quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Pequenas promessas, grandes realizações

 


Quando falamos em promessas, não há como não falar também em foco, planejamento, determinação, e, principalmente, ação. A ação é o que nos move.

Entre a prática e a teoria, há uma certa distância. Promessas são teorias. Mas, boas práticas, vem sempre acompanhadas de ótimas teorias.

Nas décadas de 60 e 70, um experimento com crianças ficou conhecido como, o Teste do Marshmallow. Liderado pelo Psicólogo Clínico Walter Mischel, o experimento tornou-se mundialmente conhecido.

A ideia era simples. As crianças participantes teriam que escolher entre ganhar uma ou duas guloseimas de acordo com uma regra uma pré estabelecida. O experimentador deixava a criança em uma sala, sozinha, e ela deveria esperar que ele voltasse, para assim, ganhar dois Marshmallow. Caso não quisesse esperar, bastaria tocar uma campainha e o experimentador voltava imediatamente e lhe recompensava, mas com apenas uma guloseima. A espera era em torno de vinte minutos.

O conflito logo se estabelecia entre ganhar uma ou duas guloseimas. E, as crianças usavam diversos artifícios para poder conseguir vencer a espera, ou não, algumas até comiam de imediato a guloseima sem sequer tocar a campainha.

A felicidade momentânea, pode ser trocada por uma maior ainda, mas saber esperar, é crucial. O que acontece é que não queremos esperar, não queremos nos preparar, não queremos "perder tempo".

O experimento da década de 60 e 70, ainda continua, as pessoas hoje estão bem mais velhas, e a conclusão é fantástica. As crianças que na época conseguiram esperar para ganhar duas guloseimas, hoje são pessoas muito mais bem sucedidas. Ganham mais dinheiro, casamentos mais duradouros, melhor saúde, tem maior controle dos conflitos da vida diária, melhor emprego. O autocontrole é essencial para as realizações, em especial, as de longo prazo.

Quais as promessas para o próximo ano?  Muitas dessas promessas serão apenas uma fala sem nenhum comprometimento com a sua realização. Haverá uma troca, a satisfação momentânea, cederá lugar, e a promessa não se realizará. Quer emagrecer, mas não consegue encarar uma guloseima sem que a devore imediatamente? Quer passar em um concurso, mas não consegue dizer não aos diversos convites para a diversão com os amigos? Quer aprender um novo idioma, mas racionaliza e logo diz que não nasceu para isso, ou está velho demais? Estas são maneiras de sabotar a si mesmo.

As crianças do experimento passaram pelos mesmos conflitos que nós passamos em nossa vida adulta, mas elas usavam alguns artifícios, e um deles, era: "a recompensa futura, será bem maior que esta agora". e, assim, elas mantinham o foco.

Os malefícios decorrentes da incapacidade de inibir a satisfação imediata podem ser enormes.

O comportamento humano, em geral, é governado por duas áreas do cérebro bem distintas. Uma é o sistema límbico, onde reações automáticas são controladas. Em especial a amígdala, uma região mais primitiva do nosso cérebro. Quando nem bem nos damos conta, já fizemos o que não queríamos. Algo muito rápido. A outra é o córtex pré-frontal, uma região mais desenvolvida e mais recente também, onde estão nossas funções executivas de altíssima complexidade. Pensamentos, raciocínio lógico, nossas escolhas; e esta região, quando bem desenvolvida, e isso é um treinamento diário, fica muito mais fácil darmos conta de nossas promessas, alcançar nosso objetivos, quer sejam eles de curto ou longo prazo.

A satisfação momentânea e efêmera, pode ser trocada por uma muito mais duradoura e com maior efeito positivo em nossas vidas.

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