Segure firme! Segure firme! Esta era a voz que um aventureiro ouvia após um salto duplo quase fatal em uma asa delta. O instrutor simplesmente esqueceu de afivelar o novato aventureiro, e por pouco a aventura não terminou em tragédia. Com muita sorte e força no braço, ambos pousaram em segurança.
De outra feita, em uma escalada à noite, um Alpinista caiu do alto de uma montanha muito fria. Como a corda de proteção estava presa ao homem, ele apenas ficou pendurado, não tocando o chão. De algum lugar uma voz ecoava dizendo: - "corte a corda, corte a corda". Mas sabe-se lá porque, o homem não cortou a corda. Talvez tivesse medo, estava muito escuro e ele não via nada abaixo dele. Pela manhã, o alpinista foi encontrado morto e congelado a apenas alguns centímetros do chão.
Duas situações distintas. Para salvar a vida, um teria que segurar firme. Já o outro, deveria soltar, largar-se, cortar a corda que o prendia. Assim é a vida. Às vezes, temos que nos agarrar, outras vezes, soltar o que nos prende, o que nos impede de seguir em frente. Algumas vezes experiências passadas nos salvam. Outras, nos mantém em apuros porque o paradigma estabelecido é forte demais para ser alterado.
Boécio dizia que a natureza da sorte é ser instável, não há nela nenhuma constância. Não podemos contar com ela sempre. Sorte é sorte! Thomas Hobbes acreditava que a segurança era muito mais importante do que a liberdade. Talvez por isso, o Alpinista não tivesse ousado cortar a corda, e por isso, morreu seguro.
Viver exige um contínuo estado de transformação, mudança e alternância. O que cabe em uma situação, talvez não caiba em outra. A vida em segurança é limitada pela fronteira da liberdade. Quem a ultrapassar se tornará livre, mas não seguro.

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