"Meu Deus me perdoe, mas essa desgraça deveria morrer, e sofrendo bastante". Esta frase ouvi hoje na fila de um supermercado.
Não há dúvida que, diversos preceitos do Cristianismo são de enorme importância, não apenas para o Cristão, mas também para a humanidade.
Amar o próximo como a si mesmo; perdoar 70x7; oferecer a outra face; visitar os órfãos e as viúvas; misericórdia para com os pobres; ajudar os necessitados, e tantos outros. O amor aparece como grande fundamento, algo de enorme importância, condição "sine qua non" no Cristianismo. Trata ainda do julgamento injusto e farisaico, quando condeno no outro meus próprios defeitos e delitos.
No Cristianismo o comportamento do hipócrita também é condenado. Para Chomsky, a hipocrisia é a recusa em aplicar a nós mesmos os valores que buscamos nos outros. Não passa de uma representação teatral, uma forma de enganar a si próprio cobrando nos demais aquilo que o próprio não o faz.
Amar o próximo como a si mesmo. Na prática, o próximo é um sujeito igual, semelhante, aquele que não destoa das minhas "certezas", crenças e idiossincrasias. Mas esta descrição não seria a do fariseu?
Imaginemos todos esses preceitos sendo postos em prática. Dada a imperfeição humana, essa prática contínua, pode-se demonstrar bem difícil, mas não impossível. Aliás, o próprio Paulo atribui ao pecado essa dissonância entre a prática real e o querer idealizado. O pecado, ou seja, o desvio do alvo proporciona este estado divergente.
Há sim um ideal, um querer, uma racionalidade a ser aplicada, mas também práticas que não se coadunam, estados emocionais que desviam o ser.
Desta forma, o Cristianismo prático, muitas vezes é ofuscado pelo Idealismo. Idealiza-se algo, prega-se, propaga-se, mas a prática não acompanha as mesmas ideias propostas. A parábola do bom samaritano, vira apenas uma boa parábola, sem a prática efetiva. Ideias!
Um tema central no Cristianismo é a mudança, a transformação do ser. Mas muitos querem mesmo é a punição, se possível, imediata. Fogo eterno hoje. Enquanto há vida, há esperança, dizem muitos.
Prega-se o que se ouviu falar, mas se pratica-se aquilo que crer de verdade. Aí reside uma dissonância enorme.
E se todo Cristão colocasse em prática exatamente o que prega? Com certeza teríamos um mundo muito melhor; muito mais amor, compaixão, empatia, uma vida dedicada para o bem de todos.
"Meu Deus me perdoe, mas essa desgraça deveria morrer, e sofrendo bastante". Quanta incoerência entre prática e crença propagada. Claro! Somente os outros fazem isso.

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