Achei bem interessante a pergunta: "O que a religião roubou de mim?". Na verdade, a frase é o título de um livro. O esposo de uma ex-funcionária minha o escreveu, mas eu mesmo nunca o li. Fiquei a imaginar sobre o que exatamente se tratava o tal livro. Hoje, de repente, o tema surgiu na minha mente novamente.
Não seria difícil imaginar uma colocação para os dias atuais. Imaginar sobre a capacidade que tem o ser humano em desvirtuar, por exemplo, uma mensagem, uma informação, uma ideia, de maneira tal, que, a própria originalidade da mensagem seja mudada, assumindo novos rumos.
Exemplos não faltam, em especial, em relação ao que hoje se chama Cristianismo. Um Cristianismo que não se coaduna com os próprios escritos ditos sagrados. O que se apresenta é uma adequação da mensagem original, de maneira tal, a fazer sentido a necessidade daquele que busca novidade, melhorar a vida financeira, e, a tal felicidade também mal conceituada, entre outros. Levar vantagem é o lema.
A pechincha sagrada. Negociata sagrada. Troca sagrada. A fé é comercializada por módicas quantias. Uma bíblia pode custar até dois mil reais em uma campanha para arrecadar fundos. Um investimento sagrado, que, se der resultado positivo, parabéns, se não, faltou fé, afinal, ela move montanhas. Aí, mais empenho será necessário, digo, mais dinheiro investido.
O próprio Jesus, o Mestre, dizia não ter posses, não ter sequer onde repousar a cabeça, ou seja, financeiramente, era pobre mesmo. O apóstolo Paulo, grande propagador da mensagem original, tinha que trabalhar duramente, e também, não demonstrava ou ostentava nenhuma riqueza, não orientava aos seguidores que buscassem tais riquezas. Aliás, o lema era acumular coisas muito mais nobres, tesouros que nem a traça nem a ferrugem corroem. Os discípulos convocados deixaram tudo para seguir o Mestre.
E hoje? O que se tem são lobos devoradores, vivem no meio das ovelhas que sofrem de miopia espiritual. Cegos, não conseguem fazer distinção entre fé e golpe. Líderes religiosos que mais parecem grandes caloteiros aplicando o famoso golpe do paco. Ambos com sua parcela de culpa. O que engana quer lucrar, o enganado, benefício rápido e lucro financeiro também.
A promessa de prosperidade atrai muitos dispostos a investir pesado. Prometem tanto quanto qualquer político em época de eleição, claro, o ganho maior será após a morte. Reclamar fica difícil.
Não ajunteis para vós tesouros na terra onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam, mas dizem os grandes líderes: invista e tenha dois carros na garagem, mansão, fazenda, um grande comércio. Muito, muito dinheiro.
O que a religião roubou de mim? Nada! Pois essa inclinação a mensagem deturpada, falsificada, travestida de Cristianismo não me atrai. Quem sabe para alguns, tempo e a capacidade de pensar por si mesmos tenham sido roubados.
Waldez Pantoja