quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

O construtor de mapas

 

"Tu podes ir, e ainda que movas o teu corpo, é possível que permaneças inerte, parado, com a mente estagnada".

Certamente não queremos nos tornar apenas construtores ou leitores de mapas. Sabendo que o mapa não é o território, é tão  somente  uma representação, faz-se necessário a experiência do território real percorrido. É através da experiência da ativação do nosso sistema sensorial que percebemos os cheiros, os sons, os sabores, a textura das coisas, e assim, construímos uma visão consciente e não apenas automática diante da realidade exposta.

Percorrendo o território e não o mapa, aprendemos como nossas certezas se decompõem e novas dúvidas surgem. Uma oportunidade única para um novo aprendizado. Nenhuma viagem será a mesma, não importa o destino. 

Confrontados com novas ideias, terminamos por precisar exercitar a tolerância e buscar entender os diversos porquês da própria existência. A estrada e não o mapa nos proporciona tais experiências. Mudam os ares, mudam os cheiros, mudam os sabores, mudam as ideias que nos mantém confinados dentro de nossas próprias certezas.

Sob o domínio da escassez, perdemos um tempo precioso em busca de mais daquilo que já temos. E assim, a oportunidade das novas experiências se esvai, se dissipa. Nada será abundante, nada será pleno.

A curta viagem realizada vale muito mais do que aquela que jamais saiu do papel, que ficou somente nos traços do mapa, na mente onde abundam os devaneios.

"Porque o espetáculo da vida é viver". 

Waldez Pantoja

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