sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Evolução e autoconsciência



Desde muito cedo nós começamos a categorizar pessoas. Os chamados estereótipos. Aos 6 anos uma criança já faz julgamentos com base em rostos confiáveis ou não. Uma resposta emocional e natural de autopreservação. Bem antes, logo após o nascimento, já reconhecemos rostos familiares de pai e mãe.

No cérebro há áreas bem distintas relacionadas às emoções e, essas se desenvolvem antes das áreas ditas racionais, que devem controlar a emoção. São elas, o sistema límbico, incluindo a amígdala (resposta ao medo), e o córtex pré-frontal. Esse último completa seu desenvolvimento tardiamente (aos 25 anos ou mais) e deve controlar nossos impulsos imediatos evitando assim, ações desastrosas. Nossas primeiras respostas são sempre emocionais, às vezes equivocadas.

Adotar a perspetiva do outro é um exercício de autoconsciência. Ameaças potenciais muitas vezes são apenas “lixo ancestral”, mas também podem nos ajudar a detectar um perigo real.

A inibição do pensamento estereotipado é difícil, não é uma resposta automática. Requer reflexão, ponderação, cálculo e paciência. Exige muito mais do que o simples autocontrole, precisamos de reflexão aprofundada. Análise da perspetiva do outro nos torna empáticos, capaz de simular o estado emocional do próprio semelhante.

Os lobos frontais superam as respostas emocionais associadas a atividade da amígdala que nos manda sinal de perigo, quando na verdade aquele perigo detectado pode nem existir no mundo real. Apenas na mente.

Reconhecer a própria percepção é um exercício diário. Ou seja, a experiência consciente de estímulos e respostas.

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