terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O GRADIENTE DA VIDA

 

Entre o nascimento e a morte vivemos o gradiente da vida. Variação onde nada é 100%, nada é conhecido em sua totalidade. Há sempre algo entre um estado e outro, minúcias completamente alheias à nossa compreensão.


Sabe-se que um gradiente trata da variação gradativa de uma determinada propriedade. Sobe, desce. Pode avançar ou deter-se. Esfria e depois volta a esquentar. Mal percebemos a transição dada a sutileza com ela ocorre.


O arco-íris é um desses fenômenos da natureza entre tantos outros que apresentam o espectro gradiente. Entre o azul e o vermelho há diversas cores, algumas imperceptíveis ao olho humano, mas estão lá.


Nada é 100% benéfico, nem maléfico. Aliás, as coisas em si são neutras, e nós, tratamos de dar sentido a tudo dentro da variação gradiente. Ninguém é sempre bom, nem mau; em algum momento, nós nos comportamos em falta e deixamos a desejar. Esperávamos mais de nós mesmos, mas não obtivemos o resultado esperado.


Entre amor e ódio, há um espectro gradiente. Entre o adulto e a criança, também uma passagem sutil que sequer conseguimos perceber. Quando nos damos conta, sentimos que houve uma mudança, embora seja difícil identificar o exato momento em que isso ocorreu. Mudou! 


Limitados, não compreendemos o mundo real, cada um trata de construir sua própria realidade, assim, simplificamos o mundo. Mesmo diante de evidências contrárias, tendemos a acreditar naquilo que nos conforta, o que para nós faz sentido. Se pararmos para analisar, um segundo olhar pode  revelar que nada é velho, tudo é novo, um gradiente antes não percebido, não detectado, agora é uma novidade.


A realidade do observador nunca é a mesma do objeto observado. Há nuances que nos escapam, nossas próprias limitações nos impedem de assimilar o todo.


Quando nos tornamos o que somos? Não sabemos, porque este é o gradiente da vida.


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