quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Você confia 100% na sua memória?

 


"Eu vi, eu ouvi, eu tenho certeza". Afirmações bem comuns no momento de um relato testemunhal. Mas, nossa memória não parece tão confiável o quanto pensamos ser. Por conta dessa falibilidade, injustiças podem facilmente ser cometidas.

Para quase tudo na vida dependemos da nossa memória. Nossas lembranças, a consciência do que somos, nossas escolhas, aprendizado, tudo passa pela nossa capacidade de armazenamento da informação.

Compreender a memória requer certo aprofundamento para realmente saber do que se trata. Um inquietante "fenômeno" que só nos damos conta de sua existência quando ela falha.

"Nada há no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos" (MARSHALL, 1988). A memória é um sistema ativo de aquisição, retenção, organização, modificação e evocação da informação.

Falsas memórias podem facilmente ser implantadas, ou mesmo desenvolvidas. "Lembramos" de coisas que na verdade podem nem ter acontecido de fato. Isso ocorre porque a cada evocação da informação, os fatos podem ser alterados de maneira a fazer sentido de acordo com o contexto presente.

Um artigo da Psychological Science descobriu que 71% dos participantes expostos a determinadas técnicas de entrevista, desenvolveram falsas memórias sobre terem cometido um crime quando eram adolescentes. Na realidade, nenhum dos participantes teve contato com a polícia durante a faixa etária em questão. Nunca cometeram crime algum.

Deve-se ter cuidado ao buscar evidências em relatos de crianças. Somente um especialista deveria realmente conduzir tais procedimentos. Isso porque, a depender da forma como o interrogatório acontece, a criança facilmente desenvolve falsas memórias e passa a creditar em seu próprio relato.