sábado, 9 de outubro de 2021

Contra ou a favor da tortura?

 

Na verdade as pessoas se posicionam contra a tortura daqueles que consideram inocentes. Ou contra como um ato de se obter uma confissão de alguém injustiçado. Todos somos contra. Ninguém é a favor disso. No entanto, há outros tipos de tortura, e muitas vezes, fazemos vista grossa.

Avançamos muito, e, esse meio não faz mais sentido algum. Nunca fez.

Hoje temos investigação aprofundada, respaldo até de exames de DNA, e não apenas os testemunhais sujeitos a erros que condenam inocentes. 

Sempre que se condena alguém, e esse vai parar em uma cadeia, em um sistema desumano, não sendo seu ambiente diário e usual, trata-se também de tortura, seja ele culpado ou não. Sofrem tortura todas as vítimas de crimes, sejam quais forem eles. Não enxergarmos!

É torturado também aquele que, por vício do sistema não consegue um emprego, não alimenta sua família, tem uma concorrência desleal no mercado. Ainda é tortura quando o estado arrecada e não devolve o arrecadado em benefício do necessitado que paga antecipadamente pelo dito "benefício". Todos nós sofremos terríveis torturas todos os dias promovidas pelos governantes por nós legitimados.

Imaginemos alguém que necessita de um atendimento por motivo de doença, mas morre antes que consiga ser atendido. Sofreu tortura ele, e a família continua sendo torturada até após a morte do familiar. Isso também é tortura que mata centenas de milhares em nosso país todos os dias.

Aquele que não consegue estudar porque faltam vagas ou porque as instituições particulares são caras, esse também sofre tortura dada a exposição a um sistema desigual. Há ainda os que deixam a família, a cidade, o estado, o próprio país em busca de dias melhores. Paga-se um alto preço.

É neste cenário que se fundamenta a tortura social. Ela não visa obter uma confissão de um delito qualquer, quem sabe um crime, objetiva-se apenas manter o controle social enganando o povo com alguma migalha que cai das mesas dos governantes por nós legitimados. Bolsa qualquer coisa. Promessas. Nesse tipo de tortura não há confissões, apenas reclamação, algum desconforto que logo é seguido por um período de acomodação sem grande repercussão.

Conclui-se que, de maneira velada, estamos expostos a um padrão de tortura com o qual pouco nos importamos. A tortura social mata muitos todos os dias. Embora consigamos ignorar e acreditar que só acontece com o outro.


Basta!

domingo, 3 de outubro de 2021

Pessoas boas em lugar ruim

PESSOAS BOAS COMETEM ATOS CRUÉIS?

O Professor Dr. Philip Zimbardo da Universidade de Stanford fez esta pergunta, e para responder, conduziu alguns experimentos controlados. Os resultados são surpreendentes.

O experimento de 1971 consistia em criar um ambiente de uma cadeia e recrutar pessoas comuns para assumirem diversas funções. Alguns seriam os prisioneiros, outros seriam os guardas, investidos de autoridade e poder.

Para espanto dos pesquisadores envolvidos, o ambiente se tornou tão perigoso, que o experimento precisou ser cancelado em apenas seis dias após o início. 

Os guardas se tornaram tão autoritários, que logo começaram a cometer vários excessos. Negavam e retiravam direitos dos prisioneiros. Obrigavam todos eles a se submeterem a vários atos degradantes.

Zimbardo concluiu que: "Qualquer ato praticado por um ser humano, por mais horrível e cruel que seja, pode ser cometido por outro também".

Situações extremas podem levar pessoas boas a cometer atos cruéis, a depender do contexto, pressão social a qual estão inseridas, ou ainda o estado emocional momentâneo.

Stanley Milgram, que era colega de Zimbardo, também chocou muitos quando conduziu o experimento que ficou conhecido como "O choque de Milgram". Pessoas comuns, aplicavam choques em outra pessoas, apenas porque receberam uma ordem. (O experimento era controlado e os choques eram falsos).

Difícil saber com certeza, o que leva uma pessoa de maneira inesperada, cometer um ato de crueldade que choca a todos. Principalmente quando não há nenhum antecedente de peso, que possa ser levado em conta.

Também não é difícil encontrarmos pessoas que consideramos boas, ou que ela mesma se considera boa, desejando a morte ao outro que tenha cometido um delito qualquer. Se tivesse a oportunidade, talvez fosse igualmente capaz de cometer um ato cruel para aplacar a própria raiva. Um ato mais próximo da vingança do que da “justiça”. Princípios morais que se adequam a situação.

Naturalmente muitos dirão: “se cometeu um ato cruel, então não era uma boa pessoa”. Condenado!


Waldez Pantoja