Quando ocorreu a abolição da escravatura não apenas no Brasil, um fenômeno interessante surgiu. A lei estava garantindo que a partir daquele instante, eles, os escravos eram livres, podiam ir. Para muitos, essa opção sequer passava em suas cabeças.
Na casa do seu senhor eles tinham abrigo, comida, mas continuavam a trabalhar duro, na verdade trocando um punhado de alimento por muito trabalho extenuante.
Dependentes como sempre foram, certos escravos não conseguiam viver a liberdade recém conquistada de verdade. Os anos de escravidão bastaram para moldar as mentes e fazê-los preferir a frágil segurança do que ser livres verdadeiramente. Não havia liberdade em sua plenitude, era apenas nominal, no papel. Embora a mente continuasse a mesma, escrava, não mais do seu senhor, mas de si mesmo. Assim foram esculpidos, moldados.
A tênue segurança que pensavam ter era preferivel a qualquer aventura incerta. Deixem como está, não mudem nada, o proximo torturador pode ser muito pior, e é mesmo, a própria mente escrava.
O povo Israelita tendo Moisés como lider, perambulou pelo deserto por 40 anos sendo levados à liberdade, retirados da escravidão em que viviam no antigo Egito. Claro! No meio do povo sempre havia alguém desejoso de voltar para o antigo senhor que os mantinham cativos. O preço da liberdade era alto demais sendo pago no deserto escaldante. Somente após as velhas mentes terem sido renovadas, foi que conseguiram chegar ao destino.
Hoje não é tao diferente. Tragam de volta nosso senhor, dizem muitos em outras palavras mais rebuscadas, polidas, na verdade caiada.
Waldez Pantoja
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