sábado, 30 de julho de 2022

As opiniões dissonantes


Um mesmo evento visto de um ponto de vista distinto. 

A morte da gazela é um bem ou um mal? A opinião da gazela diz tratar-se de um mal terrível. O leão não pensa o mesmo; saciando sua fome, ele tem uma opinião distinta e diz que é um bem sem igual.

Nossos julgamentos, nossa opinião, nossas certezas moldam os eventos tornando-os positivos, negativos ou mesmo indiferentes.

A infelicidade da expectativa.

Quando a expectativa se mostra além da realidade, o resultado pode ser frustração e infelicidade. No mesmo pódio o primeiro lugar pode se mostrar infeliz por não ter batido o "record" anterior. Já o terceiro lugar pode está exultante por saber que sua "performance" foi melhor do que os demais que não chegaram lá. 

O prazer de um pode ser a tormento do outro; a alegria de um, a tristeza do outro, O choro de um, o riso do outro.


Waldez Pantoja


Opiniões são opiniões. Julgamentos são Julgamentos. A partir daí, cada um trata de buscar os fundamentos que justifiquem o posicionamento pessoal.


Waldez Pantoja

terça-feira, 12 de julho de 2022

Seu voo partirá em 45 minutos

 


Para muitas pessoas o aviso de partida do voo é um alívio. Afinal, elas sabem que farão apenas um trajeto e logo chegarão ao destino desejado.

A vida está sempre a nos ensinar, traz sempre uma lição. Sabendo aproveitar tudo como parte de um aprendizado, as coisas se tornam mais fáceis. 

O mesmo aviso de partida do voo em 45 minutos pode ser um tormento para muitas pessoas. De repente sentimos medo, estamos despreparados. Em última instância o voo pode ser cancelado, ou então podemos desistir, e assim, o medo cessa. 

Todos nós estamos na fila do embarque. Apenas não sabemos em quanto tempo o voo partirá, nem sequer o portão de embarque. Na vida não podemos cancelar o voo.

Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. [...] não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. [...] Pequena é a parte da vida que vivemos. Pois todo o restante não é vida, mas somente tempo. (Sêneca)

Enquanto isso, há uma vida a ser vivida. 

Waldez Pantoja

sábado, 9 de julho de 2022

Quem são eles?


De alguma maneira formamos nossas opiniões e fundamentamos algumas certezas sobre pessoas. Isso ocorre muito rapidamente. Bastam alguns segundos e já temos uma opinião formada. 

Algumas vezes falhamos, outras vezes acertamos. Mas isso ainda não define uma pessoa. O momento seguinte pode ser outro e tudo muda. Nós mudamos, e também muda o outro.

Isso ocorre porque são falhos os sentidos que usamos para categorizar pessoas. Nossa visão e os demais sentidos são sempre superficiais e limitados.

Outro motivo são os contextos. Ninguém é permanentemente nada, apenas está. Ninguém é triste,  apenas está triste em um determinado momento.

Falhamos sempre que tentamos definir uma pessoa por sua emoção momentânea.

O outro é o outro, e nossas opiniões na verdade, dizem muito mais sobre nós mesmos; nossas falhas, nossos anseios, nossas frustrações e nossas expectativas não atendidas. 

Um ótimo pensamento estoico: "não julgamos o comportamento alheio, mas sim o nosso refletido no outro". Há algo em nós que não gostamos, não admitimos, e assim, apontamos o dedo tentando nos esconder atrás de nós mesmos.

Waldez Pantoja

quinta-feira, 7 de julho de 2022

O que fazer ou como fazer?

 

Às vezes nós sabemos o que fazer, mas não sabemos como fazer. Não parece haver um caminho, um norte a ser seguido.

Ser inteligente não tem nada a ver com agir inteligentemente. São competências diferentes.

Resolver uma equação complexa mais rápido do que os demais pode ser considerado como inteligência. Aplicar essa resolução no dia a dia, na hora da necessidade é agir inteligentemente.

Talvez a maior competência que um ser humano possa ter seja manter as próprias emoções sob controle. Agir inteligentemente quando a situação pedir. Isso significa não deixar que o estímulo fortaleça emoções que não queremos fora de controle.

Quando direcionados unicamente pela emoção e não pelas evidências da razão, isso pode embotar nossas escolhas. E assim, deixamos de agir inteligentemente. 

As pessoas com quem nos relacionamos são os moduladores, exercendo um papel de apaziguamento ou exacerbação de acordo com as circunstâncias e sua influência. A raiva, o ódio, o ciúme, por exemplo, crescem ou se abrandam de acordo com as propostas do meio, os gestos, conselhos ou esclarecimentos nele prodigados. (David Le Breton).

Uma grande pedida é o aprendizado contínuo através da autoconsciência. Nós seres humanos nascemos prontos, preparados para o aprendizado. E assim é durante toda a infância. Aprendemos tudo muito rápido, até nos darmos conta das dificuldades que envolvem o aprendizado, e aí, já não mais investimos em nosso próprio desenvolvimento.

Todo nosso contato com o outro é uma porta aberta para o aprendizado. Deixamos de aprender quando não buscamos desenvolver nossa habilidade de escutar, só queremos falar, expor, e às vezes, até impor nossas próprias ideias. Eis uma oportunidade para agir inteligentemente.

Não é o outro, o problema está dentro de nós. Onde quer que eu vá meus problemas irão comigo. Não há problema no mundo lá fora, nunca houve. São as nossas percepções, a maneira como interpretamos a damos significado às circunstâncias que geram tais problemas e tensões no dia a dia.

Quando descobrimos o que fazer, precisamos também buscar os meios de como fazer o que precisa ser feito.

Waldez Pantoja

sábado, 2 de julho de 2022

Dono de nada, senhor de si mesmo


Não é o quanto você tem, mas o quanto você oferece, oferta, cede, doa, compartilha. Não o que você tem, mas o que você esta disposto a abrir mão. Todos nós podemos ser ricos doadores. Todos temos algo de bom a oferecer.

Para muitos a medida do sucesso sempre esteve ligada ao ter, e quem tem mais acredita ser bem mais sucedido. Nada de errado quanto ao ter, mas sim ao que se tem como medida de sucesso. 

Quando alguém trabalha apenas para obter bens materias, ele pode deixa de possuir e passar a ser possuído pelos seus próprios bens. Sofre só de pensar que há sempre uma possibilidade de perder tudo, e assim, quer mais, deseja mais. Sem medida, deixa de ser dono para ser propriedade de sua própria ganância.

Chega um momento na vida em que se aprende que talvez haja muito mais coisas a se livrar do que conquistar. A inveja; as crenças limitantes; a mágoa e o rancor; a culpa; o preconceito; a intolerância; o ódio; o sarcasmo; o desrespeito; o vitimismo; o negativismo; vicios e tantos outros para nos livrarmos.

Quando nos livramos dessas, conquistamos estas: a paz de espirito; o amor; a felicidade, o bem-estar; o respeito; a admiração; e tantos outros atributos que convertem pessoas em um mundo melhor.

São coisas das quais nos tornamos dependentes e causam terríveis danos à saúde física e mental, e aí, já não somos possuidores, donos, proprietários, apenas escravos, prisioneiros e incapacitados.


Waldez Pantoja