Eu só queria ser o que penso ser. Apresentar-me como gostaria. Falar e expressar-me como pessoa livre que também penso ser. Mas as coisas não funcionam assim. Há um custo muitas vezes alto demais. Ao invés disso, preciso usar uma máscara que agrade. Caso contrário, a exclusão do grupo é certa.
Seres humanos são seres gregários, vivemos em grupo obedecendo regras e práticas comuns. Quem destoa, corre risco da exclusão e perde a pretensa segurança dos semelhantes. Vivemos debaixo de regras mutáveis, efêmeras, algumas nitidamente injustas.
Um mundo de personagens, pouco real. Para cada ambiente, uma máscara, uma persona. Para cada situação, um comportamento pré estabelecido, mesmo não existindo uma lei explícita, lá estou eu, representando ser o que não sou. Ou sou?
Dissimular o real e apresentar um “EU” que nunca fui. A contra gosto, mas que agrada meus pares. Também eu, fingindo gostar, quando na verdade odeio. A persona!
Assim como no antigo teatro grego, a máscara ainda nos é necessária, exigida. Mostrar-se de cara limpa não agrada, e muitas vezes confunde o público que fica distante. Como humanos que somos, não queremos desagradar ao público porque o risco de evasão e isolamento é alto. Sem aplausos.
A máscara, condição “sine qua non” exigida para o convívio social.
O que vemos não é o mundo real, mas sim uma representação, às vezes bem tosca. Tire a máscara e colha seus frutos. Diga o que pensa e receba a devida retaliação caso não agrade.
Prosopon! Prosopon!

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