sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Assertividade. Você sabe o que é?


Não são raras as vezes em que dizemos sim, quando na verdade gostaríamos de dizer um sonoro não. Pode ser diante de um pedido qualquer; um favor, um convite, um empréstimo de dinheiro, livros, carro, e outros. Dizemos sim, mas ficamos com o que os psicólogos chamam de dissonância cognitiva. Algo nos diz que deveríamos ter tido outra postura. São conflitos gerados diante de nossas escolhas, decisões, nossas ações. Ficamos arrependidos, tarde demais. Uma contradição entre ação e a própria crença.  

Em nosso rol de amigos temos sempre alguém que se sente incapaz de dizer não, e com certeza, sofre com isso. Essas pessoas tornam-se presas fáceis dos manipuladores, que, sabendo disso, não perdem tempo em tentar levar vantagem diante de alguma situação.

Assertividade é o comportamento que capacita a pessoa a atuar em seu melhor interesse, afirmar-se sem ansiedade indevida, expressar confortavelmente de forma honesta os sentimentos e exercitar os direitos pessoais sem negar os  direitos dos outros. (Alberti & Emmons, 1978). 

Essa habilidade que temos para expor nossas ideias, pensamentos, opiniões, mesmo que sejam elas diferentes do que pensa o outro, isso é ser assertivo. Naturalmente que sempre respeitando nosso interlocutor sem anular nossa própria opinião.

Segundo o Psicólogo Edivaldo Negrão, devemos ser assertivo dizendo não, ou simplesmente fazendo uma afirmação, contrária ao esperado, sempre que estiver em jogo nossa autoestima, nosso amor-próprio.

Assertividade também se relaciona com o posicionamento pessoal, a capacidade de tomar decisões e fazer certas escolhas sem a interferência emocional contrária e direta da outra pessoa. O estado emocional cobra um preço alto demais quando nos distanciamos de nossas próprias convicções, e, dizemos sim, quando sabemos que deveríamos dizer não. Estresse e frustração à vista.

A assertividade está relacionada com uma competência emocional. Nada tem a ver com arrogância, prepotência, ignorância, agressividade ou manipulação. Ser assertivo antes de mais é assumir a postura da comunicação não violenta, ser objetivo, expondo e não impondo ideias e pensamentos.

O que conta não é apenas o que se diz, mas como se diz. Saber posicionar-se é uma competência que pode e deve ser treinada.

Comunicação não conflitante

A Comunicação tanto pode ser um fator agregador quanto desagregador. Em busca do comportamento assertivo, busca-se evitar ruídos que possam deteriorar a relação. Gestos, tom de voz, vocabulário, fazem toda a diferença na comunicação. Ao invés de dizer, discordo de você, é possível usar o termo: penso diferente. O corpo também fala.

Desde a década de 1960 que o termo Comunicação Não Violenta vem sendo usado em diversos países. Foi o Psicólogo americano Marshall Rosenberg quem primeiro usou e disseminou o termo. 

"Para praticar o processo de resolução de conflitos, devemos abandonar completamente o objetivo de levar as pessoas a fazerem aquilo que nós queremos. [...] A Comunicação Não Violenta pode ser efetivamente aplicada em todos os níveis de comunicação e em diversas situações: relações íntimas, famílias, escolas, organizações e instituições, terapia e aconselhamento, negociações diplomáticas e comerciais, disputas e conflitos de qualquer natureza." (Marshall Rosenberg).

O que fazer?

Equilíbrio talvez seja um conceito que bem se adeque quando nos esmeramos no processo da assertividade. Sem rodeios, mas ainda assim, equilibrado.

Respeito e ponderação, tempo para pensar e organizar as ideias antes de assumir uma postura mais incisiva. Respeito às diferenças sem se deixar manipular.

Saber ouvir também traz inúmeros benefícios. Esperar que o outro exponha suas próprias ideias para aí sim, também expomos o que pensamos. Um sistema de feedback, estímulo e resposta.

O Autocontrole também é muito importante, o domínio das próprias ações após uma emoções. Uma vez que estamos a todo instante sujeitos a diversas emoções que surgem repentinamente, quase sempre a nossa revelia consciente.

Sair da passividade é um comportamento rumo a assertividade. Saber que a própria opinião é importante sim, não apenas a opinião do outro.

Direto ao ponto. A assertividade também soluciona conflitos, uma vez que, sendo direto, os ruídos da comunicação podem ser evitados. Isso torna a comunicação clara e de fácil compreensão.

Conclusão

A assertividade faz parte do arcabouço que nos sustenta rumo ao desenvolvimento humano. Sendo assertivos nos tornamos seres mais conscientes, não apenas sobre nossos próprios direitos, mas também dos deveres para com nossos semelhantes.

sábado, 19 de outubro de 2019

O Mistério de Roseto


Um relato fantástico. No final do século XIX, um pequeno grupo de Italianos foi atraído por uma grande notícia: A chance de uma vida melhor do outro lado do oceano. Tratava-se dos Estados Unidos da América, terra de grandes oportunidades.

Logo o grupo zarpou para Nova York e de lá seguiu rumo ao oeste chegando a Pensilvânia. Eles conseguiram trabalho em uma pedreira perto de Bangor.

No ano seguinte mais 15 pessoas deixaram Roseto e também partiram para se juntar ao primeiro grupo que no ano anterior havia trocado a Itália pela América. Não demorou muito e logo o pequeno grupo cresceu. Eram muitos os que se aventuravam na travessia do Atlântico em busca de grandes oportunidades.

Em 1894 a cidade de Roseto ficou quase deserta. Ruas inteiras sem moradores. Todos haviam partido.

O grupo cresceu tanto que logo surgiu uma cidade com o mesmo nome da cidade de onde eles haviam partido: Roseto. Agora em território Americano.

Outras comunidades também se instalaram perto de Roseto. Ingleses, galeses, alemães. Mas Roseto, era fechada, auto suficiente, e somente Italianos viviam no local.

Foi então que Surgiu um médico chamado Stewart Wolf. O que ele constatou naquela comunidade, foi que ele quase não atendia pessoas com menos de 65 anos com doenças cardíacas. A epidemia de infartos tomava conta dos Estados Unidos, mas não daquela comunidade de Italianos. Por que será?

O mais curioso a respeito de Roseto, era que muitos dos habitantes eram obesos e fumantes inveterados. Mas por que não tinham problemas cardíacos? Para as cidades nos arredores de Roseto, as taxas de mortalidade relacionadas a problemas cardíacos eram três vezes mais.

As pesquisas logo foram iniciadas e todas as suspeitas descartadas, desde a condição genética até a qualidade do ar das montanhas. 

Não demorou muito e uma grande descoberta foi revelada. Não era a condição genética dos habitantes, nem o local, nem o cuidado com a saúde. O estilo de vida daquela pequena cidade era a resposta.

Um estilo de vida cheio de vínculo social profundo. As pessoas interagiam umas com as outras de maneira distinta das demais cidades. Eram pessoas calorosas, paravam na rua para um bom bate papo. Frequentavam a casa uns dos outros. Faziam banquetes nos quintas. Chamava atenção o estilo de vida igualitário, onde ricos não ostentavam, e os pobres eram ajudados em seus fracassos. As famílias viviam e criavam seus filhos até três gerações no mesmo espaço. Um convívio social intenso.

Ainda hoje, não se costuma associar ou relacionar saúde a comunidade em que se vive. Mas isso, é muito importante. As relações sociais.

"Aquelas pessoas estavam morrendo de velhice, nada mais".

Em um estudo que já dura mais de 75 anos, as conclusões sobre saúde e felicidade são: as boas relações sociais. Solidão adoece, enfraquece e mata pessoas bem mais cedo.

Acredite! As boas relações sociais nos mantém felizes e mais saudáveis. Após 75 anos de estudo esta é a conclusão.

Coisas importantes:
1)- As boas relações sociais são boas para nós.
2)- A solidão mata.
3)- A qualidade das relações é o que importa.
4)- Relações de conflito, são prejudiciais.
5)- O que prevê uma vida longa, é a satisfação das relações.
6)- Boas relações protegem o cérebro e O corpo da uma deterioração acelerada.

Há muita energia sendo desperdiçada em coisas que não trazem nem saúde, nem bem estar, nem felicidade.

Fonte: Malcolm Gladwell. Do livro: Fora de Série.

Relacionamento Tóxico


Relacionamentos são importantes, tanto para saúde física quanto à mental.

A relação tóxica é toda e qualquer relação que causa dano aos envolvidos. É uma relação nociva, que fere, magoa, desrespeita, causa sofrimento, diminui o outro. A relação tóxica ultrapassa os limites da boa convivência, viola direitos. 

A relação interpessoal saudável é oposta à relação tóxica, tem sua base na comunicação não violenta, pautada no respeito e tolerância. Não apenas o que se diz, mas como se diz, como se comunica aquilo que quer transmitir. 

Relacionamentos tóxicos, conflitantes, podem tanto ativar quanto desativar determinados genes. Relacionamentos saudáveis têm também a mesma força. Difícil manter-se isento de tais influências.

Estudos em epigenética tem demonstrado como as relações que mantemos com determinadas pessoas são preditivas e às vezes até determinantes. Estamos sempre sofrendo influência ou influenciando, colhendo ou plantando.

Segundo Golleman, Epigenética é o estudo de como as experiências por que passamos alteram o funcionamento de nossos genes, a expressão gênica. Isso ocorre sem que a sequência do DNA seja alterada. 

Os vínculos sociais podem sofrer grandes alterações, a depender daquele, ou daqueles com quem nos relacionamos. Isso pode afetar e moldar nossas vidas drasticamente. Quase sempre sequer nos damos conta.

Aquele que recebe a mensagem fará a decodificação com base em todo arcabouço de experiências vividas e lembranças evocadas. Um gesto, um som, um cheiro, o próprio ambiente, o tom da palavra, facilmente podem servir de estímulo e disparar emoções, algumas chamadas positivas, outras negativas.

Relacionamentos tóxicos podem nos tornar também pessoas tóxicas e repelentes, mais reativas e menos tolerantes, ansiosas e estressadas, veneno de ação lenta. 

Ninguém sai imune a nenhum relacionamento. Afetamos ou somos afetado. Naturalmente que devemos aprender a lidar com as nossas próprias emoções para podermos ter domínio delas. 

Não é possível afetar o outro sem antes afetar a si mesmo. O cérebro faz pouca ou nenhuma distinção entre ação e pensamento, intenção. Sofrimento e alegria são sempre contagiantes também.

O perdão pode ser tornar uma ferramenta eficaz no combate à toxicidade continuada no relacionamento. Para Daniel Goleman, o perdão significa encontrar uma maneira de se libertar das garras da obsessão acerca da mágoa.

O que fazer? Livra-se da relação tóxica, seja através da mudança de comportamento ou mesmo do distanciamento daquilo que nos afeta negativamente.



quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A Epidemia do solamento Social


Não parece haver dúvida alguma de que nos dias atuais estamos super conectados. A era da internet, da informação automática chega aos mais distantes sítios. Disponibilizada a todos, temos a impressão de que realmente estamos ligados, conectados uns aos outros. Mas será isso verdade? 

Talvez esta seja apenas uma impressão mesmo. Estamos ligados a aparelhos, a determinados dispositivos, no entanto, distantes de pessoas reais, do convívio social real.

Seres humanos são seres gregários e muito dependentes uns dos outros. Precisamos compartilhar nossas emoções, nossos sentimentos. O contato físico, próximo, real, é uma necessidade humana. Nossas emoções são sempre compartilhadas com as pessoas com as quais convivemos diante de um contato real.

Tanto influenciamos, quanto somos emocionalmente influenciados. Em grande parte isso não é possível quando se usa um dispositivo qualquer para um contato que não nos traz um nível emocional capaz de nos conectar de verdade. O efeito emocional pode ser reduzido, ou largamente ampliado, uma vez que não somos capazes de ler as reais expressões físico-emocionais do outro, fica tudo por conta da imaginação.

Temos tido uma experiência substituta, não com seres humanos, mas com aparelhos, com máquinas que pensamos ser um semelhante, e ainda mais, temos nos tornando dependentes dessa relação homem-aparelho. Está sempre à mão, disponível, pronto para uso. Desta forma, nosso sistema dopaminérgico libera mais e mais dopamina, nos entregando uma relação de satisfação mecanicamente induzida a cada clique, mas também gerando dependência. Quero mais!

A epidemia do isolamento social gerado pelo excesso de tecnologia, ou a dependência dela, tem se tornado uma ameaça à saúde pública. Seres humanos precisam, necessitam de contato real. Precisamos estimular todos os sentidos, coisa que ocorre quando estamos frente a frente, mas não quando estamos atrás de uma teclado que até completa a frase ou a palavra que acabamos de iniciar.

As comunidades virtuais têm tomado lugar das reais, sem nenhum sentimento, sem emoção. Fica por conta do usuário criar uma nova realidade ficando a sensação de que algo está faltando e precisa ser preenchido. Se não encontra respostas, a ansiedade se instala facilmente.

Isso tudo parece tem nos tornado seres polarizados e radicais; ou pertencemos a comunidade A ou B, mas nunca ao todo, sequer queremos ouvir a outra parte porque pensamos ser de alto risco o simples ato de ouvir uma ideia contrária. Logo surgem os estereótipos que caracterizam e definem quem pensa diferente. Proteção! Isso tudo limita até mesmo o aprendizado, o outro visto como inimigo perigoso à sobrevivência.

Há comunidades virtuais para tudo, basta encontrar a sua e nela se "refugiar". É fácil contra uma narrativa, um roteiro pronto a ser seguido.

Para aonde tudo isso irá nos levar? Essa talvez seja uma pergunta sem resposta por enquanto, e, quando a encontramos, muito a humanidade terá perdido.

domingo, 6 de outubro de 2019

Resposta Imediata


Nosso cérebro foi desenvolvido e adptado para respostas rápidas. Às vezes a resposta pode até demorar, mas não toleramos ficar sem resposta alguma, tem que haver sempre uma explicação para tudo. Quase sempre exigimos uma explicação consonante à nossa crença. É perturbador não termos resposta para nossas demandas.

A emoção que é a resposta a um determinado estímulo, surge rapidamente, temos que agir. Ação, pede a nossa natureza. Mas, nem sempre a ação é a melhor resposta. Ficar quieto, não reagir, também evita estresse e poupa vidas. Em alguns casos respostas por reflexo são boas, em outras não. Luta ou fuga?

Diante de uma emoção negativa, dar tempo ao tempo pode ser uma ótima estratégia até que as coisas se acalmem. Sem resposta! 

Frente a um motorista estressado, que buzina no transito sabendo que não irá mudar a situação, não responder pode ser bem melhor, embora o sentimento de impotência tente nos alcançar e seja difícil administrar a situação. Ele está apenas descarregando o lixo acumulado durante tempos. 

Gente vazia quase sempre faz um barulho enorme. E, os sobrecarregados espalham lixo por onde passam.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Nossas Escolhas



Todos os dias, a todo instante, fazemos escolhas e tomamos decisões. Algumas de pequeno impacto, outras, tem impacto enorme. Quando bem escolhido, chamamos o resultado de positivo. Quando escolhemos mal, os resultados são considerados negativos, às vezes catastróficos, e até mesmo fatais.

O impacto nem sem sempre afeta apenas aquele que tomou alguma decisão, certas escolhas afetam a todos os demais, mesmo que não estejam alinhados ao nosso modo de pensar e agir.

A experiência.
- Mestre, como eu faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre? 
- Más escolhas.

Certamente já fizemos boas e más escolhas. A esperança é que tanto as boas quanto as más, possam nos trazer grandes lições e não venhamos a repetir erros graves que já sabemos os resultados negativos. 

Após uma péssima escolha, se tivermos uma segunda oportunidade devemos agarrar com toda força, até porque a mesma oportunidade é quase impossível se repetir.

Dizem que nunca perdemos nada; ou ganhamos ou aprendemos, mas esta é lição para poucos.

Boa Sorte!