domingo, 22 de janeiro de 2023

O Preço dos Grupos e Redes Sociais


Grupos sociais são importantes, mas para fazer parte do grupo, geralmente há que se comportar como grupo. Uno. Aí mora o perigo, porque muitas vezes ocorre o que Michael Gazzaniga chama de desindividualização. Quando o sujeito perde a individualidade.


O grupo influencia o comportamento. Pensamentos, emoções, a própria ação é fortemente influenciada pelo grupo. Aquilo que a pessoa não faria estando sozinha, com a força do grupo, fica muito mais fácil. Serve tanto para ações com resultados positivos quanto negativos. A facilitação social.


Pessoas perdem a individualidade e assumem o ponto de vista do grupo. A autoconsciência muitas vezes é abalada quando na presença do grupo. O cérebro individual se torna social. Nesse sentido, as restrições também desaparecem. Tudo se torna segundo a conformidade do grupo.


Gazzaniga (2018) afirma que a maioria das pessoas é facilmente influenciada pelas outras. O desejo de se enquadrar no grupo e evitar ser excluído, faz com que elas se envolvam com determinados comportamentos que condenariam em circunstâncias fora do grupo.


Vale favorecer os membros do grupo em detrimento dos que estão de fora, que não pesam igual. Mesmo havendo alguma dissonância moral. O apedrejamento se torna mais fácil.


Redes sociais e a distância podem facilmente diminuir o engajamento emocional. De repente, pessoas que em outras situações se consideram fracas, tímidas, pusilânimes, se tornam gigantes e ameaçadoras, falam o que tem vontade, mas jamais se expõe frente a frente. A segurança atrás de um teclado ou celular, motiva ações deprimentes. 


Naturalmente seres humanos são seres adaptativos. Há uma persona (máscara) no trabalho; outra na Igreja; uma outra na faculdade; outra diante de uma autoridade; e uma diante de si mesmo, onde nada pode ser ocultado, mas pode ser negado.


Persona é a máscara usada pelo indivíduo em resposta às convenções e tradições sociais. (Carl Jung)


Bom pensar sempre quando fechamos com determinados grupos. Vale a pena? Por que estou agindo assim? Qual a contribuição positiva do grupo na construção social?

sábado, 21 de janeiro de 2023

A DESONESTIDADE INTELECTUAL

 


A desonestidade intelectual é um estado dissonante entre a defesa do que se prega, aquilo que se defende, e o ato que se pratica, distorcendo os fatos para que correspondam à própria opinião.


O homem intelectualmente desonesto não se importa com as consequências de suas ideias nem de atos defendidos. A base são as falsas analogias, a mentira, a hipocrisia, objetivando impor um juízo, muitas vezes enganando pessoas rasas de conhecimento a respeito daquilo que debatem ou defendem.


Os intelectualmente desonestos enganam milhares de pessoas com seus discursos baseados em falsas afirmações, premissas enganosas.


Os atos que defendiam e praticavam no passado se tornam espúrios hoje, porque agora, eles usam as mesmas práticas, as mesmas ações. Ou o que era espúrio no passado, agora se torna bem vindo, aceitável e tolerável. 


A desonestidade intelectual se expressa tal qual um desvio de caráter latente, que no momento oportuno se manifesta. Um oportunismo desenfreado conduzido pelo vento que sopra.


O que hoje condena é o mesmo que antes apoiava, justificava, endossava certas ações dizendo tratar-se de atos justificáveis. Um praticante da desonestidade intelectual, também conduzido pelo vento que sopra.


Um ser moralmente doente, com valores abalados, deturpados, impedido de enxergar devido a volumosos antolhos que anulam e opacam a visão lateral. Pessoas que dizem condenar isso ou aquilo, não toleram essa ou aquela atitude, mas de repente passam a defender seus pares que cometem os mesmos atos que eles mesmos diziam condenar. Não são todos igualmente solidários entre si? 


Ignore todas as partes ruins de uma pessoa, de uma coisa qualquer, e ela se tornará boa e aceitável.


Waldez Pantoja.

DÚVIDAS, CERTEZAS E INCERTEZAS.



É incrível como nos deixamos levar por certos ventos que sopram. Os processos inconscientes são fortes, moldam a nossa percepção, nos levam a acreditar e também duvidar.


Não estamos cientes de que mudamos de opinião mesmo quando mudamos de opinião. E a maioria das pessoas, depois que muda de opinião, reformula sua opinião passada - elas acreditam que sempre pensaram daquele jeito. (Daniel Kahneman).


Nosso cérebro é uma máquina detectora de padrões, geradora de crenças, certezas, dúvidas e muitas ilusões. Sofremos todo tipo de influência na tomada de decisões. O clima, cheiros, sabores, a fome, a fadiga, o déficit de sono, a temperatura, uma notícia,  opiniões de amigos, até a cadeira desconfortável na qual nos sentamos pode nos levar a reações e escolhas indesejadas. 


Às vezes uma resposta ríspida, dizer sim quando na verdade racionalmente gostaríamos de dizer não. E assim, o vento sopra e nos leva às certezas que naturalmente asseguramos serem justas e incontestáveis.


Consigo resistir a tudo, exceto à tentação. (Oscar Wilde).


Tomamos uma decisão, e logo depois buscamos e encontramos evidências capazes de justificarem as escolhas que acreditávamos serem racionais, quando na verdade fomos guiados por processos emocionais inconscientes. As justificativas que encontramos nos confortam.


De posse dessa informação, podemos melhor direcionarmos nossas tentações, nossas escolhas, nossas decisões, através da reflexão, da ponderação, buscando a raiz, o solo onde crescem tantas dúbias certezas.


Waldez Pantoja

CURTINDO O PRESENTE



Quando a mente voa, se perde no caminho, deixamos de apreciar, desfrutar, talvez, o melhor que temos à nossa disposição. Sequer percebemos que o agora, na verdade, é o nosso maior presente.


De fato, não se perde o que passou nem o futuro, pois como tirar de uma pessoa aquilo que ela não possui? (Marco Aurélio). 


Hoje pode ser domingo, sábado, qualquer dia da semana, mas não será jamais um dia qualquer. Basta para isso não se perder no meio do caminho. Não se ater naquilo que nos rouba a nossa paz. Coisas que nos tiram de onde estamos e nos levam para terra de outros. Problemas de outros. Conflitos de outros. 


Há sempre um presente pronto a nossa disposição. E nunca ele está distante, mora perto, diante ou dentro de nós. Uma xícara de chá pode se tornar o presente que insistimos em desvalorizar dada a sua disponibilidade. Buscamos coisas escassas, difíceis, distantes, acreditando que o valor delas será maior do que aquilo que já temos em prontidão.


O canto da sereia que não vemos, mas ouvimos, ecoa em nossa mente, tenta nos jogar na arrebentação da onda contra as pedras que têm potencial suficiente para nos tornar náufragos. Um canto mortal que nos tira o melhor e nos faz navegar nas águas turbulentas do passado, quem sabe do futuro distante.


O sacerdote budista Sochoku Nagai diz o seguinte: “Assim que você torce um pano de chão, você tende a querer secar aquele ponto, e depois outro, e outro”.


Quem diz que não há mais nada a fazer é porque decidiu parar de buscar algo que possa ser feito agora. Apenas uma escolha.


Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude, em harmonia consigo mesmo.


Waldez Pantoja

ENTRE O VELHO E O NOVO

 


De repente tudo muda. Embora saibamos ser a mudança a única constância da vida, e ela esteja sempre em ação, não lidamos bem com essa situação. A mudança desperta alguns medos, nos desafia, nos leva para locais desconhecidos. E isso pode nos amedrontar, paralisar.


Todas as coisas estão em mudança; assim, não há por que temer a presença do novo. (Marco Aurélio). Embora saibamos disso, resistimos


Definimos, categorizados pessoas, situações, como se elas fossem eternas e imutáveis. Mas tudo muda, e muito rapidamente. Nenhuma garantia há, nenhuma certeza pode ser confirmada no trajeto. As coisas nem sempre sairão de acordo como planejado.


Nascemos munidos com diversos atributos, prontos para encarar a vida, embora quando o assunto trata da mudança, a resistência pode ser enorme. Preferimos o chamado "status quo". Deixa como está.


Imaginar que não estamos sempre no controle do que fazemos é uma ideia assustadora, mas é, de fato, a realidade. (Robert  Greene). 


Entre dilemas e paradoxos, a vida se mostra desafiadora, por sorte, também nos entrega sempre uma nova oportunidade de aprendizado diante da mudança.


Quando a dor se torna insuportável, decidimos mudar. Às vezes um pouco tarde, a mudança que tanto evitamos já se apoderou de nós, e agora precisa ser levada a sério.


Waldez Pantoja

DIRIGIDOS, GUIADOS PELAS OPINIÕES ALHEIAS.


Se dependêssemos única e exclusivamente das opiniões dos outros, provavelmente teríamos uma vida insuportável. Vida sem direção. Levados pelas ondas, e depois largados em algum lugar, sozinhos e abandonados.

Ficamos surpresos só de imaginar que alguém possa ser capaz de viver desta forma. Pois saiba, essas pessoas existem. Entregam a própria autonomia aos caprichosos, as opiniões, as ideias, as certezas, as crenças daqueles que nenhuma referência têm sobre a vida da pessoa.

Até hoje, somos altamente suscetíveis aos ânimos e emoções daqueles que nos cercam, o que compele todo tipo de comportamento da nossa parte – imitar aos outros de maneira inconsciente, querer o que eles querem, nos deixar levar por sentimentos virais de fúria ou indignação. (Robert Greene).

Vez por outra, nós nos esquecemos, e terminamos entregando  a nossa preciosa liberdade buscando agradar alguém que pouca ou nenhuma conexão tem com a nossa vida. Ou quem sabe, apresente uma conexão exageradamente manipuladora. E assim, busca nos controlar. 

Essas tentativas de controle nos cercam por todos os lados; mídias sociais, amigos, noticiários, fofocas, boatos, intermináveis são os meios que tentam nos fazer caminhar por estradas indesejáveis. E não raras vezes, cedemos.

A prática e o exercício da autoconsciência, da reflexão, da liberdade, devem ser ações diárias, incessantes. O aprendizado é o único caminho para nos mantermos relevantes, ativos e distantes dos manipuladores.

Porque o espetáculo da vida é viver em plenitude e harmonia.


Waldez Pantoja


quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

SER LIVRE NÃO É FAZER TUDO O QUE SE QUER

Às vezes se constrói um conceito, uma ideia de liberdade um tanto questionável. E assim, muitos levam a vida acreditando que essa é a verdadeira liberdade: fazer tudo o que se quer.


Ao nascermos somos seres ainda limitados, dependentes, sem a devida consciência do ambiente no qual estamos inseridos. Racionalidade ainda limítrofe. 


Cercados pelo perigo, sequer nos damos conta dos riscos aos quais estamos expostos. Conforme nós nos desenvolvemos, nossos atos volitivos também se intensificam, e passamos a querer com muito mais tenacidade. É quando o indivíduo se coloca na condição de escravo da própria vontade, e ainda chama isso de liberdade.


Embora tenhamos nascidos limitados e dependentes em diversos sentidos, por certo, nascemos prontos para o aprendizado e chamados à liberdade. Não fazer o que se quer, aquilo que se deseja, também é ser livre. Ser capaz de controlar seus próprios impulsos. Declinar da vontade alimária, deixar de ser conduzido exclusivamente pela servidão autoimposta, isso é um exercício de liberdade.


Quantos hábitos criados pelo caminho deixam o homem sob  a servidão da vontade? Ele quer, ele continua fazendo, não é capaz de se desvencilhar das amarras que o próprio denomina liberdade.


"É natural no homem o ser livre e o querer sê-lo; mas está igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá. [...] É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios." (Étienne de la Boétie).


Talvez tenhamos nascidos prontos para servir, mas não para a servidão. Eis a confusão. O autoengano também nos leva a essa condição de escravidão.


Waldez Pantoja