LAMIA - A TRAGÉDIA
Acidentes são situações previstas através de algoritmos bem conhecidos. Dados estatísticos ajudam nas tomadas de decisão, mas nem sempre, há outros fatores ocultos envolvidos que são parcial ou totalmente desconhecidos. Aliás, dados em demasia, podem até atrapalhar.
Os acidentes típicos envolvem sete erros humanos consecutivos. Esta é a conclusão de um estudo de cálculo sobre acidentes e segurança, realizado entre 1978 e 1990 pela National Transportation Safety Board. Isto significa, que se algum erro fosse detectado, o acidente poderia ter sido evitado. De fato, não precisariam ser detectados 7 erros, mas um único seria o bastante. E foi!
No relato da fala entre a funcionária do aeroporto Celia Castedo e o piloto, ela detecta o erro que poderia evitar as mortes. Mas algo fez com ela não tivesse relatado o fato, e assim, evitado a tragédia.
Que fato foi esse? Muitos dirão que talvez tenha sido incompetência. Talvez, mas há algo oculto, que muitos de nós estamos sujeitos, um processo inconsciente, em especial ocorre com cidadãos de determinados países, a América do Sul se encaixa perfeitamente na teoria.
Geert Hofstede (1974) apresentou uma teoria chamada: Índice de Distância do Poder.
Segundo Malcolm Gladwell (2008), cada um de nós possui sua personalidade característica. Mas a ela se sobrepõem as tendências, os pressupostos e os reflexos transmitidos pela história da comunidade onde nascemos e crescemos - e essas diferenças são extremamente específicas.
A ideia do Índice de Distância do Poder (IDP), diz que, determinadas pessoas, têm na autoridade, alguém distante, que não pode ser contrariado, e isto, envolve as atitudes em relação a hierarquia, especificamente o grau em que uma cultura valoriza e respeita a autoridade. E assim procedem quando se deparam com situações típicas que exigem uma decisão mais assertiva. Até tomam uma posição, mas não levam a cabo, justamente pela Distância que separa ambos. Essa distância é real, algo que surgiu durante a fase do desenvolvimento da pessoa, e, se faz forte em determinadas situações.
Americanos por exemplo, tem índice de IDP baixo. A distância entre a autoridade e o cidadão dito comum, é baixa. Se a constatação do erro no plano de voo, fosse feita por uma pessoa com baixo IDP, o processo teria sido interrompido. Mas não foi o caso. O fato da funcionaria não ter sido mais incisiva, demonstra também seu alto IDP. O medo de perder seu emprego pode ter falado mais alto. Não se sabe.
A funcionaria estava certa ao questionar o piloto, mas sua sugestão implícita foi tímida. A reação do piloto foi ignorá-la por completo. Quem sabe ela não quisesse parecer rebelde, questionando insistentemente um piloto experiente. A defesa de sua opinião, dado ao alto IDP, não foi bastante o suficiente para impedir o piloto de continuar com o procedimento errôneo que levou dezenas à morte, inclusive ele próprio.
Suécia, Bélgica, Áustria, Holanda, Estados Unidos, têm baixo IDP. Naturalmente já imaginamos que alguns países Sul-americanos, têm alto IDP. E, isso é verdade. O Brasil tenta se posicionar, e em breve, quem sabe... Observando dentro de uma escala, alguns países vizinhos, têm índices maiores e outros menores.
Este não foi o primeiro acidente nos mesmos moldes, e se os protocolos não forem observados com maior rigor, É provável que ocorram outros.
Em um estudo realizado por Helmreich e Ashleigh Merritt, concluiu que os campeões do alto IDP são o Brasil e a Coreia do Sul. - lembrando que um baixo IDP, seria ideal.
A conclusão é, que a tragédia realmente estava praticamente "destinada" a acontecer, por motivos óbvios, o envolvimento dos responsáveis pela segurança do voo.