terça-feira, 23 de agosto de 2022

COMO SOMOS PERCEBIDOS POR ONDE PASSAMOS?

 



Independente da nossa vontade, as pessoas sempre irão nos perceber de alguma forma. Seja pela maneira como nos vestimos; a maneira como nos comportamos; a maneira como falamos; e até mesmo como gesticulamos, caminhamos, e outros. Se vale a pena ser percebido, pode valer a pena ser bem percebido.


Meu amigo passava por uma fase interessante. Precisava trabalhar, e logo achou um emprego que prometia um futuro brilhante. Uma exigência não podia ser negada, vestir terno todos os dias. Terno é o conjunto composto pelo paletó, calça e acessórios. Completo.


Não sabia ele que todas as manhãs era percebido pela vizinhança que não tinha o mesmo costume que ele - andar todo arrimadinho com seu terno impecável. Uma rotina que ele cumpria todos os dias naquele pobre bairro.


Certo dia meu amigo cansou, pediu demissão e saiu daquele trabalho. Aposentando assim o impecável terno. Mas isso não ficou impune. 


Certa hora do dia, meu amigo resolveu ir à padaria comprar alguns pães. Sandália havaiana, shorts, uma camiseta, vestido tal qual os demais daquela comunidade. Foi aí que ele ouviu uma frase que até hoje ecoa e ele mesmo conta como piada nas rodas de amigos. - Ei! Ei! Cadê o teu paletó? Desgraçado! 


Era apenas uma pessoa embriagada e que todos os dias estava ali a observar meu amigo indo ganhar o dia. Era um adicto sim, mas um observador como tantos outros ao nosso redor.




Waldez Pantoja


Especialista em Neurociências Clínica

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

QUAIS SÃO AS SUAS DEZ MELHORES COISAS DO MUNDO?

 

Calma! Não tenha tanta pressa em responder. Até porque sua lista pode ser enorme e bem maior do que apenas dez itens aleatórios.

Quando me empenho em fazer essa pergunta ao vivo, frente a frente, as pessoas conseguem enumerar três ou no máximo cinco coisas, são eventos aleatórios. A partir daí, o que vem não tem a devida importância real, são apenas elementos para preencher a lista.

Esse é um exercício simples, mas que tem um poder enorme de mudar o momento presente e até nosso dia. As melhores coisas do mundo têm a ver com nossas experiências. São eventos pelos quais passamos, e, ao evocarmos se tornam presente. Ao recuperarmos de volta à memória, acedem as mesmas boas emoções no momento presente. 

E qual a importância disso? É porque, "Quando nossa mente está alegre e compassiva, o mundo também está; e se está repleta de pensamentos negativos, o mundo ganha esse aspecto". (Heamin Sunim).

Naturalmente tenho a minha lista dos dez melhores momentos, as melhores coisas que já aconteceram na minha vida, mas a lista é constantemente atualizada. E claro, a lista está sempre a postos, é sempre um evento presente que tem o poder de regular emoções e nos abastecer de bons sentimentos para o dia.

Talvez você nem precise de uma densa lista com tantos eventos, apenas um quem sabe, desde que a experiência seja forte o suficiente para evocar uma memória extraordinária e torná-la uma boa experiência presente. 

E você, tem uma lista também?



Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

domingo, 21 de agosto de 2022

Emoções reguladas, vidas aprovadas

 

Certamente as experiências se acumulam com o tempo. Se haverá ou não aprendizado, isso dependerá daquele que passa pelas experiências.

Não nos tornamos mestres de nós mesmos em um dia. Isso pode levar uma vida inteira. O aperfeiçoamento é um trabalho diário de constância e disciplina. De repente, sem esperar, cometemos o mesmo erro de antes.

Somos facilmente moldados pelos nossos pensamentos e hábitos que geram diversas emoções, que por sua vez geram novos pensamentos. Um ciclo que não cessa jamais. É contínuo. Por isso, a vigilância também deve ser constante. 

Todos nós sabemos que diante de certas emoções não deveríamos tomar decisões imediatas. Precisamos de tempo para refletir e fazer a melhor escolha. 

Diante desse fluxo permanente esquecemos o que havíamos aprendido. Frente a uma forte emoção, as funções executivas, aqueles responsáveis por habilidades cognitivas necessárias para controlar nossos pensamentos e as respostas emocionais, se tornam obscurecidas, inacessíveis. Necessitamos de tempo.

Nossas emoções são alertas, funcionam como um sinal, chamam a nossa atenção para que possamos tomar uma decisão apropriada, um impulso que nos move. Mas é a razão que devemos usar para melhor direcionar e regular as nossas emoções. Expostos aos estímulos, respondemos com uma emoção, se não a regularmos, iremos continuar agindo sempre no automático. Tornamo-nos reféns de nossos próprios hábitos até começarmos a trabalhar a autoconsciência identificando a causa, a raiz da emoção que se apresenta.

Nada é pesado se encararmos com leveza; nenhum fato precisa provocar ira se não depositarmos ira ao fato. [...] O que importa não é como a ofensa é feita, mas como é recebida. (Sêneca).

Não se regula uma emoção sem o uso da razão.


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

ENSINA A CRIANÇA NO CAMINHO EM QUE DEVE ANDAR


Crianças não nascem sabendo, principalmente aquilo que queremos que elas saibam. O ambiente onde elas crescem, se desenvolvem, é o maior centro de informação e aprendizado que levarão para a vida toda.

É no lar que recebemos as primeiras noções de civilidade. - Bom dia! Boa tarde! Como vai você? Desculpa! Com licença. Eu te amo. Você me perdoa? Obrigado! A partir daí somos integrados à sociedade com o mínimo necessário para a convivência com o outro. Esse aprendizado é contínuo, não cessa jamais. 

Não haverá cobrança daquilo que não foi ensinado. Não haverá necessidade de retaliação, nem punição, nem castigo, se antes houver empenho ensinando e educando. A educação é sempre anterior a punição. Se há alguma necessidade de punição é porque faltou educação, o ensino não foi eficaz. Muitas vezes é mais fácil punir do que educar, ensinar. Isso porque, ensinar leva tempo, muita dedicação, paciência, compreensão, domínio das próprias emoções, muito amor envolvido. E principalmente, os exemplos. Crianças aprendem facilmente através dos exemplos, somente observando.  

O ensino trata da transmissao do conhecimento. Já a  educação entrega um conjunto de hábitos e valores.

Cada um tem seu próprio tempo de aprendizado. Não existe um só método que tenha dado o mesmo resultado com todos os alunos... O ensino torna-se  mais eficaz quando o professor conhece a natureza das diferenças entre seus alunos (Wilbert J. Mc Keachie). 

Além de ensinar e educar, há a necessidade da verificação constante para sabermos se o aluno realmente aprendeu, absorveu a informação adequadamente, sem desvios. Ensinar não é entregar conteúdo apenas. Vai muito além.

Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

terça-feira, 16 de agosto de 2022

MEU MELHOR DIA. SEU MELHOR DIA, HOJE

Certo vez li um pensamento que achei fantástico. "Quando precisar escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil, entre ter paz e estar certo, escolha ter paz ". A gentileza sempre nos colocará no lugar certo, diante das coisas certas e maravilhosas. Uma mente tranquila e em paz é sempre uma dádiva.

Já faz algum tempo que tenho tentado manter dois pensamentos diários presentes. No início do dia pensar - hoje será meu melhor dia. E ao fim do dia, refletir e concluir, hoje foi meu melhor dia. Uma vida sendo vivida no presente. Sem muita pressa, apenas viver, aproveitar o que se apresentar.

Já a beira da morte, Oliver Sacks dizia no seu livro gratidão: "Lamento ter perdido tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria". Ainda assim, ele contrubuiu enormemente com ciência e era grato por tudo.

Um bom dia não é apenas quando tudo sai perfeito. É também um dia de aprendizado. E, quanto mais se aprende, melhor deverá ser o dia. Um péssimo dia é aquele em que não nos esforçamos de verdade para aprender algo novo. Há coisas a serem aprendidas todos os dias em todos lugares.

Já nascemos com uma força incrível, prontos para o aprendizado, munidos com aquele impulso que nos torna vencedores todas as manhãs. Não se trata de ter mais ou menos força, mas apenas de saber usar o que já temos, aquela força que inesperadamente brota lá do fundo da nossa alma.

De repente damos adeus a um dia que cederá lugar a outro ainda melhor. Basta aproveitar enquanto vida tivermos. Aprendendo, compartilhando, esquecendo e relembrando. Editando a vida.

Porque hoje ainda é nosso melhor dia. É quando algo extraordinário ainda pode ser feito. Porque o espetáculo da vida é viver.

Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Dando a volta por cima

 


Você já deu a volta por cima? A resposta geral é sempre certeira. Sim!  Fazemos isso todos os dias, pena que esquecemos a maioria das vezes que isso acontece. Nenhum mal vem para ficar. Alguns nem precisamos fazer nenhum esforço e simplesmente a coisa desaparece assim como chegou. Tudo passa. 

As nossas dificuldades se tornam limitações quando decidimos não avançar, e assim, dificultamos o processo; quando nos fechamos dentro de nossas próprias certezas; quando transformamos a nossa perspectiva na única forma de ver o mundo; quando insistimos em acreditar que não vai passar.

Nossos sentidos limitam a realidade do mundo lá fora. A partir daí, vale o que assumimos como real, como verdade, sem considerarmos as nossas próprias limitações. E quais são elas? Tudo que estiver fora do nosso controle. O mundo lá fora não nos pertence. 

Gostamos das coisas que confirmam nossas crenças e rejeitamos as evidências contrárias, aquilo que refute o que construímos como real. Mesmo diante de evidências contrárias, tendemos a acreditar e reforçamos o que nos conforta. Uma ilusão, o engano dos sentidos. A realidade do observado nunca é a mesma do objeto observado, trata-se de uma construção paralela. 

Se não considerarmos ideias contrárias, terminamos nos tornando escravo de nossas próprias certezas, limitados há um mundo de ilusão alicerçando uma construção dada como finalizada sem possibilidade de avanço. Fala-se aqui de consideração, e não de dependência de opiniões alheias as nossas. 

Quem rejeita a mudança, despreza também a possibilidade de crescimento e do aperfeiçoamento constante. O objetivo do diálogo é exatamente enriquecer a nossa compreensão do mundo e de nós mesmos.

A natureza humana não é intrinsecamente moral; ela é intrinsecamente moralista, crítica e propensa ao julgamento. [...] Somos de fato egoístas tão habilidosos em encenar a virtude que até enganamos a nós mesmos. [...] Nós nos agrupamos em torno de valores sagrados e, em seguida, compartilhamos argumentos posteriores sobre o porquê de estarmos tão certos e “eles” tão errados. (Jonathan Heidt).

Cada indivíduo é um pouco do outro, parte do outro, um composição de vários outros. E desta forma caminhamos; compondo, editando, reescrevendo, apagando, e acrescentando novos capítulos ao enredo chamado vida. Nós seres humanos estamos sempre em construção, somos ainda imperfeitos, inacabados, não finalizados. Pena que muitas vezes nos esquecemos disso e nos apressamos em julgamentos que condenam o outro e isentam a nós mesmos, ainda que inconscientemente comentamos as mesmas falhas ou outras piores. Limitados, sequer percemos a nossa própria condição. Isso também dificulta a volta por cima.

A pressa se torna nossa inimiga quando invertemos a ordem das coisas, e, antes da compreensão usamos a condenação. Ao condenar o outro, talvez estejamos a condenar a nós mesmos. Isso pode ser o resultado da nossa sede de justiça imediata.

AS LIMITAÇÕES DE TODOS

 


Nós deveríamos ser os maiores especialistas em nós mesmos. Por nos esquecemos disso, terceirizamos essa competência e passamos a viver de acordo com a superficialidade de julgamento, juízo e opinião do outro sobre nós.

Ninguém sai impune quando convive com o outro. Tanto influenciamos quanto sofremos influência de diversas formas. Como seres gregários que somos, a dependência um do outro é um padrão a ser sempre observado. Aquele comportamento que condenamos no outro, pode muito bem ser fruto da convivência absorvida a partir de nós mesmos.

Vale sempre uma observação comportamental em nosso convívio diário. Quando nos concentramos única e exclusivamente no comportamento tanto do outro quanto também no nosso, e não nas causas da conduta, deixamos nos levar pela superficialidade. Tornamo-nos limitados sem nenhuma compreensão aprofundada da situação.

Apressadamente condenamos o outro quando nos deparamos com aquilo que não toleramos dentro de nós mesmos. Isso porque a dor é insuportável. Ela está lá, latente e pronta para uso. Uma forma de desviar o foco de nós mesmos apontando a mira para o outro. O processo pode até ser automático e inconsciente.

Marc Brackett nos apresenta algumas estratégias que podemos utilizar buscando regular as nossas emoções:

O controle da respiração consciente. Respiração controlada diante de um estímulo emocional desconfortável. 

A antecipação - podemos modificar o nosso ambiente antecipando as respostas escolhendo qual queremos aplicar.

O desvio da atenção - mudar o foco, analisar e buscar alternativas para podermos obter a melhor resposta aos estímulos. 

Nada disso é fácil sem um longo período de autoanálise e autoconsciência de nossos estados emocionais. 


Waldez Pantoja

Especialista em Neurociências Clínica.

sábado, 13 de agosto de 2022

NOSSOS JULGAMENTOS E ESCOLHAS

 

A fama, a reputação, a notoriedade e a gloria nos deixam inebriados. De repente, passamos a acreditar em opiniões superficiais sobres nós mesmos. Valorizamos a opinião dos outros e esquecemos da nossa, que na verdade tem valor muito superior.

Uma vez passado o efeito, o encanto, nos deparamos com a realidade que se esconde atrás dos aplausos e até ofuscam o brilho produzido artificialmente.

Reiteradamente lutamos e buscamos coisas supérfluas, aquilo que irá nos aflingir e intorpecer a nossa alma. Gostamos das ilusões, e às vezes, sequer as percebemos. Talvez, isso ocorra porque elas mascaram a realidade e nos reconcialiam com o ideal desejado mediante devaneios efêmeros que nos visitam dia após dia.

O esforço não pode ser apenas pela aparência para impressionar os outros, pois esses, pouco se importam com isso, eles já têm a própria vida de aparência para cuidar.

Felicidade também é escolha. Quem escolhe ser feliz tem todos os motivos do mundo a sua disposição. Assim também a tristeza; a raiva; a amargura; a inveja e outros... 

Reagimos aos nossos julgamentos e opiniões— aos nossos pensamentos em relação às coisas, e não às coisas em si. (Ward Farnsworth).

Cada um de nós constrói o próprio castelo, e nele, escolhemos viver felizes ou infelizes. Aquele que aprende a ser livre, livre é.


Waldez Pantoja

Espec. Neurociências Clínica 

LIMITADOS POR NOSSAS LIMITAÇÕES? (I)


Os documentários que envolvem animais são meus favoritos. Não raras vezes me pego a questionar sobre a natureza da zebra e a do leão. Ambos lutam pela sobrevivência. De repente, em flagrante impeto, um foge, o outro persegue e mata para se alimentar. Se ao menos a zebra pudesse voar. 

Aparentemente nada pode ser mudado porque essa é a natureza deles. 

Nós seres humanos também de alguma forma nos encontramos limitados segundo a nossa própria natureza.

Apesar de limitados, há muitas áreas em nossas vidas que com algum esforço podemos dar um enorme salto. Superação daquilo que pensávamos ser uma limitação. Crenças limitantes podem ser dominadas e vidas transformadas.

O curioso é que muitas vezes nossas limitações nos impedem de percebemos as próprias limitações. Citando apenas uma, diante de nós encontra-se a limitação do controle emocional. Fonte de grandes conflitos, mortes, guerras, doenças, e tantos outros.

Mesmo que jamais tenha cometido o mal, você é capaz de fazê-lo. (Sêneca). 

Solução

Ao observar as falhas alheias, todos devem estar preparados para repetir para si a declaração de Platão: “Será que não sou exatamente como eles?” (Jonathan Heidt).

Como para tudo na vida há uma solução, também existe solução para a cruel condenação e o julgamento que impomos tanto ao outro quanto a nós mesmo, ainda que diante da presumida inocência. - A autoconsciência. Isso deve ser um esforço contínuo, permanente, porque vez por outra nos esquecemos e fracassamos enquanto vigiamos.


Waldez Pantoja

Espec. Neurociências Clínica 

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Meu novo carro

Meu novo carro, último modelo. Tem até emoções e sentimentos.

Não há dúvida alguma de que carros sempre fascinaram os consumidores desde a sua criação. Os motivos são muitos. A beleza, a velocidade, o comforto, a cor, o estatus, e principalmente a sua utilidade. Embora alguns na verdade, causem muitos mais danos ao meio ambiente e dor de cabeça ao seu proprietário.

E as emoções do carro novo?

Assim como nós seres humanos, os carros também possuem uma versão minimizada de "emoções e sentimentos". Todos os carros apresentam uma versão desse comportamento humano.

Antônio Damásio, nos diz que, as emoções são públicas, enquanto os sentimentos são privados.

Quando um carro para no meio do trânsito, todos percebem isso. Trata-se de uma "emoção". (pública). As pessoas notam algo, mas somente o proprietário lendo o painel, sabe que o carro está sem combustível ou descarregado. Cada transeunte imagina uma causa distinta. O painel já vinha informando isso e o motorista negligenciou, causando assim a pane. O proprietário agora tem a consciência da falha, onde ela está localizada, e até sabe o porquê, o que fez o carro entrar em pane. ("sentimento").

Quando não for possível identificar a falha, um especialista deve ser consultado. No caso do carro será um mecânico. Para o ser humano temos o médico, o psicólogo, o psiquiatra, e outros.

Estamos sempre sentindo algo, em geral mais de uma coisa ao mesmo tempo. Nossas emoções estão num fluxo constante, não são um evento ocasional. (Marc Brackett, 2021).

A solução para o carro é fácil, reabastecer, recarregar as baterias, caso contrário, o carro não irá cumprir sua principal função, a da locomoção do seu proprietário. 

Carros sofisticados contém muito mais informação no painel, isso facilita a manutenção. Nos seres humanos é a autoconsciência. Essa, funciona tal qual o painel do novo carro.

Naturalmente as possíveis panes no carro são limitadas e de fácil solução. Já nos seres humanos, sentimentos e emoções são de grande abrangência e quase sempre combinadas. Não cessam jamais.

A emoção é uma sinalização, uma resposta a um determinado estímulo, e ela é adaptativa. Já o sentimento é quando nos damos conta de que algo está acontecendo. Quando tomamos consciência, a percepção das próprias emoções. A partir daí nós as qualificamos como positivas ou negativas. 

E como andam as emoções e os sentimentos do seu carro, da sua moto, do seu meio de locomoção?

Waldez Pantoja

sábado, 6 de agosto de 2022

COMO ENTENDO A FELICIDADE

 


Não creio que se encontra felicidade buscando felicidade. A felicidade não é nem um produto nem um objeto, é antes consequência, resultado de nossas boas escolhas e nossos atos. Um bem ao nosso dispor. 

É mais sensato plantar as sementes para que se colha os frutos. Uma única semente renderá milhares de frutos e ainda outras sementes que poderão ser multiplicadas. Assim também a felicidade.

A felicidade se manifesta por todo o percurso, não se deve esperar que ela esteja em algum ponto no fim da jornada. "Quando eu chegar lá, quando eu conquistar isso ou aquilo, serei feliz".  Já é feliz aquele que constrói os meios, a ponte por onde trilha a felicidade. Os meios mais eficazes são: o amor, a caridade, a compaixão, o amparo, o altruísmo, a mão amiga, o colo que acalenta, o ouvido que ouve e se esforça por entender o que sente o outro.

A felicidade compartilhada contagia muitos e gera mais de si mesma.

Não nos esqueçamos que a adversidade faz parte desse constructo. Enquanto toleramos e administramos a adversidade, também clarificamos a trilha por onde ela caminha.

"A intensa busca da felicidade é a via rápida para a infelicidade"

Waldez Pantoja

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

A nossa opinião sobre o outro

 

Não são raras às vezes que nos encontrarmos a tercer comentários e emitir opinião sobre o outro. Algumas são opiniões que na verdade seriam muitos mais apropriadas a nós mesmos. Frequentemente falhamos em manter sob controle esse ímpeto.

A superficialidade é a matéria prima que incide sobre esse hábito e nos move em direção à conclusões baseadas na superfície, quando na verdade, nas profundezas há sempre algo que jamais teremos acesso.

Para cada opinião emitida cabe antes uma pergunta e também uma reflexão: será que essa opinião não é sobre mim mesmo refletida no outro?

É mais fácil encontrar as falhas e os erros de outrem porque as nossas não podem ser vistas com nossos próprios olhos. Somente a autoconsciência pode evidenciar nossos próprios erros, e esta, não é de uso corriqueiro.


Waldez Pantoja

Opiniões e julgamentos


A fama, a reputação, a notoriedade e a gloria nos deixam inebriados. De repente, passamos a acreditar em opiniões superficiais sobres nós mesmos. Valorizamos a opinião dos outros e esquecemos da nossa, que na verdade tem valor muito superior.

Uma vez passado o efeito, o encanto, nos deparamos com a realidade que se esconde atrás dos aplausos e até ofuscam o brilho produzido artificialmente.

Reiteradamente lutamos e buscamos coisas supérfluas, aquilo que irá nos aflingir e intorpecer a nossa alma. Gostamos das ilusões, e às vezes, sequer as percebemos. Talvez, isso ocorra porque elas mascaram a realidade e nos reconcialiam com o ideal desejado mediante devaneios efêmeros que nos visitam dia após dia.

O esforço não pode ser apenas pela aparência para impressionar os outros, pois esses, pouco se importam com isso, eles já têm a própria vida de aparência para cuidar.

Felicidade também é escolha

Nenhuma servidão é mais vergonhosa do que a autoimposta. (Sêneca).

Felicidade também é escolha. Quem escolhe ser feliz tem todos os motivos do mundo a sua disposição. Assim também a tristeza; a raiva; a amargura; a inveja e outros... 

Prisioneiros têm dias felizes também, enquanto muitos livres insistem em viver amarguradamente enclausurados e infelizes.

Cada um de nós constrói o próprio castelo, e nele, escolhemos viver felizes ou infelizes. Aquele que aprende a ser livre, livre é.

Waldez Pantoja

O CASTELO DA FELICIDADE

Nenhuma servidão é mais vergonhosa do que a autoimposta. (Sêneca).

Posso reparar a sua moto?  Assim começou uma conversa após eu abastecer e estacionar a moto em frente a um restaurante próximo ao  posto de gasolina.

Era um senhor de meia idade em busca de algum trocado. Em tom de brincadeira eu disse que naquele dia eu estava cobrando pela exposição da moto. A língua certeira dele disparou: "é rico, mas miserável". O sangue subiu, a orelha esquentou, e a língua coçou.

Como se eu tivesse saído de um retiro espíritual com monges enclausurados nas montanhas do Tibet, retomei a rédea e perguntei: o que você quer? - Comer, só isso, estou com fome, disse ele.

Aproximadamente 13:30h, a melhor hora para almoçar. É quando a fome se torna o melhor tempero. Vamos lá! Vamos comer. Convite feito e aceito na hora.

Sentamos à mesa e ali começou um longo interrogatório como aperitivo. O homem era falante mesmo. 

- O senhor é feliz? 

- Sim! Na medida do possível. Respondi eu.

- O senhor paga seus impostos?

- Na verdade, entrego ao governo. É sempre um assalto.

- O senhor paga luz e dorme bem a noite?

- Pago sim, se não pagar eles cortam e eu fico no escuro. Durmo bem sim, às vezes não.

- Pois é! Eu também não pago aluguel. Durmo muito bem, ali mesmo ao lado da borracharia. Não pago luz, ela fica ligada a noite e durante o dia tem o sol. Nem pago imposto também. Não é uma vida boa? 

- Não sei, aí é você quem deve responder a sua pergunta.

- Sabe de uma coisa? Em todo lugar tem gente feliz e gente triste, não é mesmo? Agora mesmo, o príncipe, aquela lá, filho da Rainha da Inglaterra está brigando com a mãe. A família toda brigando. Ele vai sair daquele maravilhoso Castelo. O homem tá triste. Coitado! E eu aqui, feliz da vida porque ganhei um almoço.

Paguei a conta e ele disse: valeu!

Nem eu seu o nome do homem e nem ele sabe o meu. Mas creio que nem eu nem ele esqueceremos um do outro. Vidas marcadas para sempre.

Quem aprende a ser livre, livre é.

Cada um de nós constrói o próprio castelo, e nele, escolhemos viver felizes ou infelizes.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

A piscina do meu amigo


Esse era o grande sonho do meu amigo, ter sua própria piscina. E logo tratou de colocar a ideia em prática.  Pouco tempo depois meu amigo era pura felicidade. Agora tinha uma piscina só dele.

Não demorou muito e os amigos descobriram a grande conquista. Até porque ele também queria que todos soubessem disso. 

O tempo passou e meu amigo já não mais usava tanto a sua piscina, os amigos dele sim. Estes eram pontuais. Aos domingos tudo que ele queria era dormir até tarde, mas havia sempre um parente, um amigo, o amigo do amigo que chegava de surpresa para usurfruir a nova piscina. 

Sentindo-se importunado, meu amigo tomou uma drástica decisão. Para não  se indispor com todas aquelas pessoas, ele decidiu vender a casa e comprar outra, sem piscina. Até porque, ele já havia descoberto que a piscina não era nada assim tão interessante como ele imaginara. Os benefícios eram insignificantes diante de tanto trabalho para mantê-la pronta para uso.

Nenhuma servidão é mais vergonhosa do que a autoimposta. (Sêneca)

A busca incessante pode ser uma pseudo fonte de prazer, que se não bem adminstrada se torna também aflição. Logo após a conquista pode ser que reste apenas o desencanto mesmo, quem sabe a indiferença. Quem não tem, teme não conseguir realizar o desejo, e assim, será aflingido pela ansiedade que cobrará o seu preço.

Se é do seu interesse, conquiste algo para perceber como a expectativa era maior do que o bem conquistado. Que a felicidade pretendida logo se dissipa e tudo volta a ser como antes. A busca é constante, ela não se satisfaz, não se dá por vencida.

Waldez Pantoja