Não são raras as vezes em que dizemos sim, quando na verdade gostaríamos de dizer um sonoro não. Pode ser diante de um pedido qualquer; um favor, um convite, um empréstimo de dinheiro, livros, carro, e outros. Dizemos sim, mas ficamos com o que os psicólogos chamam de dissonância cognitiva. Algo nos diz que deveríamos ter tido outra postura. São conflitos gerados diante de nossas escolhas, decisões, nossas ações. Ficamos arrependidos, tarde demais. Uma contradição entre ação e a própria crença.
Em nosso rol de amigos temos sempre alguém que se sente incapaz de dizer não, e com certeza, sofre com isso. Essas pessoas tornam-se presas fáceis dos manipuladores, que, sabendo disso, não perdem tempo em tentar levar vantagem diante de alguma situação.
Assertividade é o comportamento que capacita a pessoa a atuar em seu melhor interesse, afirmar-se sem ansiedade indevida, expressar confortavelmente de forma honesta os sentimentos e exercitar os direitos pessoais sem negar os direitos dos outros. (Alberti & Emmons, 1978).
Essa habilidade que temos para expor nossas ideias, pensamentos, opiniões, mesmo que sejam elas diferentes do que pensa o outro, isso é ser assertivo. Naturalmente que sempre respeitando nosso interlocutor sem anular nossa própria opinião.
Segundo o Psicólogo Edivaldo Negrão, devemos ser assertivo dizendo não, ou simplesmente fazendo uma afirmação, contrária ao esperado, sempre que estiver em jogo nossa autoestima, nosso amor-próprio.
Assertividade também se relaciona com o posicionamento pessoal, a capacidade de tomar decisões e fazer certas escolhas sem a interferência emocional contrária e direta da outra pessoa. O estado emocional cobra um preço alto demais quando nos distanciamos de nossas próprias convicções, e, dizemos sim, quando sabemos que deveríamos dizer não. Estresse e frustração à vista.
A assertividade está relacionada com uma competência emocional. Nada tem a ver com arrogância, prepotência, ignorância, agressividade ou manipulação. Ser assertivo antes de mais é assumir a postura da comunicação não violenta, ser objetivo, expondo e não impondo ideias e pensamentos.
O que conta não é apenas o que se diz, mas como se diz. Saber posicionar-se é uma competência que pode e deve ser treinada.
Comunicação não conflitante
A Comunicação tanto pode ser um fator agregador quanto desagregador. Em busca do comportamento assertivo, busca-se evitar ruídos que possam deteriorar a relação. Gestos, tom de voz, vocabulário, fazem toda a diferença na comunicação. Ao invés de dizer, discordo de você, é possível usar o termo: penso diferente. O corpo também fala.
Desde a década de 1960 que o termo Comunicação Não Violenta vem sendo usado em diversos países. Foi o Psicólogo americano Marshall Rosenberg quem primeiro usou e disseminou o termo.
"Para praticar o processo de resolução de conflitos, devemos abandonar completamente o objetivo de levar as pessoas a fazerem aquilo que nós queremos. [...] A Comunicação Não Violenta pode ser efetivamente aplicada em todos os níveis de comunicação e em diversas situações: relações íntimas, famílias, escolas, organizações e instituições, terapia e aconselhamento, negociações diplomáticas e comerciais, disputas e conflitos de qualquer natureza." (Marshall Rosenberg).
O que fazer?
Equilíbrio talvez seja um conceito que bem se adeque quando nos esmeramos no processo da assertividade. Sem rodeios, mas ainda assim, equilibrado.
Respeito e ponderação, tempo para pensar e organizar as ideias antes de assumir uma postura mais incisiva. Respeito às diferenças sem se deixar manipular.
Saber ouvir também traz inúmeros benefícios. Esperar que o outro exponha suas próprias ideias para aí sim, também expomos o que pensamos. Um sistema de feedback, estímulo e resposta.
O Autocontrole também é muito importante, o domínio das próprias ações após uma emoções. Uma vez que estamos a todo instante sujeitos a diversas emoções que surgem repentinamente, quase sempre a nossa revelia consciente.
Sair da passividade é um comportamento rumo a assertividade. Saber que a própria opinião é importante sim, não apenas a opinião do outro.
Direto ao ponto. A assertividade também soluciona conflitos, uma vez que, sendo direto, os ruídos da comunicação podem ser evitados. Isso torna a comunicação clara e de fácil compreensão.
Conclusão
A assertividade faz parte do arcabouço que nos sustenta rumo ao desenvolvimento humano. Sendo assertivos nos tornamos seres mais conscientes, não apenas sobre nossos próprios direitos, mas também dos deveres para com nossos semelhantes.





