Continuamente travamos uma luta de anulação, embora muitas vezes não tenhamos tal consciência.
O apego a coisas passageiras, efêmeras, pode ser uma forma de anulação. Chega um momento em que o desapego se torna uma decisão obrigatória para continuarmos a caminhada. Viver a própria vida.
Há um fluxo, mudanças continuas, e, o apego nos torna vulneráveis. Criamos grandes expectativas diante de coisas que apenas passam. Cheios de cobiças que transportam infelicidade e atribulações.
Às vezes preferimos a ilusão porque ela pode ser moldada de acordo com as nossas expectativas e perspectivas diante da realidade. Quando buscamos ter mais, ser dono daquilo que passa, terminamos nos tornando menos. Anulação!
Quando tornamos pública a vulnerabilidade do outro e escondemos a nossa, também isso é anulação do eu. O medo da própria essência encoberta enquanto se expõe o outro.
A perfeição que se busca e se cobra do outro, pode ser apenas uma forma de encobrir as próprias frustrações, as nossas imperfeições que nos são caras, terríveis e vergonhosas.
Se não nos tornarmos oclusos, haverá uma porta, uma fenda por onde a luz estrará, e assim, seremos por ela iluminados sem anulação alguma.
Waldez Pantoja
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