sábado, 29 de fevereiro de 2020

COMA MENOS PARA DURAR MAIS

75% do nosso corpo é composto de água. Passávamos pelo menos um terço de nossas vidas dormindo. Atualmente isso mudou para muitos. Hoje não mais precisamos caçar para nos alimentarmos, basta abrir a geladeira, sem nenhum esforço físico e o alimento está lá, muitas vezes até pré cozido. É só mastigar.
Nos últimos 50 anos as doenças autoimunes triplicaram. Diabetes tipo 1, psoríase, lúpus, esclerose múltipla, doença celíaca, fibromialgia, problemas na tireoide, entre outras de altíssima gravidade.
Falar de genética é falar de fatores desencadeadores dessas doenças. Gatilhos ambientais que respondem no “curto prazo”. Uma vez que o genoma humano não poderia mudar tão repentinamente assim. A epigenética, novo ramo da ciência, explica grande parte desses fatores ambientais influenciando a expressão gênica.
Viver mais sem qualidade de vida, não parece ser uma Ideia plausível. O ideal é que se viva bastante com o máximo de saúde em todos os sentidos. Não apenas a saúde física estrita, mas também a mental, social, financeira, emocional e tantas outras áreas.
Mas o que tudo isso tem a ver com comer mais e durar menos? Na verdade não é somente a quantidade, mas também a qualidade daquilo que comemos.
A vida hodierna tem nos levado a perda da qualidade de vida. Entre tantos fatores pode-se citar; a má alimentação, noites de sono mal dormidas, sedentarismo, o estresse diário, e, todos esses fatores contribuem para um sistema imunológico deficitário, não funcional. O que culmina com o desenvolvimento de doenças cada vez mais graves e resistentes a tratamentos convencionais. O estilo de vida moderna tem grandes efeitos negativos quando o assunto é qualidade de vida. As doenças cerebrovasculares e cardíacas, estão sempre no topo da lista das causas de mortes no mundo.
Alimentos transgênicos estão abarrotando os supermercados, que são a grande fonte de nossa alimentação. Alimentos processados de maneira tal, a agradar e nos fazer querermos repetir doses ainda maiores. Basta pensar e a boca já se enche de água. Salivamos ao menor sinal das guloseimas expostas nas gôndolas dos grandes mercados. Um cheiro, um único pensamento, uma frase que nos chama a atenção, o apelo é enorme. Quase tudo tem uma base de glúten geneticamente modificado. Açúcares, sal e gorduras maléficas em grande abundância.
Há poucos estudos em andamento sobre o efeito dos transgênicos em longo prazo, e os que estão em andamento, tem financiamento daqueles em que o maior interesse é demonstrar, que tais alimentos são super saudáveis. Os próprios produtores. Mas pesquisas feitas com animais, já nos dão certo vislumbre dos efeitos em humanos.
Em um estudo realizado na França com ratos, demonstrou-se, que 70% dos animais alimentados com transgênicos, morreram prematuramente de câncer.
Alguns alimentos geneticamente modificados; O trigo (grande fonte de glúten), a soja, milho, alfafa, algodão, diversos óleos produtos de sementes geneticamente modificadas, açúcar, frutas, legumes, a ração que engorda o gado, o frango, e até peixes criados em cativeiro, são apenas uma ínfima parte.
Nossos avós comiam quase tudo que comemos hoje, mas não produtos geneticamente modificados. Também não eram sedentários. O trigo por exemplo, não constituía porcentagens altas do total alimentar. E, também não tinham o mesmo nível de estresse, nem dormiam tão tarde e com tão pouca qualidade quanto hoje.
Sabe-se hoje que 95% da serotonina (hormônio do bem estar), é produzido nas regiões intestinais. Ou seja, um intestino não funcional, significa baixa produção desse hormônio que pode ser causar inclusive da depressão. 80% do sistema imunológico também é processado no intestino. Tamanha a é importância de se ter um intestino saudável.
Diante do exposto, a pesquisadora americana Dra. Amy Myers, fez um amplo levantamento desses fatores e o resultado não é nada animador. Mas, felizmente, é possível sim, adequar a nossa alimentação e estilo de vida de maneira tal, a nos proporcionar qualidade de vida, não apenas na velhice, mas também na juventude.
Muitas doenças degenerativas têm sido relacionadas com o intestino, inclusive a doença de Parkinson. e outras.
Myers faz seu relato no livro: Doenças Autoimunes. E vários são os conselhos para que possamos fazer tais ajustes, e quem sabe, até envolver a própria família e amigos em busca de uma vida saudável com qualidade.
A seguir alguns conselhos úteis
• Boa noite de sono reparador. Pelo menos 7,5 horas. Adolescentes e crianças precisam de mais horas de sono.
• Praticar exercícios físicos vigorosos. Aeróbicos.
• Eliminar por completo o glúten que é fonte de processos inflamatórios e deixa o intestino permeável.
• Cuidar da saúde intestinal. Um intestino permeável pode desencadear uma série de doenças. Muitas inclusive quando abusamos dos de anti inflamatórios e antibióticos que matam as bactérias benéficas que vivem em nosso corpo.
• A hidratação. Entre dois a dois litros e meio de água dependendo da estrutura física e atividade.
• Evitar os laticínios e seus excessos.
• Evitar os excessos de carboidratos.
• Preferir uma dieta com base em alimentos orgânicos. Agrotóxicos são fonte de várias doenças inflamatórias.
• Buscar controlar o estresse crônico. Um estado de prontidão permanente debilita todo o sistema imunológico.
• Controlar infecções.
• Álcool, frituras, sal e açúcares, devem ser evitados
• Tomar pelo menos meia hora de sol todos os dias. Desta forma a vitamina “D” é sintetizada no corpo.
• A meditação tem grandes resultados positivos no controle do estresse também.
• Cuidado com a quantidade e qualidade dos alimentos. Alimentos saudáveis em grandes quantidades, se tornam venenos.
A interação Social é muito importante. Desde que seja saudável. Que eleve nossos níveis de serotonina, dopamina, oxitocina e endorfinas.
Alimentos tanto podem curar quanto nos adoecer e até matar. A chamada Medicina funcional tem por base a cura com base nos alimentos e o controle do ambiente que nos afeta. Aquilo que comemos, determina nosso nível de saúde. A medicina convencional busca a cura nos fármacos, drogas que sempre trazem efeitos colaterais, às vezes, tão graves quanto a própria doença.
Conclui-se que, a genética nem sempre é determinante. Para que muitas doenças se desenvolvam, é necessário um gatilho que dispare, ative aquele gene que vai nos afetar.
Fonte: Livro “Doenças Autoimune”. Amy Myers (2017)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Os outros


Os outros são idiotas
Os outros são imbecis
Os outros são tolos
Os outros são frívolos...

E nós?

Nós somos eruditos
Nós somos sábios
Nós somos inteligentes
Nós somos diligentes...

E os outros?

Os outros são intolerantes
Os outros são arrogantes
Os outros são pedantes
Os outros são ignorantes...

E nós?

Nós somos altruístas
Nós somos benevolentes
Nós somos confiáveis
Nós somos responsáveis...

E os outros?

Os outros são apenas os outros, e nós somos nós, cheios de nós mesmos. Em algum momento nós também nos tornamos os outros porque a régua é a mesma.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Cristianismo Prático e o Ideológico


"Meu Deus me perdoe, mas essa desgraça deveria morrer, e sofrendo bastante". Esta frase ouvi hoje na fila de um supermercado.

Não há dúvida que, diversos preceitos do Cristianismo são de enorme importância, não apenas para o Cristão, mas também para a humanidade. 

Amar o próximo como a si mesmo; perdoar 70x7; oferecer a outra face; visitar os órfãos e as viúvas; misericórdia para com os pobres; ajudar os necessitados, e tantos outros. O amor aparece como grande fundamento, algo de enorme importância, condição "sine qua non" no Cristianismo. Trata ainda do julgamento injusto e farisaico, quando condeno no outro meus próprios defeitos e delitos.

No Cristianismo o comportamento do hipócrita também é condenado. Para Chomsky, a hipocrisia é a recusa em aplicar a nós mesmos os valores que buscamos nos outros. Não passa de uma representação teatral,  uma forma de enganar a si próprio cobrando nos demais aquilo que o próprio não o faz. 

Amar o próximo como a si mesmo. Na prática, o próximo é um sujeito igual, semelhante, aquele que não destoa das minhas "certezas", crenças e idiossincrasias. Mas esta descrição não seria a do fariseu?

Imaginemos todos esses preceitos sendo postos em prática. Dada a imperfeição humana, essa prática contínua, pode-se demonstrar bem difícil, mas não impossível. Aliás, o próprio Paulo atribui ao pecado essa dissonância entre a prática real e o querer idealizado. O pecado, ou seja, o desvio do alvo proporciona este estado divergente.

Há sim um ideal, um querer, uma racionalidade a ser aplicada, mas também práticas que não se coadunam, estados emocionais que desviam o ser. 

Desta forma, o Cristianismo prático, muitas vezes é ofuscado pelo Idealismo. Idealiza-se algo, prega-se, propaga-se, mas a prática não acompanha as mesmas ideias propostas. A parábola do bom samaritano, vira apenas uma boa parábola, sem a prática efetiva. Ideias!

Um tema central no Cristianismo é a mudança, a transformação do ser. Mas muitos querem mesmo é a punição, se possível, imediata. Fogo eterno hoje. Enquanto há vida, há esperança, dizem muitos.

Prega-se o que se ouviu falar, mas se pratica-se aquilo que crer de verdade. Aí reside uma dissonância enorme.

E se todo Cristão colocasse em prática exatamente o que prega? Com certeza teríamos um mundo muito melhor;  muito mais amor, compaixão, empatia, uma vida dedicada para o bem de todos.

"Meu Deus me perdoe, mas essa desgraça deveria morrer, e sofrendo bastante". Quanta incoerência entre prática e crença propagada. Claro! Somente os outros fazem isso.

domingo, 23 de fevereiro de 2020

A meritocracia, falácia crível


Como se pode falar em meritocracia sabendo que as condições da corrida são desiguais? As desigualdades abrangem fatores endógenos e exógenos. Ou seja, internos e externos.

Seres humanos são biológica e geneticamente desiguais, e, em muitos casos, essas diferenças nos impõem limites e vantagens. Há diversas outras limitações, algumas impostas pelo meio. As condições sociais e econômicas são exemplos.

Algumas lebres correm mais do que outras, mas mesmo a que menos corre ganha da tartaruga por questões naturais. No entanto, a lebre que jamais desenvolveu sua nata aptidão de corredora, perde fácil para a tartaruga. Basta impor a ela um sistema de atrofia muscular.

Surdos não falam porque jamais ouviram a voz humana no período crítico do desenvolvimento, e não por problemas nas cordas vocais.

Em um experimento clássico, ficou demonstrado que uma experiência na infância, deixa gatos cegos para o resto da vida. Basta costurar as pálpebras assim que nascem. Passado o período crítico do desenvolvimento da visão, mesmo abrindo os olhos, os gatos cotinuam cegos. O cérebro não desenvolveu a área responsável pela visão.

Para muitas questões, nós nos tornamos cegos porque jamais fomos expostos a uma experiência de desenvolvimento capaz de nos fazer enxergar.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

A inveja. Uma lástima!


Inveja é a tristeza pela felicidade dos outros, exultação pela sua adversidade e aflição pela sua prosperidade. (Tomás de Aquino).

Outro fator característico da inveja é que invejamos apenas alguém próximo. A inveja é uma incapacidade de reconhecer uma falha minha ou reconhecer o próprio fracasso. Inveja vem do latim "invidere" que significa "não ver". (Leandro Karnal).

Quem inveja vida boa de gato esquece que, se o fosse e a tivesse, jamais o saberia. (Agostinho - Filósofo Português).

Os relatos bíblicos estão recheados do termo, inveja. Por causa da inveja, Caim mata Abel. A partir daí, a ideia se prolifera nos textos seguintes.

Interessante notar que a inveja como algo malévolo, maldito, odioso, um grave pecado, não nos pertence, ela é sempre um defeito do outro. 

Na impossibilidade de dizer fracassei, errei, não consegui, o melhor e o mais curto caminho é dizer: a culpa foi dele, olho-grande. Essa é nossa tendencia diante do próprio fracasso, tratar de encontrar um culpado.

A inveja produz uma reação em cadeia; ódio, raiva, ira, tristeza, melancolia, emoções e sentimentos arrazadores. Minam tanto a saúde física quanto a mental.

O invejoso se sente muito mais incomodado com o sucesso alheio, com a felicidade do outro, do que com o próprio fracasso. Até porque, para o fracassado há sempre um culpado, o outro. Isso conforta.

A ideia é nos alegrarmos sempre com o sucesso dos outros, é até uma questão de inteligência. Porque o sucesso do amigo, também nos alcança positivamente. A não ser, que o sujeito seja tomado pela inveja, aí sim, as substâncias químicas que em níveis regulados nos favorecem, em excesso nos matam; adrenalina e cortisol. Ao mesmo tempo decai serotonina (bem-estar) e dopamina (motivação). Uma lástima!

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Armas Nucleares



Talvez armas muito mais potentes estejam sendo construídas, e não por mentes tão brilhantes. Nós, os conectados, podemos estar contribuindo com essa construção. 

A Inteligência Artificial está em curso, e, a cada acesso na rede mundial, a internet, um linha de comando é adicionada. Estamos cada dia mais dependentes, sendo preparados para em breve, respondermos a comandos automáticos, os famosos algoritmos. Em parte, isso já ocorre. Confiamos muito mais nas dicas da voz melosa do GPS, do que em nossa própria intuição. E naturalmente, na maior parte das vezes, a voz tem razão. 

Tentei discordar da voz, e meu percurso levou 13 minutos a mais, mesmo sabendo que o trajeto era menor em quilômetros. Eu não contava com a onisciência da voz, que sabia de um enorme engarrafamento que eu desconhecia. 

Estamos de alguma forma terceirizado nossas habilidades cognitivas. Não mais memorizamos números de telefones, não há razão para isso. Tudo está armazenado na memória do celular. Quase não nos exercitados, ainda mesmo que uma ou duas horas gastas na academia, passamos a maior parte do dia fisicamente inertes.

Em breve, quem sabe, o domínio da inteligência artificial, seja capaz de estabelecer sua ditadura. Um processo em curso, sequer conseguimos percebê-lo. 

Quem ou o que deterá o poder?