quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Se houver tempo

Se houver tempo

Como foste rápido, frívolo e efêmero diante da oferta abundante da vida. Por que desperdiçaste o tempo como se dele tu fosses senhor? O que anseias se não te moves, se te deixas consumir por sonhos e devaneios atados à rocha inerte? Caberá a ti mesmo elaborar teus dias e justificá-los de maneira tal que não te arrependas do ócio desejado.

Pávido e sem sorte alguma, ainda anseias pelo incerto e indeciso amanhã? Talvez diante do infortúnio, algum dia extra te seja concedido. Passaram, eles passaram, mas nós e os demais também colheremos o mesmo tributo da vida. E assim vive o ser, limitado por suas certezas, crenças, convicções, esperanças, seu próprio juízo.

Em nossa última contribuição, devolveremos os elementos que compõem o corpo à natureza, e eles, por sua vez, irão compor novos corpos, sediarão novas ideias, novos frutos. O ciclo estará pronto para continuar a jornada, trocas e permutas perenes.

Ah, como ainda tens um agora, quem sabe seja o momento de apreciar, desfrutar um único desejo, não haverá adição, nunca há. Desejo insólito, enche o peito, reúne tuas forças mais uma vez e te será aberta a porta que jamais cruzarás. Ainda assim, terás caminhado e vivido a tua imortalidade enquanto vida tiveres.

Waldez Pantoja

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