quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A Epidemia do solamento Social


Não parece haver dúvida alguma de que nos dias atuais estamos super conectados. A era da internet, da informação automática chega aos mais distantes sítios. Disponibilizada a todos, temos a impressão de que realmente estamos ligados, conectados uns aos outros. Mas será isso verdade? 

Talvez esta seja apenas uma impressão mesmo. Estamos ligados a aparelhos, a determinados dispositivos, no entanto, distantes de pessoas reais, do convívio social real.

Seres humanos são seres gregários e muito dependentes uns dos outros. Precisamos compartilhar nossas emoções, nossos sentimentos. O contato físico, próximo, real, é uma necessidade humana. Nossas emoções são sempre compartilhadas com as pessoas com as quais convivemos diante de um contato real.

Tanto influenciamos, quanto somos emocionalmente influenciados. Em grande parte isso não é possível quando se usa um dispositivo qualquer para um contato que não nos traz um nível emocional capaz de nos conectar de verdade. O efeito emocional pode ser reduzido, ou largamente ampliado, uma vez que não somos capazes de ler as reais expressões físico-emocionais do outro, fica tudo por conta da imaginação.

Temos tido uma experiência substituta, não com seres humanos, mas com aparelhos, com máquinas que pensamos ser um semelhante, e ainda mais, temos nos tornando dependentes dessa relação homem-aparelho. Está sempre à mão, disponível, pronto para uso. Desta forma, nosso sistema dopaminérgico libera mais e mais dopamina, nos entregando uma relação de satisfação mecanicamente induzida a cada clique, mas também gerando dependência. Quero mais!

A epidemia do isolamento social gerado pelo excesso de tecnologia, ou a dependência dela, tem se tornado uma ameaça à saúde pública. Seres humanos precisam, necessitam de contato real. Precisamos estimular todos os sentidos, coisa que ocorre quando estamos frente a frente, mas não quando estamos atrás de uma teclado que até completa a frase ou a palavra que acabamos de iniciar.

As comunidades virtuais têm tomado lugar das reais, sem nenhum sentimento, sem emoção. Fica por conta do usuário criar uma nova realidade ficando a sensação de que algo está faltando e precisa ser preenchido. Se não encontra respostas, a ansiedade se instala facilmente.

Isso tudo parece tem nos tornado seres polarizados e radicais; ou pertencemos a comunidade A ou B, mas nunca ao todo, sequer queremos ouvir a outra parte porque pensamos ser de alto risco o simples ato de ouvir uma ideia contrária. Logo surgem os estereótipos que caracterizam e definem quem pensa diferente. Proteção! Isso tudo limita até mesmo o aprendizado, o outro visto como inimigo perigoso à sobrevivência.

Há comunidades virtuais para tudo, basta encontrar a sua e nela se "refugiar". É fácil contra uma narrativa, um roteiro pronto a ser seguido.

Para aonde tudo isso irá nos levar? Essa talvez seja uma pergunta sem resposta por enquanto, e, quando a encontramos, muito a humanidade terá perdido.

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