Às vezes se constrói um conceito, uma ideia de liberdade um tanto questionável. E assim, muitos levam a vida acreditando que essa é a verdadeira liberdade: fazer tudo o que se quer.
Ao nascermos somos seres ainda limitados, dependentes, sem a devida consciência do ambiente no qual estamos inseridos. Racionalidade ainda limítrofe.
Cercados pelo perigo, sequer nos damos conta dos riscos aos quais estamos expostos. Conforme nós nos desenvolvemos, nossos atos volitivos também se intensificam, e passamos a querer com muito mais tenacidade. É quando o indivíduo se coloca na condição de escravo da própria vontade, e ainda chama isso de liberdade.
Embora tenhamos nascidos limitados e dependentes em diversos sentidos, por certo, nascemos prontos para o aprendizado e chamados à liberdade. Não fazer o que se quer, aquilo que se deseja, também é ser livre. Ser capaz de controlar seus próprios impulsos. Declinar da vontade alimária, deixar de ser conduzido exclusivamente pela servidão autoimposta, isso é um exercício de liberdade.
Quantos hábitos criados pelo caminho deixam o homem sob a servidão da vontade? Ele quer, ele continua fazendo, não é capaz de se desvencilhar das amarras que o próprio denomina liberdade.
"É natural no homem o ser livre e o querer sê-lo; mas está igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá. [...] É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios." (Étienne de la Boétie).
Talvez tenhamos nascidos prontos para servir, mas não para a servidão. Eis a confusão. O autoengano também nos leva a essa condição de escravidão.
Waldez Pantoja

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