terça-feira, 29 de dezembro de 2020

O MEDO NO DIA A DIA

 

O medo é uma emoção primária que pode desencadear outras emoções chamadas de emoções secundárias.

Sentir medo é algo natural e necessário. O medo é fator motivador para muitas de nossas ações. É o medo que nos leva a tomarmos atitudes de auto proteção, mas em excesso, torna-se patológico, e perde sua função primária. Não sentir medo é um risco a sobrevivência, colocando em risco nosso sistema de auto preservação.

Há inclusive um termo em psicologia para o medo injustificado de estradas, cruzar uma rua. Uma fobia que se chama, AGIROFOBIA.

Segundo Damásio (2001), o medo é uma emoção primária fabricada pelo cérebro e que provoca diversas reações no corpo. O corpo é o teatro onde as emoções se desenvolvem.

No cérebro duas áreas podem conflitar: uma, onde questões racionais são processadas, as funções executivas (cortex pré-frontal). E a outra, a amígdala, que está envolvida com algumas emoções e o medo. (Área mais antiga). A amígdala dispara automaticamente ao menor sinal de perigo, seja ele real, ou apenas produto da imaginação como resposta a experiências negativas anteriores, ou mesmo situações inatas. A amígdala dispara a revelia da nossa própria consciência ou a vontade. Quando nos danos conta, já agimos. Na maioria das vezes isso é bom, mas o sistema é sujeito erro.

Viver em situação constante de medo, É algo muito estressante, pois o sistema nervoso simpático, dispara descargas de neurotransmissores que nos colocam em estado constante de luta ou fuga. (Adrenalina, cortisol, e outros...) Há um preço, porque enquanto ficamos em estado de alerta total, algumas outras funções são diminuídas ou mesmo desativadas. O resultado é uma viagem de pouco aproveitamento ou benefícios. Aliás, ficamos cegos para muitas maravilhas que só percebemos quando outro viajante menciona que viu, fotografou ou fez o simples registro.

O que fazer? Não há uma receita mágica que sirva para todos em todas as situações, mesmo porque, as reações são adversas, e dependentes do mapa interior, codificado segundo a experiência de cada um. Mas segundo o renomado Neuro cientista Walter Mischel (2015), psicólogo clínico, autor e de vários livros e artigos científicos na área das Neurociências, nos diz: a técnica do se-então, pode ajudar bastante.

Se-então, é um código usado na linguagem de programação. Se acontecer isso, faça aquilo. Este é um processo que envolve treino buscando tornar as ações automáticas, em algo consciente. A intenção é nos fazer confrontar com as situações de risco, e, apresentar uma saída. A antecipação, ajuda e muito. Fazer ou pensar em fazer, ativam a mesma área do cérebro. Isso torna a ação pretendida muito mais fácil após algum período de treino. Técnica usada pelos aborígenes Australianos. Antes da caçada, na noite anterior, eles simulam a perseguição que farão para abater o animal.

"Se você conhece a si mesmo e conhece o inimigo, não deverá temer o resultado de cem batalhas. Se você conhece a si mesmo, mas não conhece o inimigo, para cada Vitória ganha, sofrerá uma derrota também. Mas, se você não conhece, nem a si mesmo e nem o inimigo, perderá todas as batalhas". Sun Tzu.

Conclusão - Sun Tzu diz em a Arte da guerra, que, conhecimento e antecipação faz toda a diferença face ao perigo. As contingências fazem parte do processo, e, saber a hora de seguir, parar, recuar, não é demérito algum, mas prova de habilidade para lidar com as condições interpostas em nosso caminho. 

Coragem não é a ausência do medo, apenas o domínio do mesmo. Énquando o córtex pré-frontal se sobrepõe aos domínios das regiões límbicas e mais primitivas do cérebro.


Waldez Pantoja

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Crescendo sempre

Quando criança tudo parece muito grande, enorme e intocável, pois ainda não diferenciamos com nitidez a enorme capacidade que temos de fazer sonhos se tornarem realidade. 

Sem sorte mesmo são aqueles que embora tenham o corpo crescido, a mente ainda continua pequena acreditando que tudo é distante, inalcançável, quem sabe até impossível. É logo ali, o que está no horizonte estará mais perto para quem se move e não permanece imóvel.

Grandes viagens começam com uma ideia; assim também são os grandes feitos, grandes inventos, grandes conquistas. A ação é o combustível das grandes  realizações.

Waldez Pantoja

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Pequenas promessas, grandes realizações

 


Quando falamos em promessas, não há como não falar também em foco, planejamento, determinação, e, principalmente, ação. A ação é o que nos move.

Entre a prática e a teoria, há uma certa distância. Promessas são teorias. Mas, boas práticas, vem sempre acompanhadas de ótimas teorias.

Nas décadas de 60 e 70, um experimento com crianças ficou conhecido como, o Teste do Marshmallow. Liderado pelo Psicólogo Clínico Walter Mischel, o experimento tornou-se mundialmente conhecido.

A ideia era simples. As crianças participantes teriam que escolher entre ganhar uma ou duas guloseimas de acordo com uma regra uma pré estabelecida. O experimentador deixava a criança em uma sala, sozinha, e ela deveria esperar que ele voltasse, para assim, ganhar dois Marshmallow. Caso não quisesse esperar, bastaria tocar uma campainha e o experimentador voltava imediatamente e lhe recompensava, mas com apenas uma guloseima. A espera era em torno de vinte minutos.

O conflito logo se estabelecia entre ganhar uma ou duas guloseimas. E, as crianças usavam diversos artifícios para poder conseguir vencer a espera, ou não, algumas até comiam de imediato a guloseima sem sequer tocar a campainha.

A felicidade momentânea, pode ser trocada por uma maior ainda, mas saber esperar, é crucial. O que acontece é que não queremos esperar, não queremos nos preparar, não queremos "perder tempo".

O experimento da década de 60 e 70, ainda continua, as pessoas hoje estão bem mais velhas, e a conclusão é fantástica. As crianças que na época conseguiram esperar para ganhar duas guloseimas, hoje são pessoas muito mais bem sucedidas. Ganham mais dinheiro, casamentos mais duradouros, melhor saúde, tem maior controle dos conflitos da vida diária, melhor emprego. O autocontrole é essencial para as realizações, em especial, as de longo prazo.

Quais as promessas para o próximo ano?  Muitas dessas promessas serão apenas uma fala sem nenhum comprometimento com a sua realização. Haverá uma troca, a satisfação momentânea, cederá lugar, e a promessa não se realizará. Quer emagrecer, mas não consegue encarar uma guloseima sem que a devore imediatamente? Quer passar em um concurso, mas não consegue dizer não aos diversos convites para a diversão com os amigos? Quer aprender um novo idioma, mas racionaliza e logo diz que não nasceu para isso, ou está velho demais? Estas são maneiras de sabotar a si mesmo.

As crianças do experimento passaram pelos mesmos conflitos que nós passamos em nossa vida adulta, mas elas usavam alguns artifícios, e um deles, era: "a recompensa futura, será bem maior que esta agora". e, assim, elas mantinham o foco.

Os malefícios decorrentes da incapacidade de inibir a satisfação imediata podem ser enormes.

O comportamento humano, em geral, é governado por duas áreas do cérebro bem distintas. Uma é o sistema límbico, onde reações automáticas são controladas. Em especial a amígdala, uma região mais primitiva do nosso cérebro. Quando nem bem nos damos conta, já fizemos o que não queríamos. Algo muito rápido. A outra é o córtex pré-frontal, uma região mais desenvolvida e mais recente também, onde estão nossas funções executivas de altíssima complexidade. Pensamentos, raciocínio lógico, nossas escolhas; e esta região, quando bem desenvolvida, e isso é um treinamento diário, fica muito mais fácil darmos conta de nossas promessas, alcançar nosso objetivos, quer sejam eles de curto ou longo prazo.

A satisfação momentânea e efêmera, pode ser trocada por uma muito mais duradoura e com maior efeito positivo em nossas vidas.

domingo, 13 de dezembro de 2020

Falsas memórias I

Uma quantidade considerável de pessoas são sujeitas a falsas memórias.

Este é o resultado de um estudo sobre falsas memórias. O psicólogo Dr. Kimberley Wade demonstra que, se nos é dito sobre um evento completamente fictício ou falso de nossas vidas, e repetidamente imaginarmos sobre o evento, quase metade de nós aceitaria como verdade a ocorrência de um fato que jamais ocorreu.

Ou seja, a frase que diz: "uma mentira contada mil vezes se torna verdade", faz todo sentido para uma parte considerável da população.

Ao fazer perguntas ou interrogar crianças, dependendo da forma como isso é feito,  Falsas Memórias podem ser "implantadas", e elas assumem como verdade algo que jamais ocorreu. Todo cuidado é pouco, ao investigar por exemplo, sobre abusos, maus tratos, e outros, quando crianças estão envolvidas.

Algo muito grave ocorreu no Brasil anos atrás, 1994, em um episódio conhecido como o caso da Escola Base. Abusos de crianças, que mais tarde se descobriu terem sido os dados manipulados e os depoimentos obtidos das crianças, também distorcidos de forma a condenar os acusados de maneira apressada.

Quando desejamos algo ardentemente, fica mais fácil, que falsas memórias sejam implantadas em nossa mente, a partir daí, torna-se difícil distinguir entre real e imaginário. Para Michael Shermer, após criada a crença, o cérebro irá buscar formas para confirmar e fortificar ainda mais a crença.

O próprio cérebro faz pouca ou quase nenhuma diferença entre pensar e realizar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

O contagiante bocejo


Bocejou? Isso! O bocejo é contagiante. E não nos contagia apenas quando vemos, mas também quando ouvimos o som de um bocejo. Ocorre com cegos também.

As teórias são muitas. Mas o bocejo talvez seja uma tentativa do cérebro de nos manter em estado de vigília. E o contágio se dar por conta de um tipo de neurônio comum em mamíferos, chamado Neurônio Espelho. Tendemos a imitar os movimentos de outra pessoa quando o cérebro nos coloca em sintonia com ela. Imitamos ou somos imitados.

Ver alguém comer algo que gostamos muito, desperta em nos uma vontade imensa de comer exatamente aquilo. Chocolate então, nem se fala. Aí, a dieta fica bem mais difícil de controlar, mesmo porque, um neurotransmissor chamado dopamina, "nos diz": vai, vai que isso é bom demais. Vai te deixar feliz da vida. Um processo que ocorre em áreas profundas do cérebros.

Saber desses artifícios, pode nos deixar com mais controle sobre nossa vontade e nossas escolhas em diversas áreas.

Robert Provine psicólogo da Universidade de  Maryland pesquisou sobre esse assunto e escreveu vários artigos científicos. "Contagious Yawning and infant imitation, bulletin of the psychonomic Society (1998), vol 27.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Sobre o aborto


 A polêmica do aborto

Ser a favor do aborto quando seu direito ao nascimento foi respeitado, parece ser algo bem contradizente. Para dizer o mínimo. Negar ao outro um direito que lhe foi garantido.

Ao terceiro mês, diversos órgãos já estão em pleno funcionamento. O feto já apresenta alguns movimentos, o coração já faz o sangue circular, e outros.

E se o feto pudesse reclamar da agressão sofrida? Ora! Ele faz exatamente isso, mas não é respeitado. Alguns reflexos autônomos já respondem, embora a consciência não esteja desenvolvida na mesmo proporção da encontrada em adultos, ele “esperneia”. Em vão, claro!

“Toda situação de estresse atinge o feto”, resume a neuropsiquiatra infantil Theodolinda Mestriner Stocche, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto (SP). - E, naturalmente o aborto é uma situação de estresse, tanto para a mãe, quanto para o feto. 

Fetos reagem inclusive aos exames de ultra-som. A partir do segundo mês, ele já reage às condições hormonais absorvidas da mãe. Adrenalina da mãe, atinge o bebê também.

Conclui-se que, o direito que me foi garantido, devo eu também garantir ao outro exposto às mesmas condições. Uma questão ética, e moral também, segundo os padrões da nossa sociedade. Assegurar ao outro o mesmo direito que me foi garantido.