Abandonar o outro que precisa de nós é algo muito sério. Mas, aquele que abandona a si mesmo torna terrível e insuportável sua estadia por aqui.
Só as ideias que ganhamos com a caminhada têm algum valor. (Nietzsche).
A nossa caminhada durante a vida deveria servir sempre um aprendizado. É uma passagem entre altos e baixos, curvas e retas, frio e calor, caminhos largos e estreitos.
De repente nos tornamos esquecidos de nós mesmos, de alguma forma deixamos de cuidar do corpo, da alma, e já não mais cultivamos nossas próprias ideias, apenas aquelas ideias prontas, pensadas pelo outro, para a vida do outro. De alguma forma nos esforçamos para nos adequar àquilo que não nos pertence. E assim, perdemos uma grande oportunidade de crescimento e desenvolvimento.
Fico assombrado com a facilidade com que amamos a nós mesmos acima de todos os outros, e no entanto confiamos mais na opinião alheia do que em nossa avaliação de nós mesmos. [...] Quanto crédito damos às opiniões que nossos pares têm sobre nós e quão pouca importância damos às nossas! (MARCO AURÉLIO).
Viver constatemente irritado, raivoso, melancólico, cheio de lamúrias, também é uma forma de auto-abandono do eu. Esquecemos quem somos de verdade e deixamos que o outro assuma o controle de nossa vida, que controle nossos sentimentos e torne nossas emoções insuportáveis.
Entregues aos estímulos, esquecemos que não somos nossas emoções, mas agimos como se fôssemos.
Waldez Pantoja


