Sempre achei o gato um animal muito interessante em diversos aspectos. Embora eu mesmo nunca tenha cuidado de um gato. Cachorros sim, muitos.
Minha esposa diz que o gato é autônomo, não se deixa levar pelas vontades do dono. Não sei.
Sempre quando vejo um gato em apuros, isso me chama a atenção. São gritos, saltos, e o bicho literalmente parece dobrar de tamanho. Às vezes, é assustadora a maneira como ele tenta escapar de uma ameaça. É capaz de enfrentar outros animais bem maiores, mas talvez ele mesmo nem perceba essa diferença.
A postura das costas arqueadas chama a atenção. Dizem os especialistas que tudo não passa de um blefe, é o gato tantando demonstrar a sua superioridade. Um comportamento que indica uma antecipação diante de um confronto iminente.
E nós? Ah, tal como os gatos, nós também assumimos tais posturas diante de uma ameaça. Pode até nem ser uma ameaça real, quem sabe seja apenas uma decodificação errônea devido a alguma experiência dolorosa, mas que no momento não nos oferece nenhum risco. Quem sabe seja apenas resquícios emocionais ancestrais, quando o equilíbrio da razão ainda nem havia se estabelecido. Assim, apontamos o dedo, gritamos, atacamos, nos esforçamos para parecer o que na verdade não somos. Quase sempre um blefe.
As emoções podem nos impulsionar, assumir o controle sequestrando nosso sistema executivo que nos faz pensar, ponderar, refletir e analisar a situação antes de alguma decisão apressada. Pode ser apenas uma sinalização dizendo que uma ação imediata se faz necessária, quando na verdade, precisamos apenas ignorar o estímulo recebido e administrar a emoção, desta forma, não nos tornarmos reféns de nós mesmos, de nossas emoções flagrantes que queimam por dentro.
Talvez os gatos nunca cheguem a ter o poder de escolha diante de um estímulo, mas nós sim, podemos fazer uma escolha e deixar que a nossa razão nos mantenha equilibrados.
Waldez Pantoja
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