segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Dando a volta por cima

 


Você já deu a volta por cima? A resposta geral é sempre certeira. Sim!  Fazemos isso todos os dias, pena que esquecemos a maioria das vezes que isso acontece. Nenhum mal vem para ficar. Alguns nem precisamos fazer nenhum esforço e simplesmente a coisa desaparece assim como chegou. Tudo passa. 

As nossas dificuldades se tornam limitações quando decidimos não avançar, e assim, dificultamos o processo; quando nos fechamos dentro de nossas próprias certezas; quando transformamos a nossa perspectiva na única forma de ver o mundo; quando insistimos em acreditar que não vai passar.

Nossos sentidos limitam a realidade do mundo lá fora. A partir daí, vale o que assumimos como real, como verdade, sem considerarmos as nossas próprias limitações. E quais são elas? Tudo que estiver fora do nosso controle. O mundo lá fora não nos pertence. 

Gostamos das coisas que confirmam nossas crenças e rejeitamos as evidências contrárias, aquilo que refute o que construímos como real. Mesmo diante de evidências contrárias, tendemos a acreditar e reforçamos o que nos conforta. Uma ilusão, o engano dos sentidos. A realidade do observado nunca é a mesma do objeto observado, trata-se de uma construção paralela. 

Se não considerarmos ideias contrárias, terminamos nos tornando escravo de nossas próprias certezas, limitados há um mundo de ilusão alicerçando uma construção dada como finalizada sem possibilidade de avanço. Fala-se aqui de consideração, e não de dependência de opiniões alheias as nossas. 

Quem rejeita a mudança, despreza também a possibilidade de crescimento e do aperfeiçoamento constante. O objetivo do diálogo é exatamente enriquecer a nossa compreensão do mundo e de nós mesmos.

A natureza humana não é intrinsecamente moral; ela é intrinsecamente moralista, crítica e propensa ao julgamento. [...] Somos de fato egoístas tão habilidosos em encenar a virtude que até enganamos a nós mesmos. [...] Nós nos agrupamos em torno de valores sagrados e, em seguida, compartilhamos argumentos posteriores sobre o porquê de estarmos tão certos e “eles” tão errados. (Jonathan Heidt).

Cada indivíduo é um pouco do outro, parte do outro, um composição de vários outros. E desta forma caminhamos; compondo, editando, reescrevendo, apagando, e acrescentando novos capítulos ao enredo chamado vida. Nós seres humanos estamos sempre em construção, somos ainda imperfeitos, inacabados, não finalizados. Pena que muitas vezes nos esquecemos disso e nos apressamos em julgamentos que condenam o outro e isentam a nós mesmos, ainda que inconscientemente comentamos as mesmas falhas ou outras piores. Limitados, sequer percemos a nossa própria condição. Isso também dificulta a volta por cima.

A pressa se torna nossa inimiga quando invertemos a ordem das coisas, e, antes da compreensão usamos a condenação. Ao condenar o outro, talvez estejamos a condenar a nós mesmos. Isso pode ser o resultado da nossa sede de justiça imediata.

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