sábado, 29 de outubro de 2022

Pensa diferente ou cultiva valores diferentes?

 




A vida em sociedade é uma necessidade básica para o ser humano. Viver totalmente isolado pode trazer danos irreversíveis, não apenas para a saúde física, mas também mental.

A convivência com o outro é tanto um reflexo de nós mesmos espelhada quanto o reflexo do outro em nós. Influenciando e ao mesmo tempo sendo influenciados.

Os conflitos estão aí para serem gerenciados, administrados. 

É natural que indivíduos com experiências tão distintas apresentem pensamentos até antagônicos. Tratamos apenas de pensamentos, ideias diferentes, possíveis de serem gerenciadas.

Os grandes conflitos talvez não sejam gerados apenas pela forma de pensar, mas sim quando os valores entram em choque.

Todos nós cultivamos certos valores, muitos deles são inegociáveis mesmo. Os filósofos tratam desse conjunto de valores que norteiam a vida em grupo, denominada por eles de ética. Nossos amigos podem até pensar diferente, mas os valores são muito similares. São princípios que orientam o comportamento para uma convivência harmoniosa em grupo.

É através desses valores sociais que nos conectamos como indivíduos sociais que somos. Formamos grupos e fortalecemos a coalizão. A saber, — a honestidade, a compaixão, o respeito mútuo, a empatia, a tolerância, a integridade, confiança, justiça e a lealdade, são alguns valores e princípios inegociáveis. Se algum membro do grupo destoa, aí já não temos mais uma divergência de ideias, pensamentos, mas sim de valores.

“Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto, ao menos por desonestidade” (Sócrates).

O confronto de ideias é benéfico porque gera novas ideias e aprimora as já existentes. Enquanto o embate de valores e dos princípios morais, das violação das normas sociais, desestruturam o grupo, tornando o convívio espinhoso e inseguro para todos.

*Waldez Pantoja*

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

QUAL A MELHOR ALTERNATIVA?

 

Processos automáticos e inconscientes cuidam de grande parte das nossas ações diárias. Respostas automaticas acontecem a todo instante, e sequer nos damos conta disso. Isso porque, conscientemente não daríamos conta de organizar e administrar tantos estímulos ocorrendo diante de nós. Seria extenuante administrar tudo sem um coordenador fora da nossa visão, nos bastidores. 

O sistema inconsciente faz isso sem que tenhamos que nos esforçar tanto. Uma enorme economia de energia e esforço. Finalmente as alternativas chegam a nossa mente consciente. A partir daí, entra em ação a razão, equilibrando e tratando de encaminhar, concluir o processo. Justificamos, argumentamos, defendemos ideias, ponderamos, reunimos evidências para a escolha final. Emoção e razão em um trabalho conjunto, sem trégua.

Apesar de todo o esforço, não estamos imunes à escolhas equivocadas. O resultado dessas escolhas depende muito do acúmulo das experiências. Preferências estabelecidas, o ambiente, o contexto, a influência dos pares, cultura, amigos, boatos, o humor momentâneo, emoções, crenças arraigadas desde a tenra infância, são viéses que podem nos direcionar rumo à uma estrada a ser trilhada.

As alternativas são muitas. Às vezes duas apenas. Mas cabe a cada um de nós escolher aquela que considera a melhor. A questão serão os parâmetros, a régua que iremos usar para medir a construção.

Façamos nossas escolhas sem nos deixarmos exclusivamente a mercê das influências, mas sim das evidências. Não do vento que sopra nos bastidores inconscientes da vida. 

Sem o equilibrio da razão, nos tornamos dependentes de toda sorte de canto que nos encanta. Para onde o vento sopra, é para lá que vamos. É a batida do tambor que determina a cadência e o ritmo da dança.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

É justo ou injusto?

Para mim foi uma tragédia o que aconteceu. Assim classifiquei o ocorrido no mesmo instante. 

O hábito que tenho é de acordar cedo, bem cedo. Tomo um copo com água e começo a ler algum livro em andamento com uma música classica ao fundo. Um ritual. Mas hoje um canto me chamou a atenção. Como moro no terceiro andar de um prédio, e são apenas três andares mesmo, fico na parte mais alta. Fui até a janela e era possível observar um pequeno pássaro que cantava alegremente na torre a frente. De repente, um outro pássaro bem maior, simplesmente raptou o pequeno que cantava e o levou embora. Atônito me pus a imaginar o que teria acontecido. Fiquei bem chateado porque o canto era muito bonito.

Conversando com um amigo que entende melhor, ele me disse tratar-se de um gavião Uma ave de rapina. E possivelmente comeu o passarinho, calando assim seu canto.

O que fez o passarinho para ter sofrido tamanha tragédia? Por que uma coisa tão ruim aconteceu ao passarinho? Por que coisas ruins acontecem com quem nada fez para merecer o mal? Não tenho resposta. Classifiquei como algo ruim, mas certamente a ave de rapina com fome, tem uma outra visão discordante da minha. 

Na verdade foi apenas uma ocorrência, conclui depois. Nem boa nem ruim. Nem certo nem errado. Mas o meu julgamento fez com que o ocorrido fosse tratado como uma tragédia. Quem sabe o pequeno passarinho tenha servido de alimento para os filhotes do gavião. Enquanto a zebra lamenta, o leão agradece e se delicia. 

A natureza tem seus encantos e desencantos. E, essa visão não depende dela, mas de nosso julgamento sobre os eventos totalmente naturais.


Waldez Pantoja

QUEM SOMOS NÓS?

 

A perguntado do título vem sendo feita há séculos. E também há séculos respostas à pergunta têm surgido. Para cada época, uma resposta. Cada pensador apresenta uma ideia. Para cada situação, uma conclusão.

Encontramos respostas em diversas áreas do conhecimento humano. Na religião, na filósofia, medicina, na psicologia, na matemática, na antropologia, o campo é farto em respostas. 

Uma pergunta difícil de responder porque assim como mudam as estações, mudamos nós também. Muda a nossa compreensão de mundo. Mudam as certezas. Novas dúvidas são geradas. E assim, temos que recomeçar quase tudo todos os dias. 

Já não somos mais os mesmos desde a nossa infância. Não somos o mesmo da adolescência. As convicções são outras. Aderimos novas ideologias, descartamos outras. Passamos a gostar que coisas que odiavam, e a odiar coisas que um dia gostamos. Que vida cheia de altos e baixos. As vezes, sequer nos damos conta das mudanças ocorrendo silenciosamente em nossa própria mente, e no corpo também.

Aqui, o paradoxo da substituição. O navio de Teseu proposto por Plutarco. 

Durante suas viagens, a madeira do navio de Teseu se rompia ou apodrecia, e tinha que ser substituída. Quando Teseu voltou para casa, o navio que atracou no porto não tinha mais nenhuma peça do navio que havia saído dali anteriormente. Mesmo assim, a tripulação não duvidava de que se tratava da mesma embarcação.

Agora é com você. Diante de tantas mudanças. Quem somos nós?


Waldez Pantoja

APRENDENDO COM A ÁGUA


Esvazie a mente. Sinta-se sem forma como a água. A água dentro da xícara passa a ser xícara. A água no bule de chá transforma-se em bule. A água na garrafa torna-se garrafa. Mas a água pode fluir ou pode quebrar! Seja como a água, meu amigo. (Bruce Lee). 

Um infiltração de água na minha cozinha deu um trabalho enorme. E ali mesmo eu comecei a refletir sobre esse elemento poderoso que é a água. Isso terminou me levando ao livro com o título: Seja como a água (Shannon Lee). 

A água sem forma se transforma na forma que a ela for apresentada. No entanto, não perde a sua essência de água jamais. 

A água flui, encontra caminho através dos terrenos mais difíceis. Se frio demais, ela congela. Se quente, evapora. É a base da vida. Quase nada viveria sem água. Embora ela mesma não seja um ser vivo. Especula-se que o Tardigrado seja capaz de viver sem água.

A água segue o fluxo, não pode fluir no antifluxo. Um curso constante. Algumas vezes rápido, outras, muito lentamente se deslocar, mas segue sempre em frente. Não volta jamais. 

Heráclito, o famoso filósofo grego nos deixou uma reflexão: “Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” 

Assim como a água, a vida exige de nós essa flexibilidade, fluxo, constância, maleabilidade, adaptação da forma e mudança contínua. Os obstáculos estão a nossa frente para serem superados, não desafiados. 

A água assume diversas formas, mas jamais deixa de ser água. A essência da água é ser água, e esta, é preservada independente do seu estado. 

Assim como a água encontra seu caminho, nós também temos sempre a força para encontrar uma fenda por onde podemos passar e seguir a trajetória da vida que é magnífica.


Waldez Pantoja

PARA ONDE VAI A NOSSA FRUSTRAÇÃO?

 


A frustração é um sentimento que nos consome por dentro por não termos atendida a nossa expectativa. Aquilo que esperávamos não se realizou da forma como gostaríamos.

A frustração não é um conceito meramente pejorativo, mas antes uma oportunidade de crescimento interno, um avanço no desenvolvimento e na maturidade (Igreja, 2012).

A base da frustração são as nossas expectativas. Quanto maior a expectativa, maiores os possíveis danos emocionais diante de uma frustração. Expectativas essas que nós mesmos criamos.

Um desejo não satisfeito, uma vontade que não se concretiza, uma necessidade não atendida; tudo pode se transformar em frustração quando o resultado não for o esperado.

Segundo Sêneca, a frustração surge da raiva que sentimos por não termos nossas expectativas supridas, atendidas.

Buscamos a recompensa e ela não veio. Um processo neuroquímico entra em ação, e a partir daí, os sintomas são os mais variados possiveis.

E para onde vai a nossa frustração?

Quase sempre ela sai em busca de alguém que também esteja na mesma situação. Em busca de algum apoio, um aliado.  

Descontentes e frustrados, agora atacamos, gritamos, esperneamos, e tudo precisa ser feito diante de uma plateia atenta, se não, não fará nenhum sentido. Não vale a pena sofrer sozinho.

A frustração é um processo natural, e é desde a infância que começamos a lidar com ela. Faz parte do nosso desenvolvimento emocional. O que não se pode é viver à mercê das nossas frustrações, esperando que as coisas saiam sempre do nosso jeito.

O resultado das eleições no próximo domingo, trará inúmeras postagens nas redes sociais. Pessoas frustradas em busca de alguém com quem possam compartilhar o descontentamento. Uma plateia atenta e também frustrada, estará a postos para de alguma forma, diluir e dissipar o sofrimento causado pela frustração diante da expectativa não atendida.


Waldez Pantoja

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Lições de vida sobre a vida

 

Tudo na vida precisa ser levado como um enorme aprendizado. Agindo assim, a vida se torna mais produtiva, mais fértil e  menos estéril. Mais descontraída e menos estressante. 

A vida nos ensina sobre a vida. A morte nos ensina sobre a vida. A alegria nos ensina sobre a vida. Também a tristeza nos ensina sobre a vida. Uma questão de perspectiva. Quem quer e busca, encontra ensinamento em tudo.

"Não corrigir as próprias falhas é cometer a pior delas". (Confúcio).

A vida exige flexibilidade para poder ser moldada às necessidades, às mudanças diárias e constantes. A rigidez que não acompanha o curso da vida acaba se tornando quebradiça, rompe com muita facilidade. 

A plasticidade cerebral é natural, e isso é um indicativo de que as mudanças são parte desse ajuste diário da vida. Aprendemos devido a essa maleabilidade do cérebro. "A experiência constante molda o cérebro e, nesse sentido, o cérebro é moldado pela experiência". (Oliver  Sacks). Essa é uma via de mão dupla.

O grande mestre das artes marcias, em especial o Kung Fu, Bruce Lee dizia: “Não é o que acontece que é o sucesso ou o fracasso, mas aquilo que ele provoca no coração do homem”.

Lições de vida sobre a vida. São tantas as lições, querendo aprender há sempre um mundo inteiro de mestres ao nosso dispor.

Então, qual a grande lição de hoje?


Waldez Pantoja

domingo, 23 de outubro de 2022

OS ACUMULADORES ESTÃO ENTRE NÓS

Não é o evento em si. O que aconteceu, aconteceu. Acabou! Ficou em uma terra distante chamada passado. Agora não passa de uma história. Não há volta. O que conta é o que fica; o que vive dentro de nós e insiste em querer se estabelecer. É com isso que temos que lidar hoje. Se felicidade, felicidade, alegria. Se tristeza, tristeza, dor e sofrimento. Mas, cabe a cada um de nós decidir o que queremos que fique e o que deixaremos ir. Descartar e não nos tornarmos acumuladores. 

Muitos de nós passam parte da vida acumulando inutilidades; são coisas que apenas atravancam a caminhada e o próprio desenvolvimento. Remorso, raiva, desgosto, amargura, desilusão, inveja, egoísmo, frustração, sentimento de vingança, ódio, medo, e tantos outros. E assim, passam a viver segundo aquilo que acumulam afetando muitos outros ao redor. 

Acumuladores compulsivos são pessoas que sofrem de um sério transtorno e não conseguem se livrar daquilo que adquiriram. Às vezes, lixo produzido mesmo. Essas pessoas apresentam enorme dificuldade de se separar de objetos que na verdade, nenhuma serventia têm. Muitos não acumulam objetos, mas sentimentos negativos. E passam a depender deles para sobreviver. Tornam-se adictos de tais sentimentos.

Continuar aprendendo é a única solução brilhante. A contínua busca da autoconsciência. Porque assim, renovamos e atualizamos velhos conceitos ultrapassados. A solução não está em outro lugar se não dentro de nós mesmos. Quanto mais longe buscamos uma solução, mais nos distanciamos dela.


Waldez Pantoja

sábado, 22 de outubro de 2022

Diga-me, qual é a solução?

 

Dizem que para tudo na vida há sempre uma solução. 

Não faz muito tempo que eu mesmo era incisivo em dizer — eu odeio filas. Até que a mentalidade começou a mudar. Primeiro comecei a levar um leitor eletrônico de livros para filas, consultórios, e outros... O Kindle é meu favorito. Não perco nenhum minuto do meu precioso tempo em uma fila. Isso porque, estou sempre lendo meus livros e aprendendo um pouco mais. Depois, aprendi que filas também trazem sempre algum ensinamento. Uma conversa aqui, outra ali. Podemos até escutar conversa alheia e aprender. Há até um termo específico para isso em Inglês. Chama-se, "gossiping". Algo como bisbilhotar.

O relacionamento é um processo de autorrevelação. Ele é o espelho em que você descobre a si mesmo — existir é relacionar-se. (Shannon Lee).

Na fila de ontem, um senhor puxou conversa comigo, e logo percebi que ele era "especialista" em várias áreas. Não perdi tempo e comecei a fazer apenas perguntas, nada além disso. E por incrível que pareça, nenhuma única vez ele disse não saber. Respondeu tudo a seu modo, seguro, firme e cheio de certeza.

Às vezes, o pouco saber pode ser um risco enorme, até pior do que o nada saber. Isso porque há sempre a possibilidade de distorção da realidade usando o pseudo conhecimento. Inclusive, pode levar a pessoa a pensar saber tudo, e a partir daí, começar a acreditar nos próprios devaneios. Acreditar que somente ela e seu grupo estão certos é um sintoma bem conhecido. 

Continuar aprendendo é uma solução brilhante. Porque assim, renovamos e atualizamos velhos conceitos ultrapassados. A solução não está em outro lugar se não dentro de nós mesmos. Quanto mais longe buscamos uma solução, mais nos distanciamos dela.

O senhor sabe tudo saiu da fila bem antes de mim, mas tinha um desafio a ser resolvido. A velha bicicleta havia emperrado a corrente. Ele já com as mãos sujas de graxa, tentei ajudá-lo, mas sem sucesso. Então, fiz a última pergunta: — E agora, qual a solução? Ele foi rápido e direto — Olha! Não tem jeito.

Surpreso? Pois é! Eu também fiquei. Mas com certeza havia sim uma solução.

Talvez o aprendizado seja mesmo o o combustível que move todas as ações que movem o mundo.


Waldez Pantoja

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

QUE FARDO É ESSE?



Carregamos fardos enormes com diversos nomes bem elaborados; conceito, pré-conceito, crenças, certezas, opiniões, julgamento, e tantos outros... E vez por outra, dedicamos um esforço enorme, apenas para sustentar todo esse peso, que na verdade, nos consome por dentro sem que tenhamos consciência.

Há sempre algo novo ao nosso lado esperando para ser descoberto, mas embotado pelo fardo que nos mantém presos em nós mesmos. E assim, vamos nos tornando pessoas atrofiadas, fechadas, indisponíveis para algo que pode nos levar à experiências incríveis.

Que luta é essa que travamos com nós mesmos tentando provar que estamos sempre certos, que somos melhores, que sabemos das coisas melhor do que os demais? Cheios de mecanismos inúteis em busca de aprovação. 

Todo cuidado é pouco ao tomarmos uma decisão duradoura ou mesmo permanente com base em uma emoção temporária. Isso pode se tornar um fardo tão pesado que irá nos consumir lentamente.

Não há bem ou mal sem nós, apenas percepção. Há o evento em si e a história que contamos a nós mesmos sobre o que esse evento significa. Esse é um pensamento que muda tudo. (Ryan Holiday).

Uma vida sem propósito é uma vida curta e triste. Há que se ter algo sólido por que lutar, sem a necessidade de fardos indesejáveis.

Quem sabe estar morto seja uma opção melhor do que viver morto. Enquanto vivo, vida. Viver para colher o melhor que a vida tem a oferecer. Sem provas. Sem obrigação de ser o melhor. 

Os fardos, cabe a nós mesmos carregá-los ou nos livrarmos deles.

Waldez Pantoja

terça-feira, 18 de outubro de 2022

QUANTO VALE?

Às vezes, atribuímos valor inestimável à coisas de valor questionável.

Somente pensamos que as coisas que compramos são aquelas pelas quais pagamos em dinheiro, enquanto consideramos gratuitas aquelas coisas pelas quais a moeda fomos nós mesmos. [...] No entanto, estamos totalmente preparados para obter coisas à custa da ansiedade, perigo, honra perdida, liberdade perdida e tempo perdido — pois não consideramos nada mais barato do que nós mesmos. (Sêneca).

De repente, estamos dispostos a nos dar em troca como moeda; nosso tempo, nossa liberdade, tudo o que realmente nos pertence de verdade em troca de coisas constatavelmente inferiores e de valor questionável.

O dinheiro é uma dessas coisas sem valor real, reside nele apenas um valor atribuído. Dinheiro não sacia a sede nem mata nossa fome. Muito mais se consegue sem o emprego de nenhum centavo, nenhuma moeda. A amizade, a atenção, a admimiração, o prazer do convívio com a família, a lealdade, um sorriso sincero, um abraço apertado, a cooperação, a caridade, amigos, a tranquilidade da alma, e muito mais...

O valor do dinheiro está na crença de que os outros também irão crer no seu valor. Uma convenção, que de tempos em tempos diminui, aumenta ou perde totalmente o seu valor. Convenção desfeita!

E tão grandiosa é a estupidez dos mortais que, quando conseguem as coisas mais baratas e desimportantes, facilmente substituíveis, concordam em ser cobrados por elas; no entanto, ninguém se considera em dívida se lhe foi tomado o tempo — embora seja a única coisa que nem mesmo o devedor mais grato possa reembolsar. (Sêneca, Epístolas).

Vale a pena o investimento nas coisas positivas que o dinheiro não pode comprar, porque essas, realmente têm valor incomparável.

sábado, 15 de outubro de 2022

A NATUREZA DA SEMENTE

 

Qual será a consciência da semente ao ser plantada? Será que ela em algum momento questiona quem a plantou? Será que ela se importa com quem a plantou ou apenas segue sua natureza? Germinar, brotar, crescer, reproduzir-se, e depois deixar que seus frutos também sigam naturalmente seu curso.

Nossos sonhos, nossos planos, nossas ideias, nossas crenças, nossas certezas, já não são sementes, e sim brotos em desenvolvimento. Quase nunca temos consciência das sementes que geraram tudo isso. De onde vem a semente, quem a plantou, como germina dentro de nós? Essa busca deve estar sob nosso controle consciente para que possamos optar por deixá-la que siga seu curso ou mesmo impedir que se desenvolva.

Tanto a semente quanto a terra onde ela é plantada, precisam ser de qualidade tal, que faça com que ela se desenvolva e produza bons frutos. Boas sementes em terra não fértil, terra fértil e sementes de baixa qualidade, comprometem os frutos.

As sementes não têm escolha, mas nós sim. Recebemos a semente e cada um de nós pode deixar que germinem e se desenvolvam ou podemos ainda impedir que tais sementes sigam a sua natureza. Uma escolha!

A natureza da semente é germinar. Não importando quem plantou. Bastando apenas um solo fértil.


Waldez Pantoja

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

NEM MUITO PERTO NEM LONGE EM DEMASIA

 

Relacionamentos parecem necessitar da observância da lei do distanciamento e da aproximação. Tudo na medida certa. Equilibro até nisso.

É preciso freqüentemente recolhermo-nos em nós mesmos: pois a relação com pessoas diferentes demais de nós perturba nosso equilíbrio, desperta nossas paixões, irrita nossas restantes fraquezas e nossas chagas ainda não completamente curadas.

[...] alternemos a solidão e o mundo. A solidão nos fará desejar a sociedade e esta nos reconduzirá novamente a nós mesmos; elas serão antídotas, uma à outra: a solidão, curando nosso horror à multidão, e a multidão, curando nossa aversão à solidão. (Sêneca).

Um estudo que ficou conhecido como número de Dunbar, diz que seres humanos conseguem administrar uma média de 150 pessoas, e assim, manter relações sociais estáveis. Para alguns outros primatas, esse numero é de cerca de 50 indivíduos. A partir daí os conflitos se tornam mais frequentes e o grupo tende a se dividir. Em seres humanos os conflitos são bem maiores e mais variados do que em outros grupos.

A presença do outro ou dos outros em nossa vida, é uma necessidade. Afinal, como seres gregários que somos, viver no isolamento total só abreviaria a nossa própria vida. Aliás, estudos comprovam que o isolamento e a solidão, são fatores preditivos de morte prematura. Apenas não deveríamos nos esquecermos do equilíbrio. Nem tão muito nem tão pouco demais. A atenção maior vai para qualidade dessas relações. Jamais a quantidade.

O que fazer? Uma única saída plausível é aprender com os porcos-espinhos. Eles aprenderam que para sobreviver, somente seria possível suportando as terríveis espinhadas uns dos outros. Caso contrário, morreriam de frio.


Waldez Pantoja

A PESTE E O VIAJANTE

Certo dia, um Viajante encontrou com a Peste lá pelas bandas do oriente, e ambos tiveram um diálogo. 

– Aonde vais, senhora Peste?

– Estou de passagem, mas já aviso que pelos arredores matarei 10 mil pessoas.

Alguém que ouvia a conversa, logo espalhou a notícia. O pânico tomou conta de quase todos na região. 

– É triste o que vais fazer, disse o Viajante.

Dias depois ambos se encontraram novamente, e o viajante estava bem irritado.

– Senhora Peste, tua promessa foi de que matarias 10 mil pessoas, mas na verdade, foram 100 mil mortas. Por que mentiste?

– Senhor Viajante, eu não menti, falei a verdade, matei apenas 10 mil pessoas, o restante morreu de medo.

"Sofrer antecipadamente é sofrer duas vezes".


Waldez Pantoja

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

TODOS OS DIAS UM RECOMEÇO

O nosso saber, deveria talvez, ser suficiente para reconhecer quão grande é a nossa ignorância sobre coisas que apenas percebemos superficialmente. E, quanto mais se busca saber, mais aumenta a percepção do quão pouco se sabe. Ainda assim, deve ser suficiente para levar uma vida de aprendizado diante dos desafios postos diante de nós.

Todo obstáculo é único para cada um de nós. Mas as respostas que provoca são as mesmas: medo, frustração, confusão, desamparo, depressão, raiva. (Ryan Holiday). 

Ter algum domínio sobre esses eventos é ter a consciência de que há sempre uma saída. Não há mal que dure eternamente. Quase sempre a única saída é seguir em frente, um recomeço.

Quem chega ao topo já deve saber que o próximo passo não será para cima, de forma alguma. Acreditando ter chegado lá, logo se descobre que permanecer ali pode ser até mais difícil e doloroso. 

Pequenos passos, pequenas conquistas, passo a passo, somos levados a destinos inimagináveis.

A quem não basta pouco, nada basta.(Sêneca).

É sempre um recomeço. Podemos perder muitas coisas que gostamos, necessitamos, mas nunca tudo. Sempre nos resta algo, o caminho, e é com esse algo que recomeçamos. Afinal, nada pode nascer do nada. É com o pouco que resta que se recomeça.


Waldez Pantoja

sábado, 8 de outubro de 2022

AS ILUSÕES E AS NOSSAS VERDADES

 


Não existe verdade no mundo lá fora, é dentro de nós que ela se abriga e é estabelecida. 

Após assumirmos algo como verdadeiro, verdade se torna. Já na infância certas verdades são estabelecidas, embora no mundo real, no mundo objetivo, a coisa não seja exatamente como a percebemos. 

O objeto é objetivo a parte da nossa percepção. A maneira como o vemos é subjetivo. Isso irá depender da distância, da iluminação, da acuidade visual, da emoção momentânea, das condições fisiológicas, das experiências anteriores, do contexto social, da perspectiva, do que relatam nossos pares, tudo irá interferir à percepção que é sempre subjetiva.

Como podemos chegar mais perto da objetividade? Isso não é fácil. Mas há inúmeras formas que podem nos ajudar. Os exemplos, as estatísticas, o resultado das nossas escolhas, a própria experiência, a observação, instrumentos de medição, a ciência, e tantos outros. 

As ilusões são o engano dos sentidos. Todos podem estar enganados, e  na verdade, estamos em muitos casos. Mas a escolha do vizinho já é um bom começo tomando a relação do resultado por ele obtido. 

Sei que colocar a mão no fogo, queima. Sabemos que pular do 7° andar, mata. Sabemos que tomar veneno nos leva a óbito. Embora certas ilusões possam nos fazer crer no oposto.

Nem sempre precisamos de uma experiência pessoal, a escolha do outro pode ser também um ótimo professor apenas analisando os resultados.


Waldez Pantoja

O que vemos, o que percebemos?

 

O que dói, ensina. (Benjamin Franklin).

- Senhor, por que chora o cão? 

- Chora porque está deitado em cima de um prego. 

- E por que não se levanta? 

- É porque não dói tanto...

Nem sempre o inimigo vem de um lugar distante, equipado com um potente tanque de guerra. O inimigo pode nascer dentro de cada um de nós.  A dificuldade em lidar com as situações interpostas em nosso caminho. Frustrações; demandas não atendidas; emoções fora do nosso controle consciente; nossos medos; hábitos e crenças limitantes; informações acima da nossa capacidade de absorvê-las; dúvidas criadas sobre um futuro sombrio; expectativas exageradas; e tantos outros.

Como não queremos abrir mão de uma posição que assumimos como certa, a melhor, a única que vale a pena, perdemos uma ótima oportunidade de aprendizado. Tornamos-nos cegos e surdos para tudo que venha a nos contrariar e abalar nossa estrutura.

Quanto mais investimos em um comportamento, maiores e mais fortes se tornam as raízes que o sustentam. Chega um momento que a mudança necessária se torna tão desafiadora que concluímos nem valer a pena mudar. Deixa como está! Há uma saída; mudar o comportamento, o hábito, a percepção.

Certa vez ouvi o Prof. Luiz Marins dizendo, "só há uma maneira de ir até a porta, é indo" -  pode-se traçar centenas de planos, mas sem o movimento em direção à porta, nada acontecerá.

Remova sua opinião do assunto e o “Fui prejudicado” é removido também. Remova o “Fui prejudicado” e o dano será removido. (Marco Aurélio, Meditações).


Waldez Pantoja

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Um caminho a ser trilhado


Há duas necessidades básicas que nós seres humanos buscamos: liberdade e segurança. Com elas garantidas, podemos seguir em frente em busca das conquistas que nos garantirão avançarmos rumo às grandes empreitadas planejadas.

Quando a liberdade não é possível, opta-se pela segurança. No entanto, sem liberdade, o que se tem é uma falsa sensação de segurança, que também pode representar risco constante. Que dilema!

Nossas ações podem ser impedidas... mas não há como impedir nossas _intenções ou disposições_, porque podemos nos acomodar e nos adaptar. A mente adapta e converte para os seus próprios propósitos os obstáculos às nossas ações. (Marco Aurélio). 

Aqui nós sentimos e realmente somos livres. Liberdade nas intenções e em nossa disposição em busca das realizações. 

A coisa destoa quando nós mesmos, em nossa ânsia autoritária, usamos o termo liberdade como forma de impor uma intenção, uma ideia, um pensamento, uma crença. E essa forma de agir não constrói pontes, mas sim muros altos. Cada qual mais certo ainda de que o outro precisa ser isolado o quanto antes. Assim, mantemos a hegemonia do nosso próprio autoritarismo travestido de liberdade.

Bons vendedores começam a venda fazendo duas coisas: falando o que o outro quer ouvir e prometendo aquilo que ele espera ganhar. Quase sempre sucesso garantido. Manipulação ou persuasão? 

Se não formos capazes de fazer a distinção entre um e outro, entregamos a nossa liberdade sujeitando-a ao autoritarismo do outro, e ainda seremos gratos por termos usado a nossa "liberdade".

"Se não há um caminho a ser trilhado, tudo a nossa frente se torna um obstáculo"

Waldez Pantoja

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Quem contra quem?



Toda notícia "espetacular", atende a algum anseio. Esta deve ser ponderada, analisada imediatamente. Assumir um comportamento cético-crítico, é muito importante nesses casos.


Quem ouve, ler, ver, pode ser vítima de uma coisa chamada, viés de confirmação, ou viés confirmatório. Isso ocorre quando percebemos aquela informação que confirma uma crença anterior, deixando de lado qualquer outra que a contradiga. 


Mesmo depois de negada a informação que assumimos como verdade, esta continua a produzir seus efeitos no cérebro. De alguma forma, como "vítimas", buscamos informações de maneira a confirmar a crença anteriormente estabelecida.


A ilusão cognitiva em relação aos juízos sociais nos coloca em uma difícil situação de ignorar qualquer informação que venha a desmentir uma crença. Descrer é muito mais difícil. Crer é fácil porque ativa nosso sistema dopaminérgico, a recompensa.


Nicholas Epley confirma que na maioria dos casos, não temos consciência das influências na construção de nossas crenças nem dos processos mentais que nos levam a elas. Apenas cremos.


As redes sociais se tornaram a versão eletrônica das antigas fofocas de portão. Só que atingem maior número de pessoas quase que instantaneamente, e causam maior estrago.


Pessoas fofocam por diversas razões. Talvez um enorme desejo de pertencimento ao grupo. Por tentar se sentirem superiores. Quem sabe até por insegurança mesmo, quando tentamos construir laços com nossos semelhantes.


Toda e qualquer notícia ou informação que desagrade partidários de algum lado, tende a ser combatida imediatamente. Um processo bem conhecido por nossos ancestrais, a auto preservação.


Mídia social nem sempre é jornalismo. Mas tende a ser aceita como tal, e com certa credibilidade.


A informação social com base em distorção proposital, pode causar danos, e, é de difícil reparação.


Nossa desconfiança com forasteiros, todos aqueles que não pertencem ao nosso grupo, não pensam, não agem como nós, pode ser intensificada quando buscamos apoio no grupo ao qual já pertencemos. Conflito a vista.


Formar grupos de coalizão, facilita nossa sobrevivência. Essa era uma maneira funcional de pensar de nossos ancestrais, mas que permanece até os dias atuais, mesmo que o outro não represente uma ameaça real. Dessa forma, partimos para o combate e o enfrentamento. "Eles são uma ameaça".


Nos tornamos seres das generalizações. Basta um comportamento discordante de um único membro de determinado grupo, para inferimos que todo aquele grupo tem o mesmo comportamento. 


Dessa forma, persistem as crenças. Reavaliar um comportamento depois de criarmos um estereótipo é sempre um grande desafio. 


Existe sempre uma base neurológica no comportamento, tanto com os de dentro quanto com os de fora. 


Qual será o nosso grupo? Por questões de sobrevivência, dividimos as pessoas em categorias, quando na verdade, pertencemos a um único grupo, seres humanos. 


É importante sempre duvidar de notícias que agradam demais, já que elas podem ter sido construídas apenas para agradar o leitor.


Adelante com mais tolerância e ponderação.


Prof. Waldez Pantoja

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

De quem é a culpa?

 

A eterna busca pelas causas das coisas. Quando não temos nossas demandas atendidas, buscamos culpados. Isso nos deixa melhores, em situação mais cômoda com nós mesmos, ameniza a dor e a frustração, desviando assim a nossa atenção e o foco da perda.

Não há culpados, há responsáveis. Terceirizar a responsabilidade é uma forma de amenizar a própria dor, o sofrimento que se prolonga. Mas, ineficaz a longo prazo.

Se você está angustiado por qualquer coisa externa, a dor não se deve à coisa em si, mas à sua estimativa dela; e isso você tem o poder de revogar a qualquer momento. [...] Você tem poder sobre sua mente – não sobre eventos externos. Perceba isso e você encontrará a sua força. (Marco Aurélio).

Escolhas, escolhas e mais escolhas.

A liberdade necessita de responsabilidade para que seja exercida em sua plenitude.

Quando vivemos um momento intensamente, ele se transforma em eternidade. O parecer é nosso, positivo ou negativo, aprendizado ou perda. Qual a escolha?

Waldez Pantoja

sábado, 1 de outubro de 2022

Nossas escolhas



Nossas escolhas quase nunca são racionais, elas são emocionais. Racional é o conjunto de justificativas que apresentamos para termos feito tais escolhas.

Os fatores de influência nessas escolhas são inúmeros. Na verdade são incontáveis. Os amigos, o ambiente que frequentamos, as ideias das pessoas mais próximas que ecoam e nos movem. Estamos sempre sob forte influência social. A necessidade de pertencimento ao grupo nos leva a escolhas que em um outro ambiente diferente, seriam totalmente contrárias.

Por isso, antes de julgar, analisar, buscar entender, compreender, o que nos leva à escolhas emocionais que pensávamos ser racionais.

Vale a pena analisar o meio de onde buscamos e abastecemos nossas mentes com informações que serão a base das nossas escolhas.

De onde vem a informação? Para o Cristão, deveria ser a Bíblia. Para o Musulmano, o Corão. Para os Hindus, os Vedas. E assim, continuamos influenciando e sendo influenciados.