO VALE?

Às vezes, atribuímos valor inestimável à coisas de valor questionável.

Somente pensamos que as coisas que compramos são aquelas pelas quais pagamos em dinheiro, enquanto consideramos gratuitas aquelas coisas pelas quais a moeda fomos nós mesmos. [...] No entanto, estamos totalmente preparados para obter coisas à custa da ansiedade, perigo, honra perdida, liberdade perdida e tempo perdido — pois não consideramos nada mais barato do que nós mesmos. (Sêneca).

De repente, estamos dispostos a nos dar em troca como moeda; nosso tempo, nossa liberdade, tudo o que realmente nos pertence de verdade em troca de coisas constatavelmente inferiores e de valor questionável.

O dinheiro é uma dessas coisas sem valor real, reside nele apenas um valor atribuído. Dinheiro não sacia a sede nem mata nossa fome. Muito mais se consegue sem o emprego de nenhum centavo, nenhuma moeda. A amizade, a atenção, a admimiração, o prazer do convívio com a família, a lealdade, um sorriso sincero, um abraço apertado, a cooperação, a caridade, amigos, a tranquilidade da alma, e muito mais...

O valor do dinheiro está na crença de que os outros também irão crer no seu valor. Uma convenção, que de tempos em tempos diminui, aumenta ou perde totalmente o seu valor. Convenção desfeita!

E tão grandiosa é a estupidez dos mortais que, quando conseguem as coisas mais baratas e desimportantes, facilmente substituíveis, concordam em ser cobrados por elas; no entanto, ninguém se considera em dívida se lhe foi tomado o tempo — embora seja a única coisa que nem mesmo o devedor mais grato possa reembolsar. (Sêneca, Epístolas).

Vale a pena o investimento nas coisas positivas que o dinheiro não pode comprar, porque essas, realmente têm valor incomparável.

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