quinta-feira, 11 de março de 2021

A ESTRADA DO MEDO

 

Pobre ser. O mais temeroso dos homens. 

Ele nasceu em um pequeno território, nunca foi além de suas próprias fronteiras. Muitas delas eram muros mentais que ele mesmo construiu. Cresceu limitado; sempre consumindo os mesmos alimentos, falando o mesmo idioma, andando pelos mesmos caminhos, cultivando os mesmos amigos com as mesmas opiniões que não mudam jamais. Seu mundo era tão pequeno com muros tão altos, que nada além podia ser vislumbrado. O pouco que aprendeu, nada compartilhou. Mesmo assim, cultivava muitos sonhos, sonhos que mais pareciam devaneios desordenados.

Temeroso sempre tinha boas respostas na ponta da língua quando o assunto era alguma realização significativa. "Ainda não é o momento certo"; "o dia ideal vai chegar";  "eu sei que as condições irão melhorar"; pobre temeroso, não sabia que as condições ideais estão dentro de cada um de nós. É lá que elas surgem, mas também onde são condenadas à morte, algumas morrem de inanição.

Certo dia, muito doente, já velho e desanimado, Temeroso percebeu que havia cometido um grande erro. - "Ah, se eu soubesse!", disse ele. Passou a vida com medo de errar, se preparando e acreditando que o mundo se resumia a seu restrito território. Cheio de grandes certezas inabaláveis, Temeroso desapareceu sem deixar vestígios.

Cada época com seus próprios medos. Adequação que também pode variar entre pessoas. O que não se pode fazer é desprezar essa emoção por completo, pois o risco seria iminente. Viver refém do medo nos impede, nos afasta de grandes conquistas. O medo de perder aquilo que não nos pertence também nos torna pequenos demais e incapazes. O que realmente é nosso?

Vá em paz, nobre e acomodado Temeroso Ser. Que sua vida sirva de exemplo a não ser seguido jamais.


Waldez Pantoja

Nenhum comentário:

Postar um comentário