O SAPATO COLORIDO
Nossa visão de mundo é sempre muito interessante, até que surge alguém com uma visão distinta e nos confronta. De repente, um sapato que temos a certeza de ser cor de rosa, vira confronto, pois para o outro a cor é verde. Mas, não apenas em relação a cores. As diferenças alcançam outras instâncias.
Real, verdade, mentira, imaginação, certo, errado, certezas; assim vamos criando e construindo um mundo de percepções, crendo que nossos limites sejam também os limites do mundo. O que vejo, o que percebo, a forma, a maneira, tem que se estender aos demais. Caso contrário, um julgamento pode ser construído de maneira tal, a desmerecer a construção do outro e favorecer a minha.
Às vezes esta construção se limita a própria experiência. Meu mundo deve ser o mundo do outro também. O que não nos damos conta, é que, tanto eu, quanto o outro, temos uma visão de mundo limitada. Quem saberia com certeza descrever o mundo Real? Um fio de cabelo, não se compara em nada com aquilo que construímos em nossa mente quando visto de perto a luz de um microscópio. É tão diferente, que sequer conseguimos identificar um simples fio de cabelo.
Será que seria possível irmos além da nossa própria experiência de mundo construído ou estaríamos realmente limitado a essa construção? A minha vontade, anseios, sentimentos, emoções, fazem parte dessa construção. O que vejo, pode ser apenas um reflexo de algo previamente muito bem estabelecido, ou quem sabe, uma construção momentânea dada as circunstâncias. E, isso, impede romper a barreira que nos levaria degrau acima, deixando-nos a mercê da própria crença pré estabelecida.
Nossa versão de mundo parece está limitada a uma visão tanto de observações limitadas, quanto de experiências limitadas. Difícil é perceber tal limitação.
O sapato apresentado na foto, embora apresente apenas duas cores, agora parece mesmo um sapato colorido. Cada um apresentando sua certeza de cor. Mas, o mais instigante, é quando o outro diz: não acredito, você não está vendo que o sapato é cor de Rosa? Nossa! Está cego eim...
Nossos próprios limites devem atingir os outros também. Desta forma, nos tornamos iguais e não serem diferentes com experiências distintas. O que vejo, o que sinto, o que percebo, deve servir de referência para os demais.
Nós seres humanos somos seres gregários. Quando alguém destoa da nossa forma de pensar, isso pode soar como uma ameaça de distanciamento. A partir daí, buscamos formas de fazer com que a pessoa venha para perto, e esse “está perto”, pode gerar conflito quando não bem administrado. Por exemplo, usar a imposição de ideias como ferramenta, um processo às vezes inconsciente, em busca da aproximação daquele que se afasta.
Qual a cor do sapato?
