quinta-feira, 17 de março de 2022

Escravos ou livres?

Quando ocorreu a abolição da escravatura não apenas no Brasil, um fenômeno interessante surgiu. A lei estava garantindo que a partir daquele instante, eles, os escravos eram livres, podiam ir. Para muitos, essa opção sequer passava em suas cabeças. 

Na casa do seu senhor eles tinham abrigo, comida, mas continuavam a trabalhar duro, na verdade trocando um punhado de alimento por muito trabalho extenuante. 

Dependentes como sempre foram, certos escravos não conseguiam viver a liberdade recém conquistada de verdade. Os anos de escravidão bastaram para moldar as mentes e fazê-los preferir a frágil segurança do que ser livres verdadeiramente. Não havia liberdade em sua plenitude, era apenas nominal, no papel. Embora a mente continuasse a mesma, escrava, não mais do seu senhor, mas de si mesmo. Assim foram esculpidos, moldados. 

A tênue segurança que pensavam ter era preferivel a qualquer aventura incerta. Deixem como está, não mudem nada, o proximo torturador pode ser muito pior, e é mesmo, a própria mente escrava.

O povo Israelita tendo Moisés como lider, perambulou pelo deserto por 40 anos sendo levados à liberdade, retirados da escravidão em que viviam no antigo Egito. Claro! No meio do povo sempre havia alguém desejoso de voltar para o antigo senhor que os mantinham cativos. O preço da liberdade era alto demais sendo pago no deserto escaldante. Somente após  as velhas mentes terem sido renovadas, foi que conseguiram chegar ao destino.

Hoje não é tao diferente. Tragam de volta nosso senhor, dizem muitos em outras palavras mais rebuscadas, polidas, na verdade caiada.

Waldez Pantoja

terça-feira, 1 de março de 2022

O que você quer ser quando crescer?

E então, você ainda se lembra dessa pergunta na infância? Se lembra, talvez não lembre das diversas respostas enquanto realmente crescia. Se lembra das respostas, talvez não tenha se tornado o que afirmava querer ser. Pode até ter sofrido enorme influência da família que tratava de fazer uma escolha, e assim, assumindo a escolha deles que queriam que nos tornassemos aquilo que eles mesmos não conseguiram ser. 

A vida é assim, cheia de mudanças. Bastam algumas poucas desilusões, algumas frustrações, alguns rumos diferentes, e já tratamos de nós adequar a nova realidade apresentada. Isso não é ruim, até porque é justamente essa nossa capacidade de adequação que nos trouxe até onde chegamos. 

O termo 'crescer' chama a atenção. O que seria na verdade 'estar crescido'? Faça essa pergunta a um adulto e ele será pego de surpresa, obrigado a repensar a sua resposta da infância.

Dei-me conta a respeito da pergunta quando li sobre Michele Obama comentando que essa é uma das perguntas mais inúteis a se fazer a uma criança. Se é inútil não sei, mas o termo 'crescido' traz uma ideia de algo que estará finalizado, um ponto final que nos impossibilita de continuarmos crescendo, comenta ela.

Penso que se alguém me perguntasse hoje o que gostaria ser quando crescesse, minha resposta seria algo relacionado com alguém que estuda, aprende, coloca em prática o que aprendeu e depois compartilha tal aprendizado. 

Sim! Devo continuar fazendo o que já faço. Errando, aprendendo e tentando evitar velhos erros novamente. Se não for possível sempre, que seja o aprendizado uma constância.

E você, o que quer ser quando crescer?

Waldez Pantoja

Eu e meu gato

Sempre achei o gato um animal muito interessante em diversos aspectos. Embora eu mesmo nunca tenha cuidado de um gato. Cachorros sim, muitos.

Minha esposa diz que o gato é autônomo, não se deixa levar pelas vontades do dono. Não sei.

Sempre quando vejo um gato em apuros, isso me chama a atenção. São gritos, saltos, e o bicho literalmente parece dobrar de tamanho. Às vezes, é assustadora a maneira como ele tenta escapar de uma ameaça. É capaz de enfrentar outros animais bem maiores, mas talvez ele mesmo nem perceba essa diferença.

A postura das costas arqueadas chama a atenção. Dizem os especialistas que tudo não passa de um blefe, é o gato tantando demonstrar a sua superioridade. Um comportamento que indica uma antecipação diante de um confronto iminente.

E nós? Ah, tal como os gatos, nós também assumimos tais posturas diante de uma ameaça. Pode até nem ser uma ameaça real, quem sabe seja apenas uma decodificação errônea devido a alguma experiência dolorosa, mas que no momento não nos oferece nenhum risco. Quem sabe seja apenas resquícios emocionais ancestrais, quando o equilíbrio da razão ainda nem havia se estabelecido. Assim, apontamos o dedo, gritamos, atacamos, nos esforçamos para parecer o que na verdade não somos. Quase sempre um blefe. 

As emoções podem nos impulsionar, assumir o controle sequestrando nosso sistema executivo que nos faz pensar, ponderar, refletir e analisar a situação antes de alguma decisão apressada. Pode ser apenas uma sinalização dizendo que uma ação imediata se faz necessária, quando na verdade, precisamos apenas ignorar o estímulo recebido e administrar a emoção, desta forma, não nos tornarmos reféns de nós mesmos, de nossas emoções flagrantes que queimam por dentro.

Talvez os gatos nunca cheguem a ter o poder de escolha diante de um estímulo, mas nós sim, podemos fazer uma escolha e deixar que a nossa razão nos mantenha equilibrados.

Waldez Pantoja